MÁRCIO FERNANDES/ESTADÃO
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Saúde, Exatas ou Humanas? Conheça as características dos cursos

Variedade de cursos exige pesquisa por informação antes da escolha. Momento de crise força mercado à readequação. Saiba como se comportar.

Gustavo Zucchi, Especial para o Estado

20 Outubro 2017 | 03h00

Administração - Vivência necessária

Administração tem fama de ser uma carreira generalista, pela qual muitos optam por justamente ter um leque de áreas de atuação. Apesar de haver um mercado amplo (afinal, toda empresa, de qualquer natureza, precisa de administradores), o fato de ser um curso com mais opções é uma vantagem, especialmente em empregabilidade.

“Essa questão, de que é um curso mais genérico, pode ser verdade. Ou uma parte pode ser verdade. Geralmente a pessoa tem mais certeza (do que quer) quando entra no curso. Mas, mesmo se estiver indecisa, não será ruim. Se mudar de área, ainda vai conseguir usar muito do que aprendeu”, afirma Guilherme Martins, coordenador de Administração do Insper.

Mais importante do que a certeza do aluno ao escolher a carreira é a qualidade do curso. O grande mercado que pode se abrir ao recém-formado pede interdisciplinaridade. O bom administrador tem de conhecer conceitos gerais, que garantem bagagem para a tomada de decisões à frente de diferentes empresas. “No Insper, o aluno cursa o primeiro semestre junto do ciclo básico de Economia. Também é oferecida a integração com Engenharia. A gente entende que o administrador precisa ter uma visão do mundo integrada”, afirma Martins.

Quem destaca outro ponto importante em um curso de Administração é Gustavo Vilela Forti, aluno da Fundação Getulio Vargas (FGV). Para ele, é preciso ter contato direito com a realidade: “O legal são as possibilidades de crescimento. As entidades, as empresas júnior, tudo o que você puder participar. Muita coisa você pode ver na teoria, mas não vai ser a mesma coisa pôr em prática”.

“Para gerar o diferencial e um tomador de decisão diferenciado, tem de gerar vivência. E aí acho que existe um entendimento errado de vivência em muitos cursos. Não é deixar o aluno fazer estágio a torto e a direito. Formação é assistência, feedback. Ele precisa ter essa experiência dentro da faculdade”, completa Martins, do Insper.

Saiba mais: O conhecimento de tecnologia para o administrador será um diferencial. O mercado de aplicativos e startups precisará de especialistas. A expectativa no futuro, segundo o coordenador do Insper, Guilherme Martins, é que a carreira esteja muito ligada com a área.

Direito - Discussões à vista

Direito sempre foi uma das carreiras mais tradicionais e, em tempos de Lava Jato, ela aparece ainda mais em evidência. O curso que forma advogados, juízes, promotores e muitas outras funções primordiais para a vida em sociedade passa por um momento de mudança. Discussões envolvendo tecnologia, biodireito, direito digital e toda a área envolvendo o combate à corrupção e a prevenção de crimes econômicos estão na ponta de lança dos cursos mais modernos que hoje estão disponíveis no Brasil.

“Sem perder o viés da tradição, a gente acha que o pragmatismo está tomando conta. Eu tenho que preparar o meu aluno para o que está lá fora”, diz o coordenador do curso de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Carlos Eduardo Camillo. “O aluno precisa ter uma formação humanística junto de um conhecimento pragmático. Temos que dar esse diferencial. Esse espírito de inovação me parece fundamental”, afirma Camillo.

Os desafios da profissão extrapolam o ambiente universitário e chegam ao mercado de trabalho – no momento de crise econômica, atingem dois setores importantes para os formados em Direito no Brasil: os concursos públicos e a área relacionada ao Direito Empresarial, que sofre com o menor número de transações. Mesmo assim, o surgimento de novos mercados deve equilibrar a empregabilidade, segundo o coordenador do Mackenzie.

“O Direito sempre tem muito público pelo leque de opções que ele oferece: academia, advogado, concurso. Tem gente que desde pequeno tem aquele sonho em seguir a carreira de Direito. Você não se vê sem caminho depois da faculdade”, diz Tais Jorge, aluna do 5.º período do curso de Direito do Ibmec.

A dica dela para que a faculdade seja aproveitada é justamente expandir os horizontes. “O aluno tem de saber que vai ter muitos desafios. Ele tem de procurar tirar as dúvidas, entrar em projetos, estágios. Aí vai saber o melhor caminho para traçar”, aconselha.

Saiba mais: É um dos mais antigos cursos do Brasil. Surgiu ainda no Império, em 1827, com a criação das faculdades em Olinda (hoje parte da Universidade Federal de Pernambuco) e em São Paulo (a Faculdade do Largo São Francisco, atualmente da Universidade de São Paulo).

Engenharia Civil - Hora de empreender

Na crise, é hora de uma das mais tradicionais carreiras abrir os horizontes para novas oportunidades. A tarefa do engenheiro civil para os próximos anos, então, vai além de ser um dos principais responsáveis por erguer edificações em segurança. O momento que a profissão vive no Brasil exige um olhar mais atencioso para ramos como inovação e empreendedorismo.

Quem explica os rumos que a Engenharia Civil deve tomar após as principais empresas do setor terem sido devastadas pelas denúncias de corrupção (em especial as investigadas na Operação Lava Jato) é o coordenador do curso na FEI, Kurt Amann. Responsável por uma das mais conceituadas graduações do País, ele avisa que quem estiver interessado em seguir a carreira deve avaliar as oportunidades que vão surgir no futuro.

“Se você tem o sonho de construir um prédio, tem de avaliar (se deve fazer Emgenharia Civil). O mercado está em baixa agora, mas existem outras oportunidades”, explica Amann. “O Brasil tem uma necessidade de infraestrutura. Há diversos nichos de mercado e uma dessas perspectivas mais fortes (para a profissão) é o empreendedorismo.”

As oportunidades variadas atraem milhares de alunos todos os anos. Um deles foi Igor Valente Figueiredo. Aos 23 anos, está no 10.º semestre de Engenharia Civil na Universidade Paulista (Unip) e não teme ficar sem emprego após formado. “Muitos pensam que a carreira é apenas canteiro de obra, mas não. O campo da Engenharia abrange tantos projetos que as pessoas nem imaginam. Não temo ficar sem emprego.”

Para encarar o mercado de trabalho, a dica do estudante é aproveitar o que a faculdade proporciona desde o ciclo básico. Mesma linha de raciocínio segue o coordenador da FEI: “O curso se desenvolve além do conhecimento técnico. Ele também dá vazão à criatividade. Assim amplia o horizonte e a possibilidade de pesquisa. O que damos fora de sala de aula é tão importante quando o que damos dentro.”

Saiba mais: A área de Exatas ainda é requisito fundamental para quem quer cursar Engenharia Civil. Matemática e Física são o alicerce técnico da graduação. Mas Química desempenha um fator importante também, ensinando como os vários tipos de material se comportam. 

Psicologia - Com a mente aberta

A Psicologia estuda talvez a mais complicada das áreas. Nada é mais complexo que a mente humana. Logo, é fundamental que o estudante busque um curso de qualidade, que o ensine a reconhecer distúrbios e a saber tratá-los. O conselho vem da coordenadora do Curso de Psicologia da Universidade Metodista de São Paulo, Mariantonia Chippari. Ela explica que o importante não é apenas formar um profissional capaz de diagnosticar possíveis distúrbios e fazer as intervenções necessárias, mas ir além disso. “O curso deve possibilitar a formação crítica do profissional e o desenvolvimento de habilidades e competências que lhe permitam atuar com pessoas e instituições para promover a saúde mental”, afirma a coordenadora do curso da Metodista. 

Essa possibilidade atraiu Helena Maria Costanzi Nader. Aos 43 anos de idade, ela decidiu virar psicóloga justamente após fazer um tratamento. “Tenho grande interesse em saber como a mente funciona, assim como sobre as consequências dessa forma de funcionar, pensar e agir. A saúde mental, acredito, é nosso bem mais precioso.” Hoje, no último semestre no curso de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), ela aconselha o futuro aluno a “manter a mente aberta”: “Acho muito importante ouvir e aprender sobre todas as possibilidades a que tiver acesso, experimentar”, diz Helena.

A coordenadora do curso da Metodista ressalta a importância de entender a atuação na área. “Muitas vezes o interesse das pessoas surge de uma visão equivocada da profissão, da sua atuação e das reais possibilidades de inserção profissional. O aluno deve ser alguém interessado em compreender o comportamento humano, seus processos mentais, suas relações com o meio que o circunda”, diz. “Ser psicólogo é diferente daquilo que as pessoas imaginam. Não se trata de adivinhar pensamentos, mas compreender aquilo que lhe é falado para auxiliar no processo de desenvolvimento do outro”, afirma Mariantonia.

Saiba mais: O curso de Psicologia no Brasil é relativamente recente, se comparado com outras carreiras clássicas: as primeiras formações específicas nessa área datam da década de 1950. A Confederação Brasileira de Psicologia foi estabelecida em 1962.

Ciências Contábeis - Além da matemática

Na crise, quem sabe poupar gastos leva sempre vantagem. O curso de Ciências Contábeis, portanto, forma um dos profissionais mais úteis para o mercado no momento de dificuldade econômica que o Brasil vem passando. O que pode confundir muita gente é que, apesar de ser uma carreira que utiliza muitos números, ela não é de Exatas e sim de Humanas. A pouca intimidade com conceitos mais avançados de Matemática, portanto, não exclui ninguém dessa carreira. 

Quem explica que a importância do cientista contábil vai além dos números é Ronaldo Fróes de Carvalho, pró-reitor de graduação e coordenador do curso de Ciências Contábeis na Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap), Ronaldo Fróes. Segundo ele, claro que não é possível que o candidato tenha uma aversão aos números, mas também não é necessário que seja um “expert” em Matemática.

“A nossa área acaba perdendo muitos alunos por causa disso”, explica Fróes. “O que a gente usa são as quatro operações básicas da Matemática e o conteúdo que vamos aprender ao longo do curso, como Estatística e Contabilidade”, afirma o coordenador do curso da Fecap. 

Mais do que ser um gênio da Matemática, o contador tem um desafio a enfrentar na profissão que está muito mais relacionado a conhecer a legislação e os impostos e também a conciliar as responsabilidades fiscais de uma empresa com os gastos e com o lucro dela. Essa possibilidade cativou Iara Oliveira Marcelino, aluna do 8.º semestre de Ciências Contábeis da Universidade Nove de Julho (Uninove).

“Posso cuidar de uma empresa, como um médico que faz o diagnóstico e cuida de seus pacientes. Eu acredito que um contador é como um médico que cuida da saúde financeira das empresas”, brinca Iara. “O contador sabe como encontrar formas concretas de reduzir gastos e pode ajudar as empresas a enfrentar estes tempos de crise”, diz a estudante da Uninove.

Saiba mais: O curso de Ciências Contábeis depende muito da experimentação em laboratório. É importante que o professor traga para os alunos situações reais e práticas. Em questão de cliques, é possível mostrar em sala de aula o balanço contábil de uma grande empresa

Arquitetura e Urbanismo - Construindo o futuro

Vale a pena entrar em Arquitetura agora? Apesar de o mercado para a carreira ter sido profundamente atingido pelas denúncias de corrupção que envolveram boa parte das empresas de construção civil no País, a perspectiva é que, em um prazo razoável de cinco anos, o setor se recupere. Quem acredita na retomada do crescimento do setor é o coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), Marcos Oliveira Costa. Então é importante se preparar não apenas para enfrentar os desafios que a profissão propõe hoje, mas no futuro.

“Hoje somos 3 bilhões de pessoas vivendo em cidades. Os estudos mostram que daqui a 30 anos seremos mais do que o dobro disso. Imagine como vamos lidar com essa questão? Esse é o desafio do arquiteto e do urbanista”, diz Costa. De acordo com ele, a preparação do aluno que vai encarar essa missão tem de ser multidisciplinar. “Não dá para acreditar que somos especialistas em tudo. Temos de ter um conhecimento transdisciplinar. Conectar o urbanismo à paisagem, à estrutura, às questões sociológicas e econômicas.” 

E o desenho? O que era antes fundamental para quem queria ter sucesso na carreira atualmente tem importância menor. Existem mais de 1.300 softwares que podem ser usados pelos arquitetos para montar seus projetos. Mesmo quem não tem aptidão de artista com o lápis na mão consegue se virar bem.

“Eu consegui superar essa dificuldade muito bem. O curso tem disciplinas voltadas para esse fim, para auxiliar quem não desenha tão bem. E no fim eu me identifico mais com desenho computacional”, conta a aluna de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário Belas Artes, Aline Cristina Rocha. “O que vai estar sempre presente é a expressão artística. E, para isso, é fundamental o aluno ter uma formação cultural muito grande. Isso não pode faltar”, completa o coordenador da FAAP.

Saiba mais: Grande parte das opções de trabalho para o formado em Arquitetura e Urbanismo está relacionada à construção civil. Mas não são as únicas possibilidades. Arquitetos são responsáveis, por exemplo, por cenários de peças de teatro e podem ser designers gráficos.

Enfermagem - Cuidando de gente

Wanda Horta, a enfermeira responsável por introduzir os conceitos de enfermagem hoje utilizados no Brasil, definia a profissão como “gente que cuida de gente”. É essa a primeira característica que, quando questionada, a coordenadora do curso de Enfermagem do Centro Universitário São Camilo, Maria Inês Nunes, aponta como a principal que um aluno que se aventurar na carreira deve ter para ser um enfermeiro de sucesso. “Tem de gostar de gente, cuidar bem. E, para isso, precisa ter um conhecimento técnico e científico. Mas também tem de saber ouvir as pessoas e auxiliá-las”, explica.

Foi essa vontade de cuidar de gente que tirou Thiago Costa, atualmente cursando o 8.º semestre de Enfermagem na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, do ramo da tecnologia. Ele decidiu mudar de área após passar um tempo no hospital acompanhando o avô e ver de perto o trabalho dos enfermeiros. Essa experiência, em contato direto com a realidade, segundo ele, é fundamental.

“Na Santa Casa você tem o laboratório, mas a gente também atua em campo”, conta o estudante. “Eles aconselham fortemente que os alunos do 3.º ou 4.º ano façam um estágio remunerado fora do horário de aula e tenham contato com o mercado de trabalho”, diz.

Maria Inês, coordenadora do curso do São Camilo, também reforça a importância da prática. “Estágio é fundamental. De preferência em diversos campos de estágio, como saúde coletiva, hospitalar, reabilitação. Quando mais o aluno for exposto, melhor”, afirma.

A carreira de enfermeiro deve crescer nos próximos anos devido a um aumento da expectativa de vida da população. “A recomendação da Organização Mundial da Saúde é de um enfermeiro para cada 500 pessoas. No Brasil temos um para cada mil. Com o aumento da idade, vamos ter um crescimento das doenças crônicas não transmissíveis e o governo terá de investir pesadamente”, diz Maria Inês.

Saiba mais: Enquanto o Brasil não investe em enfermeiros de olho no crescimento da população idosa, outros países cuidam da situação. Segundo Maria Inês Nunes, do Centro Universitário São Camilo, países como Canadá e Inglaterra costumam buscar enfermeiros brasileiros.

Pedagogia - Questão de vocação

Com todas as dificuldades que a carreira de professor enfrenta no Brasil, Pedagogia ainda é uma das profissões mais procuradas pelos estudantes. A missão de gerenciar e estudar a Educação e atuar como professor na educação infantil e nos cinco primeiros anos do ensino fundamental atrai, segundo especialistas, tanto pela alta empregabilidade, quanto por uma verdadeira vocação de trabalhar com os alunos.

“Com criança pequena não tem ensino a distância”, explica a coordenadora do curso de Pedagogia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Neide Saisi. “Você vai ensinar os primeiros passos da vida, da ética. A presença do professor é requerida para tudo isso. Há um campo de trabalho muito grande aí fora. Todo ano se aposentam professores e as escolas precisam suprir essa demanda”, explica.

Mas não é pela exigência da presença física do professor que o curso de Pedagogia dispensa os mais recentes avanços tecnológicos. Pelo contrário, fundamental para um bom curso (em qualquer área) é estar atualizado. Hoje os mais modernos currículos do País na área trabalham com novas pesquisas nesse campo. Especialmente para lidar com crianças com necessidades especiais.

“O que me atraiu no curso foi a possibilidade de conhecer a formação do ser humano nas primeiras fases da vida. Ajudar a criança a se entender independentemente de qualquer dificuldade, incapacidade ou deficiência que ela possa ter”, conta Felipe Fernandes da Silva, estudante de Pedagogia da Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU).

“Acredito que grande parte das pessoas que procura o curso tem um motivo ideológico. A remuneração pode não ser uma das melhores coisas, mas é algo extremamente importante, de caráter social”, afirma o aluno, atualmente no 6.º semestre da graduação. “O estudante precisa ter o espírito, gostar de criança e entender que apenas gostar não basta”, completa Neide, coordenadora de Pedagogia na PUC-SP.

Saiba mais: A inclusão é a palavra-chave nos cursos de Pedagogia. Algumas faculdades, como a PUC-SP incluíram o curso de Libras no currículo, com a participação de dois professores em sala de aula: um que ensina a linguagem e outro com deficiência auditiva.

Recursos humanos - Posição estratégica

A visão de muitas empresas do que é realmente importante em seu patrimônio está mudando. No século 21, o diferencial competitivo deixa de ser apenas a estrutura física e passa a incluir o capital intelectual e humano. Para esse novo tabuleiro, são necessários jogadores diferenciados e é aí que entra o crescimento da área de Gestão de Pessoas e Recursos Humanos. O mercado está atrás de profissionais capacitados que consigam potencializar justamente o desempenho do time de colaboradores das companhias, o que leva as empresas a posições cada vez melhores.

“O profissional de Recursos Humanos ocupa uma posição estratégica”, conta a coordenadora do curso de Gestão em Recursos Humanos da Universidade Anhembi Morumbi, Sylvia Ignácio da Costa. “A gente precisa preparar o estudante para compreender esse ambiente macroeconômico, empresarial e do mundo de trabalho globalizado e capacitá-lo para que tenha competências específicas relacionadas a motivação, liderança e cultura, e a ter um clima organizacional favorável, de modo que as pessoas consigam atingir resultados.”

Essa visão do Recursos Humanos faz que, mesmo profissionais que já atuam na área, invistam seu tempo em uma faculdade. É o caso de Gyslem Tamires de Souza, aluna da Faculdade das Américas (FAM). Trabalhando há sete anos com Recursos Humanos, ela decidiu que o passo necessário para crescer na carreira era, justamente, a graduação.

“O curso em Recursos Humanos acrescentou muito à minha vida profissional”, conta a estudante. “Você aprende outras coisas, outros modos de pensar. Você aprende a ser um gestor e não apenas para RH. Você aprende a lidar com pessoas. Então mesmo que você não vá trabalhar com essa área vale muito a pena”, aconselha Gyslem.

E as perspectivas são boas para quem sai da graduação. “O mercado está sim procurando esse profissional diferente e está dando oportunidade”, afirma Sylvia, da Anhembi Morumbi.

Saiba mais: A principal característica para ser um bom profissional de Recursos Humanos é gostar de trabalhar com pessoas. As habilidades acadêmicas são importantes, mas as sociais têm igual peso na carreira. Saber ouvir ajuda a desenvolver o potencial profissional.

Engenharia de produção - Um leque aberto

Que tal uma profissão em que você pode trabalhar praticamente em qualquer empresa? Enquanto muitos campos buscam profissionais cada vez mais especializados, a Engenharia de Produção vai no caminho oposto. O curso visa a ser o mais abrangente possível com um objetivo: ajudar o futuro engenheiro a compreender, projetar e gerir qualquer cadeia de produção, independente do que ela efetivamente produza. Isso abre o leque: é possível associar essa ideia a grande parte dos negócios existentes no mercado.

“Minha definição do engenheiro de produção é aquele que projeta e gerencia sistemas produtivos compostos de hardware, software e humans, ou seja, estrutura, procedimento e pessoas”, explica o coordenador do curso de Engenharia de Produção do Instituto Mauá de Tecnologia, Antonio Cabral. “Isso dá ao curso uma visão sistêmica fantástica”, afirma Cabral.

Assim, engenheiros de produção são contratados nos mais variados tipos de empresa em diferentes funções. O profissional pode ser tanto um gestor no chão da fábrica quanto um administrador em um banco, por exemplo. “Ele se adapta a qualquer coisa que você queira, por isso é uma profissão que cresce tanto”, afirma Cabral.

Essa abrangência atrai tanto quem não sabe exatamente o que quer fazer de graduação na faculdade, quanto pessoas com gostos variados. Esse é o caso de Ronison Costa, futuro engenheiro de produção pela Universidade São Judas Tadeu. “Eu gosto de Exatas, mas tem gente que faz (o curso) sem gostar porque o mercado está bom”, conta. “Eu vi o principal, que é um curso que está entre Engenharia e Economia. Das engenharias, é a mais ampla sem especificar nenhuma”, afirma o estudante da São Judas.

“Se pensarmos que em pouco tempo 30% das profissões que existem hoje vão desaparecer, é bom que você consiga se adaptar a qualquer sistema produtivo, será uma vantagem”, diz o coordenador do Instituto Mauá.

Saiba mais: Como a Engenharia de Produção fornece ao aluno uma visão bastante ampla das cadeias produtivas, quem desejar seguir por um caminho específico poderá fazer cursos complementares, tanto mais voltado para Administração quanto para Engenharia.

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