Se já está assim agora, imagina na Copa?

Jovens criaram plataforma que pretende mobilizar e engajar outros brasileiros a criar uma onda de ações transformadoras

Portal Porvir,

10 Janeiro 2013 | 16h06

Aproveitando o bordão “imagina na copa”, que, de modo pessimista, sai da boca da população demonstrando as possíveis mazelas que o Brasil já enfrenta e que podem piorar durante a Copa do Mundo, em 2014, um grupo de quatro jovens de 26 a 29 decidiu ir à contramão da teoria para mostrar que é possível inverter o sentido da frase. Para isso, criaram a plataforma de mesmo nome, lançada no último dia 3, que pretende mobilizar e engajar outros jovens brasileiros a criar uma onda de ações transformadoras. No site, semanalmente, será mostrada uma nova história de jovens que estejam transformando o país para melhor. Ao todo, serão 75 perfis até a Copa. Além disso, os fundadores do projeto realizarão oficinas presenciais nas cidades-sede dos jogos como forma de ajudar outros jovens a criarem e organizarem seus próprios projetos.

“A ideia é transformar a Copa num chamado para a atuação dos jovens, para empoderá-los e engajá-los para que assim possam dar luz a novas iniciativas transformadoras em suas cidades e comunidades. Engajando mais gente e contribuindo para que outras pessoas a se organizem, para que as coisas deem certo no Brasil, independentemente do campeonato”, afirma Mariana Ribeiro, coidealizadora do projeto.

De acordo com levantamento feito pelo O Sonho Brasileiro, realizado em 2011 pela Box 1824, empresa com atuação no mapeamento de tendências de comportamento, 74% dos jovens brasileiros dizem “se sentir na obrigação de fazer algo pelo coletivo no seu dia a dia” e 79% deles concordam em “utilizar parte do seu tempo para ajudar a sociedade”.

Foi com base em dados com esses, que Mariana e seus três amigos, em agosto do ano passado, estrategicamente no dia 29 – a exatos 650 dias para a Copa de 2014 –, lançaram a campanha na plataforma de crowfunding Catarse. Após um mês à cata do financiamento coletivo, o projeto atingiu 130% da meta, num total de R$ 25.000.  “No início, pensamos no nome provisório ‘Nossa 2014’, que durou só um dia, já que percebemos que a ideia de convidar à imaginação podia ser uma coisa boa, positiva”, revela Mariana.

Com o propósito de ir da intenção à ação, na fan page do Imagina na Copa entrará no ar a convocação “Procura-se um jovem transformador…”. “O mais interessante é envolver os próprios jovens nessa indicação”, afirma. De acordo ela, o critério para a escolha de um jovem transformador é que, além de desenvolver um projeto com impacto social mensurável, a iniciativa seja considerada “única em algum aspecto”, como foi o caso Gabriele Valente Feliz, 28, a primeira jovem apresentada na plataforma.

Gabriele foi escolhida entre os 60 nomes inscritos na primeira campanha. Ela é idealizadora do Liberte seus Sonhos, uma intervenção artística que transformou um espaço degradado da Lapa, bairro histórico e reduto boêmio do Rio de Janeiro, em um convite para as pessoas refletirem sobre aquilo que desejam alcançar.

A próxima história inspiradora, que irá ao ar na quinta-feira, será a de João Henrique Arcala, 22, fundador do Projeto Gaia (Grupo Acadêmico de Iniciativa Ambiental), da Unesp (Universidade Estadual Paulista), grupo que desenvolve projetos técnicos e sociais na área de engenharia ambiental em Sorocaba, São Paulo.

Veja a história de Gabriele Feliz:

Em campo

Para inspirar outros jovens brasileiros a criarem e organizarem seus próprios projetos, os fundadores do Imagina na Copa, irão viajar as 12 cidades-sede – Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Brasília, Cuiabá, Curitiba, Fortaleza, Manaus, Natal, Recife e Salvador – para realizar oficinas presenciais com grupos de 20 a 25 jovens locais.

A primeira delas, ainda piloto, aconteceu em outubro do ano passado, em São Paulo. Chamado de O Encontro dos Sonhos, o evento aconteceu na Casa das Caldeiras, a convite do Geração MudaMundo, da Ashoka, onde foram realizados uma série de exercícios considerados “inspiradores” para despertar a reflexão nos jovens participantes. Durante as atividades, foram colocados na roda de discussão temas como a “construção de uma visão comum”, “como os jovens podem mudar o Brasil” e “como fazer minha parte”.

De acordo com Mariana, a ideia é que esse modelo de oficina seja replicado nos próximos encontros e que também sejam realizadas atividades com temas específicos como financiamento e recursos para a criação de projetos.

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