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Segundo professor, é preciso ‘desconstruir a estética’ do continente

Santos buscou material para aulas do 6º ano ao 9º ano que mostrasse a diversidade de um local com 2 milhões de línguas

Bárbara Ferreira Santos, O Estado de S. Paulo

05 Julho 2014 | 17h48

SÃO PAULO - O professor de História Daniel dos Santos, de 23 anos, encontrou no Afreaka uma forma de “desconstruir a estética” do continente africano para os alunos do ensino fundamental 2 (6.º ano ao 9.º ano), no período em que dava aula em um colégio de Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano. “Como professor e ativista negro, tinha a missão de inserir no currículo escolar a lei. Existe material didático, mas acho que essa primeira leva de produção dos livros tem textos carregados de estereótipos, que falam apenas da escravidão na história da população negra no Brasil.” Ele mostrou ainda outra preocupação: conseguir materiais que fossem palatáveis a crianças, com textos leves e materiais que conseguissem prender a atenção deles.

Ele ficou sabendo do projeto em uma comunidade sobre estudos de história africana no Facebook. “Acessei pela primeira vez o Afreaka para ver um texto sobre a moda angolana e nigeriana. O trabalho deles mostra a diversidade de um continente com mais de 50 países e mais de 2 milhões de línguas. Apresenta a África próxima da gente e para além da nossa ancestralidade.” 

Preocupado em desconstruir uma visão etnocêntrica na sala de aula, ele usou o conteúdo como contraponto ao que era apresentado no material didático. Em um dos exercícios feitos em aula, pediu que os alunos buscassem imagens da África em livros e na internet e montassem painéis com as fotos. “Estavam lá as imagens de fome, pobreza, homens com metralhadoras na mão”, conta. Santos então apresentou materiais que falavam da cultura cosmopolita, tecnologia e arte africana. “Temos de descolonizar as mentes, desconstruir esse imaginário que está incrustado e provocar a discussão”, afirma. 

Para o professor, além do material, falta formação para os professores sobre esse conteúdo. “Como não há currículo definido no País, o professor tem a liberdade de ensinar o que quiser e como quiser”, afirma. “A questão não é a obrigatoriedade, mas a necessidade de ensinar esse conteúdo. A partir do momento que o Brasil não se vê no espelho, não vai se conhecer.”

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