Rafael Arbex / ESTADAO
Rafael Arbex / ESTADAO

Snapchat vira arma para atrair estudante

Escolas, professores e projetos pedagógicos na internet investem em conteúdo exclusivo para rede social popular entre jovens

Isabela Palhares, O Estado de S.Paulo

13 Junho 2016 | 05h00

SÃO PAULO - Professores que aderiram ao YouTube e ao Facebook começam agora a mirar no Snapchat e no Instagram como novos aliados na hora de transmitir conhecimento. A ideia, segundo eles, é que o estudo esteja sempre no “mundo” e no ritmo dos jovens. 

Como as redes sociais se popularizaram entre os adultos, os adolescentes passaram a ter interesse por aplicativos em que sofreriam menos interferência dos pais. O Snapchat, por exemplo, é usado para o envio de texto, fotos e vídeos que só podem ser vistos uma vez. O conteúdo é “autodestruído” depois da visualização. 

Ao perceber que a rede de mensagens instantâneas tinha se tornado a preferida dos adolescentes, a pedagoga Taís Bento, uma das responsáveis pelo projeto Socorro! Meu filho não estuda, decidiu usar o Snapchat para fazer vídeos com dicas de estudo. “Usava o site e as outras redes para dar dicas para os pais de como ajudar os filhos a estudar, mas vi que o resultado seria ainda melhor se eu falasse direto com os alunos e, para isso, precisava entrar no mundo deles”, afirma ela. 

A conta SOS Tenho Prova, administrada por Taís, foi criada há quatro meses e tem cerca de 35 mil visualizações semanais. “No início, trazia uma dica por semana, mas os alunos começaram a cobrar mais dicas e pediam que eu respondesse às dúvidas deles. Então, comecei a produzir vídeos diários.”

Segundo a pedagoga, os adolescentes querem saber como melhorar o rendimento nos estudos, aumentar a concentração e ser mais organizados. “As escolas pensam que algumas coisas são básicas, por exemplo, como estudar sozinho em casa ou fazer o resumo de uma matéria, e não ensinam. Os jovens querem aprender, mas não sabem a quem recorrer”, acredita Taís. 

Notas melhores. Foram as dicas de como melhorar a concentração para os estudos que fizeram Sophia Helena de Assis e Silva, de 12 anos, se tornar uma “seguidora” do SOS Tenho Prova. “Sempre tirei notas boas, mas tinha dificuldade de me concentrar quando estudava sozinha e sentia que não rendia. Com as dicas, estudar ficou menos cansativo e melhorei minhas notas”, diz. 

Sophia conta que a dica que mais a ajudou foi cronometrar 30 minutos ininterruptos de estudo, sem nenhuma distração. Depois desse tempo, ela faz um intervalo de exatos cinco minutos, em que pode relaxar e mexer no celular. “Quando chego da escola já abro o Snapchat para ver se tem alguma dica nova”, afirma. 

Macetes. O Descomplica, plataforma de educação online de preparação para vestibular, também passou a usar o Snapchat como extensão das aulas para dar dicas de estudo ou de “macetes” dos conteúdos de prova. “Cada rede social tem seu alcance e, se usadas de maneira correta, elas podem se complementar. Os jovens usam todas elas, então, é uma forma de estar mais perto deles, falar a linguagem deles”, afirma Maria Fernanda Borsatto, gerente de Marketing da plataforma. 

As dicas do Descomplica no Snapchat incluem instruções para o aluno se inscrever nos vestibulares, no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e no Sistema de Seleção Unificado (Sisu). “Uma das nossas propostas é fazer o jovem gostar de estudar. Hoje já não dá mais para esperar que eles estudem só com os livros, precisamos usar essas ferramentas que eles já usam a nosso favor.”

O Descomplica também usa o Instagram, rede social de compartilhamento de fotos, para mostrar bastidores das aulas. “Eles gostam de sentir que estão próximos dos professores, essa é uma forma de trazê-los para perto”, diz Maria Fernanda.

Projetos. O colégio Mopi, no Rio, também vai começar a usar o Snapchat para melhor interagir com os alunos. A rede social será usada para que os estudantes contem sobre os projetos que estão fazendo e deem dicas de estudo para os colegas. 

“Percebemos que quem mais acompanhava os conteúdos no nosso site e no Facebook eram os pais e, por isso, precisávamos de um canal de comunicação melhor com os alunos. Começamos a usar o Instagram e os estudantes foram muito participativos, daí a ideia para o Snapchat”, conta Bruna Curcio, coordenadora de Comunicação do colégio.

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