Clayton de Souza/Estadão
Clayton de Souza/Estadão

Sob protesto, Anna Cintra deve assumir reitoria da PUC-SP nesta 6ª-feira

Fundação SP diz que não está prevista realização de cerimônia de transmissão do cargo

Carlos Lordelo e Cristiane Nascimento, Especial para o Estadão.edu,

29 Novembro 2012 | 20h08

A professora Anna Cintra, de 73 anos, deve assumir como nova reitora da PUC-SP nesta sexta-feira, 30, mesmo sob protestos de alunos, funcionários e professores e após a decisão do Conselho Universitário (Consun) que suspendeu a validade da lista tríplice de indicados para a reitoria. Menos votada pela comunidade acadêmica na eleição de agosto, Anna foi escolhida para o cargo pelo grão-chanceler da universidade, o cardeal-arcebispo de São Paulo, d. Odilo Scherer.

 

A Fundação São Paulo (Fundasp), que administra a PUC, informou no início da noite desta quinta que está mantida a previsão de que Anna assuma o cargo nesta sexta. Disse ainda que não deverá ocorrer cerimônia de posse.

 

Estudantes em greve acreditam que Anna poderá assumir o comando da universidade no câmpus do Ipiranga, zona sul, ou no da Marquês de Paranaguá, região central. A mobilização dos alunos é mais forte no câmpus de Perdizes, zona oeste.

 

Na noite desta quinta, os estudantes decidiram em assembleia fazer uma vigília em frente à reitoria, em Perdizes. Alguns se comprometeram a passar a noite na universidade. Outros disseram que chegarão o mais cedo possível ao câmpus amanhã. "Vamos esperar até amanhã (sexta-feira) para saber o que de fato vai acontecer. Agora, não há nada a fazer a não ser a vigília", diz a estudante de Jornalismo Anna Coelho. "Não reconhecemos a Anna Cintra enquanto reitora."

 

Conciliação

 

Durante a tarde desta quinta, não houve acordo na audiência de conciliação realizada no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) entre a Fundasp e a Associação dos Professores da PUC-SP (Apropuc). As partes foram chamadas após a fundação ter cobrado na Justiça a declaração de ilegalidade da greve dos docentes e funcionários – assim como os alunos, eles cruzaram os braços em protesto contra a nomeação de Anna Cintra. O TRT indeferiu dois pedidos de liminar com o mesmo teor.

 

Segundo Beatriz Abramides, vice-presidente da Apropuc, a desembargadora Vilma Eleutério disse na audiência que, ao contrário do que defendem os advogados da Fundasp, a paralisação é legítima, uma vez que o direito de greve é previsto em lei e não houve interrupção de serviços essenciais. Um juiz-relator foi indicado para a análise do caso e as partes devem se reunir novamente apenas em fevereiro, após o recesso de fim de ano.

 

Conselho

 

As regras para a escolha do reitor na PUC-SP preveem eleição em que alunos, funcionários e professores votam. Uma lista tríplice segue para o cardeal, que tem a prerrogativa de selecionar um dos nomes. Tradicionalmente, o primeiro colocado é o escolhido. A nomeação de Anna, em 12 de novembro, abriu uma crise na universidade, com alegações de parte da comunidade acadêmica de que a decisão de d. Odilo feriu a “democracia”.

 

Ontem, o Consun acatou recurso de estudantes e suspendeu temporariamente a validade da lista tríplice. Mas o cardeal pode ignorar a decisão do conselho e empossar a professora Anna. Assim, descartaria a possibilidade de nomear o professor Marcos Masetto como reitor interino até o dia 12 de dezembro, quando haverá nova reunião do Consun e será decidido o mérito do recurso, apresentado pelo Centro Acadêmico 22 de Agosto, dos alunos de Direito. Ontem foi o último dia da gestão do reitor Dirceu de Mello – o mais votado na eleição.

 

"Não acatar a decisão do conselho é desrespeitar uma instância que representa a comunidade acadêmica, com participação de alunos, funcionários e professores", diz Anna Coelho, estudante de Jornalismo.

 

No recurso, os estudantes afirmam que a nomeação de Anna, mesmo legal, violou artigos do estatuto e do regimento geral da universidade, segundo os quais os funcionários e professores devem zelar pelo patrimônio moral da universidade. Os alunos lembram que Anna Cintra assumiu o compromisso durante um debate eleitoral de não aceitar a nomeação caso não fosse a mais votada.

 

O representante da Fundasp pediu vistas do recurso e, como a posse da nova reitora era iminente, o conselho resolveu suspender os efeitos da lista tríplice.

 

Ontem, d. Odilo ainda não havia sido comunicado oficialmente do resultado da reunião do Consun. A Fundasp disse em nota que é legítima a escolha de Anna para a reitoria. Já a assessoria do cardeal afirmou, ontem, que ele estava em um retiro, incomunicável.

 

* Atualizada às 23h45

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