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Reitores querem trocar reajuste por benefícios

Victor Vieira - O Estado de S. Paulo

10 Julho 2014 | 03h 00

Unicamp e Unesp fazem proposta para encerrar greve e manter salários congelados; USP, que vive crise pior, não se manifesta

SÃO PAULO - Sem reajuste para professores e funcionários, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Universidade Estadual Paulista (Unesp) ofereceram nesta semana melhorias de benefícios e na jornada de trabalho. Os reitores tentam encerrar logo a greve das categorias, mesmo com salários congelados. A Universidade de São Paulo (USP), cuja crise financeira foi a que mais pesou no veto ao aumento, não fez propostas.

O fórum de entidades sindicais reforçou que não discutirá pautas específicas das universidades, o que será feito só depois do fim da negociação salarial conjunta, como ocorreu nos últimos anos. Para professores e funcionários, dividir o debate de propostas fragiliza o movimento. Alunos das três instituições também apoiam a greve, que já dura seis semanas. Os reitores têm pressa de resolver o impasse antes da volta às aulas.

Tentativa. A Unicamp propôs nesta semana, sob condição de término da greve, equiparar os valores do auxílio-refeição dos servidores da instituição com o mesmo benefício recebido pelos funcionários da USP. Também foi proposta a discussão da segunda fase do processo de isonomia salarial com a USP, para solucionar a defasagem de remunerações entre as universidades. O processo começou em 2013 e tem previsão para terminar em 2015. 

Outro anúncio foi o encaminhamento da proposta de redução da jornada dos servidores da área da saúde, de 40 para 30 horas. A mudança, que será discutida em agosto pelo Conselho Universitário, órgão máximo da Unicamp, era uma promessa de campanha do atual reitor, José Tadeu Jorge.

Já a reitoria da Unesp se reuniu anteontem com representantes dos docentes e servidores. A oferta, não aceita pelas categorias, foi de elevar em 41,6% o vale-alimentação, de R$ 600 para R$ 850, também sob condição de encerrar a paralisação. A USP, em situação financeira mais crítica, não fez propostas para melhorar benefícios.

O conselho de reitores manteve, porém, a postura sobre a negociação salarial: será retomada só a partir de setembro, a depender do comportamento da economia. As universidades recebem cota fixa de 9,57% da arrecadação estadual do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Na semana que vem, conselho e sindicatos se reúnem para tratar de outras reivindicações, como a de verbas extras às estaduais. 

Os reitores já pediram mais dinheiro a deputados e ao governador Geraldo Alckmin (PSDB), mas não tiveram êxito. “É evidente a estratégia dos reitores de dividir o movimento”, reclama João Chaves, presidente da Associação de Docentes da Unesp e integrante do fórum das entidades sindicais. “Isso é para empurrar a discussão de reajuste para setembro.”