Fabio Motta/AE
Fabio Motta/AE

Só 2 escolas têm média para vaga em Medicina

Liderar ranking não significa que nota de todos os alunos seja boa

Ocimara Balmant, Especial para o Estado, O Estado de S. Paulo

12 Setembro 2011 | 03h17

Para passar para a segunda fase em Medicina, o curso mais concorrido da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o candidato que prestou o vestibular do ano passado teve de fazer 750 pontos no Enem. Uma nota que apenas dois colégios do Brasil tiveram como média: São Bento, do Rio de Janeiro, e Instituto Dom Barreto, do Piauí.

Isso mostra que a peneira do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) - que seleciona estudantes para vagas em universidades federais por meio da nota do Enem - é apertada. Mesmo as notas de colégios no topo do ranking podem ser baixas demais para entrar nas instituições mais conceituadas que adotam o Enem como critério parcial ou único de seleção, caso da UFMG.

“Ficar entre os primeiros colocados no ranking do Enem não significa que a nota obtida pelos alunos seja boa”, diz o educador Francisco Soares, especialista em sistemas de avaliação. “Isso significa que, quando eu pego uma nota, ela é verdade, mas não é toda a verdade. Uma nota alta em comparação com outras escolas não significa, necessariamente, que o resultado seja bom. Um bom resultado é só aquele que produz um outro resultado”, afirma.

Um exemplo prático do questionamento do educador é o resultado obtido pelos alunos brasileiros no Pisa, avaliação internacional organizada pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).

As melhores notas obtidas pelos alunos brasileiros dos melhores colégios privados foram inferiores às dos alunos de escolas públicas medianas de vários países desenvolvidos.

Dificuldade. Pela média dos colégios no Enem, por exemplo, o estudante do Vértice, o mais bem classificado colégio da cidade de São Paulo, com nota 743,45, ficaria de fora da disputa por uma vaga no curso de Medicina da UFMG. O aluno da escola paulistana conseguiria ir para a segunda fase do curso de Engenharia Química, que registrou 719 como nota de corte.

“É um levantamento que considera a nota média da escola. É claro que há alunos com nota acima ou abaixo dela, mas essa comparação é importante para analisar que essa classificação é bem relativa”, diz Soares.

Com o uso do Enem como critério único de avaliação no vestibular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) neste ano, o cenário deve se repetir. A nota dos cursos mais concorridos deve ficar acima da média das conquistadas pelos colégios que lideram os rankings.

Fora do eixo. Apesar de apontar a necessidade de contextualizar as notas de cada escola e ressaltar que algumas delas selecionam apenas os melhores alunos para fazer o exame, Soares acredita que o grande mérito do Enem é mostrar que há centros de excelência espalhados pelo País todo.

“Uma escola de Teresina no alto da lista derruba um pouco essa ideia de predomínio do Sul e Sudeste que ainda reina na cabeça de muita gente”, afirma o especialista. “Antes de saírem os resultados do Enem por escola, não se fazia ideia de que havia bons colégios longe do eixo que todos já conhecem.”

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