Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Sem aumento até 2018 de salários, USP prevê déficit de R$ 115 milhões

Comissão de Orçamento e Patrimônio vai apresentar projeções de plano plurianual no Conselho Universitário nesta terça-feira, dia 18

BÁRBARA FERREIRA SANTOS, O Estado de S.Paulo

17 Novembro 2014 | 02h01

SÃO PAULO - A Comissão de Orçamento e Patrimônio da Universidade de São Paulo (COP-USP) prevê que, até 2018, não haverá aumento real para os salários de professores e funcionários. O reajuste deve ocorrer apenas de acordo com a inflação. Mesmo sem aumentos previstos, o comprometimento do orçamento com folha de pagamentos deve ficar em torno de 90,3% em 2018 - hoje a instituição tem 104,7% atrelado a gasto com pessoal. O déficit da USP deve cair de R$ 1 bilhão em 2014 para R$ 115 milhões em 2018.

O levantamento faz parte do plano plurianual para o orçamento da USP e será votado no Conselho Universitário (CO) nesta terça-feira, 18. As previsões, no entanto, são consideradas por especialistas ouvidos pelo Estado como "muito otimistas". No documento, a COP afirma que o cenário da USP é "preocupante". Também alerta que, se o cenário proposto não se verificar, as reservas da universidade podem se esgotar em 2017 "ou até mesmo antes".

Nas projeções, o crescimento do PIB do Brasil de 2016 a 2018 é de 2%. A inflação considerada é de 4,8% em 2015 e 2016 e de 4,5% em 2017 e 2018. Para Zeina Latif, economista-chefe da XT Investimentos, as expectativas de crescimento do PIB estão otimistas e põem a universidade em um cenário de risco.

"O Estado de São Paulo tem crescido menos do que o País. E, principalmente por causa da indústria, é o mais vulnerável." Ela explica que o crescimento do PIB do Estado deve ser menor do que o da União no período. O relatório Focus do Banco Central de 7 de novembro prevê um crescimento de 0,8% da União para 2015 - a previsão da USP é de 1,5% para o Estado, retirada da previsão do governo, segundo o relatório da COP.

"Se no ano que vem o crescimento do País ficar abaixo de 1%, São Paulo vai ficar com menos ainda. A gente não está enxergando uma luz econômica no fim do túnel para a indústria. Com a crise da água, as médias empresas vão migrar porque os custos começam a aumentar no Estado", afirma Zeina.

Para ela, a universidade precisa fazer projeções com outros cenários. "A USP tem de ter um plano B, porque tem um risco embutido nesse cenário. A USP precisa pensar a longo prazo."

No cenário projetado pela COP, a USP deixaria de usar todos os repasses do Estado com folha de pessoal em 2016, quando 93,65% dos gastos seriam usados em salários. Em 2018, chegaria a 90,33% - porcentual ainda inseguro. As reservas esperadas para o fim do período são de R$ 538 milhões - hoje, são de R$ 1,7 bilhão.

 

 

Repasses. Para o presidente da Associação dos Docentes da USP (Adusp), Ciro Correia, não haverá solução para a crise sem um porcentual maior de repasse do Estado para a universidade. "Desde 1995, se pede que o repasse do ICMS aumente para 11,6% (hoje é de 9,57%)", diz.

Para o professor Marcelo Nerling, do curso de Gestão de Políticas Públicas da USP, os aposentados deveriam ser retirados da folha. "A USP tem de seguir o mesmo modelo das outras autarquias, nas quais os aposentados são remunerados pela SPPREV (São Paulo Previdência)", diz.

A USP informou, por meio da assessoria de imprensa, que só vai comentar a questão financeira após a reunião do CO nesta terça-feira. Dirigentes do Sindicato de Funcionários da USP (Sintusp) foram procurados pela reportagem, mas não foram localizados até as 20 horas deste domingo, 16.

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