Rotina de vestibulando

Estudantes que já prestaram e vão prestar o exame dão dicas sobre como enfrentar a maratona de estudos

Bruna Tiussu, Especial para O Estado de S. Paulo

28 Maio 2009 | 19h38

Para conquistar a sonhada vaga na universidade, vale acordar super cedo, recusar noites de festa, abandonar o esporte e fazer promessas. Um sacrifício que vale a pena, garante quem passou no vestibular.   Cláudio Fontão mora no Morumbi, zona sul de São Paulo, e faz cursinho em Higienópolis, região central. Ele dorme todos os dias da semana na casa de um tio, na Vila Madalena, zona oeste, para não desperdiçar o tempo que pode ser gasto nos estudos. "Minha casa é longe e o trânsito ao final do dia é intenso. Se voltasse para lá enfrentaria ônibus lotado, daqueles em que não dá nem para ler."   A faixa etária dos vestibulandos é dos 16 aos 22 anos, época marcada pelas saídas com os amigos, bares e baladas. É preciso abrir mão da diversão no ano do vestibular? Alguns estudantes, como Mariel Marques Rodrigues Alves, acham que sim. "A última balada que fiz foi no carnaval, depois disso, só aniversários. Foi tranquilo deixar de lado a vida noturna, sei que depois que eu passar no vestibular tudo continuará existindo e, aí sim, vou aproveitar muito."   Mariel quer cursar Engenharia Civil e mantém o mesmo ritmo de estudo desde o início do ano: intenso durante a semana e um pouco mais leve aos sábados e domingos. Com as mudanças da Fuvest, passou a dar prioridade a áreas nas quais tem mais dificuldade. "Tive que mudar meu foco de estudos, já que a segunda fase terá questões dissertativas de todas as disciplinas. Agora dou mais atenção às de humanas, as mais difíceis para mim."   Aprovado em primeiro lugar no curso de Medicina da USP/Pinheiros no último vestibular, João Francisco Ferreira de Souza adotava a mesma tática de Mariel. Com facilidade em Exatas, ele se dedicou mais às outras áreas. "Nunca atrasava os estudos de Humanidades, minha maior dificuldade, e das matérias de Biológicas, as mais importantes para quem quer cursar Medicina."   Para João Francisco, o ano do vestibular foi de sacrifícios. Ele deixou de frequentar academia, praticar natação e sair com amigos. "Estudava muito durante a semana, só no domingo descansava um pouco. Sei que tem muita gente que leva o cursinho numa boa, num ritmo mais tranquilo, mas eu era do tipo neurótico."   Muito exercício e treino com base em exames passados são algumas dicas de João Francisco para quem vai prestar vestibular este ano. Como sabia que era impossível dominar todo o conteúdo que poderia ser cobrado, ele treinou a velocidade em realizar provas e a forma de chutar quando não sabia a resposta correta. "Procurava deixar um tempo sobrando para trabalhar as questões que não sabia. Eliminava as respostas que com certeza não eram corretas e fazia uma média das alternativas que já tinha selecionado, para saber qual tinha em menor quantidade."   Luiz Henrique Monteiro também foi aprovado em Medicina na USP/Pinheiros no ano passado, mas, ao contrário de João, continuou saindo com amigos e conciliou estudos e esportes durante a fase de preparação para o vestibular. "Acho importante ter algum momento de descontração e manter a intensidade dos estudos. Se eu acelerasse, poderia me desgastar e não aguentar o ritmo até os exames." Luiz Henrique fez o ensino médio em escola pública e só no cursinho decidiu que carreira seguiria. "Nunca achei que pudesse passar em Medicina, mas percebi que poderia dar certo se me dedicasse bastante. Acho que é isso que os vestibulandos têm que fazer."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.