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Reunião entre governo e alunos de escolas ocupadas no Rio termina sem acordo

- Atualizado: 29 Março 2016 | 20h 35

Os estudantes apresentaram suas reivindicações no encontro e levaram contrapropostas para serem submetidas a assembleias

RIO - Terminou sem acordo a reunião entre comissões de estudantes que ocupam duas escolas no Rio e o secretário estadual de Educação, Antônio Vieira Neto. Os alunos apresentaram suas reivindicações no encontro e levaram contrapropostas para serem submetidas a assembleias que serão realizadas nesta quarta-feira, 30. A Escola Prefeito Mendes de Moraes, na Ilha do Governador, está tomada pelos estudantes desde o dia 21 e a Escola Gomes Freire, na Penha, foi ocupada na segunda.

De acordo com a secretaria, o pedido de reintegração de posse das escolas será retirado assim que o movimento termine. No comunicado, o órgão informou que após o fim da ocupação serão tomadas medidas como “conversar com a direção das duas unidades para que organizem o grêmio estudantil e fortaleçam os conselhos escolares”. Também foi prometido verificar a necessidade de melhorias na infraestrutura das escolas. Os alunos reclamam que elas alagam quando chove.

O Colégio Estadual Gomes Freire também foi ocupado nesta segunda-feira

O Colégio Estadual Gomes Freire também foi ocupado nesta segunda-feira

Cerca de 100 estudantes estão no colégio da Ilha, na zona norte. Eles, que reclamam de cortes na educação, da superlotação das salas e da falta de professores, porteiros, inspetores e vigias, se solidarizam com a greve dos docentes, iniciada no último dia 2, e reivindicam a utilização de toda a infraestrutura da escola nos três turnos, o corte do currículo mínimo (conjunto de competências e habilidades básicas que devem estar contidas nos planos de curso e nas aulas) e o fim do Sistema de Avaliação da Educação do Estado do Rio de Janeiro (Saerj), realizada anualmente.

O colégio tem sala de dança e laboratório de informática, mas, segundo os alunos, nunca foram abertos para eles. Nos fundos da escola, há um amontoado com centenas de livros didáticos, ainda empacotados, que foram molhados porque ficaram ao relento. Também há dezenas de carteiras quebradas.

A secretaria argumentou que há discussão nacional em andamento sobre o currículo escolar, que prevê a elaboração da Base Nacional Comum Curricular, e alegou ter contratado, desde 2007, 71 mil professores concursados.

Ana Clara Alves, de 16 anos, disse que os estudantes participaram de atos do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação em frente à Assembleia Legislativa  e no Largo do Machado. “Depois disso, fizemos algumas assembleias e decidimos que faríamos a ocupação", disse.

O grupo também tem apoio da Associação Nacional dos Estudantes Livre! (Anel), criada como oposição à União Nacional dos Estudantes (UNE), apontada como governista e ligada ao PCdoB. A Anel é formada, majoritariamente, por partidários do PSTU. Os alunos sustentam que a ocupação não tem motivação partidária. “Cada um tem a liberdade para escolher um partido, mas, do portão para dentro, a única política que a gente discute é a educacional”, afirmou Ana Clara.

Os ocupantes dormem em três salas de aula no segundo pavimento, com meninas separadas dos rapazes. A terceira sala é usada pelos estudantes da “ronda de segurança” no período noturno. Os alimentos, colchonetes e produtos de limpeza foram doados por entidades como o Sepe, a ONG Redes da Maré e por estudantes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio).

Os universitários têm dado aulas para os estudantes. Nesta terça, eles tiveram reuniões com acadêmicos de História e Geografia da UFRJ para tratar de geopolítica. “Vamos falar sobre a 2ª Guerra Mundial e relacionar com o discurso de ódio presente hoje na sociedade”, disse a universitária Bruna Aguiar, de 28 anos.

Ex-aluno da escola, hoje estudante de geografia da UFRJ, Matheus Tavares, de 21 anos, disse que colabora com o grupo que promove a ocupação porque na sua época também faltavam professores. “Fico emocionado com o exemplo de autogestão. Eles são organizados e fazem a própria comida.” O cardápio desta terça era arroz, purê e frango empanado.

O Colégio Estadual Gomes Freire, na zona norte, é mantido trancado com cadeado. O grupo só permite a entrada de outros alunos. Ninguém deu entrevista.

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