1. Usuário
Assine o Estadão
assine
  • Comentar
  • A+ A-
  • Imprimir
  • E-mail
Universidade de São Paulo completa 80 anos

Reitor da USP explica plano de demissão voluntária

Segundo Marco Antonio Zago, propostas ainda serão submetidas ao Conselho Universitário antes de serem implementadas

A reitoria da Universidade de São Paulo (USP) divulgou um vídeo em que o reitor da instituição, Marco Antonio Zago, explica as medidas apresentadas a diretores de unidades da USP na semana passada, que incluem um plano de demissão voluntária, repasse de dois hospitais universitários para o Estado, venda de bens da universidade e redução da jornada de trabalho de servidores técnico-administrativos com correspondente redução salarial.

Zago alegou que as medidas são "estruturais" e "saneadoras" e foram propostas para "restabelecer o equilíbrio financeiro da Universidade". Ele explicou que elas serão ainda submetidas ao Conselho Universitário e, se aprovadas, implementadas.

O objetivo das medidas, afirma Zago, é para "reduzir o comprometimento da universidade com a folha de pagamento e demais benefícios". "Esses compromissos são tão grandes que tendem a paralisar a universidade", afirmou ele.

O reitor afirmou que são esses compromissos que impedem a USP de fazer ajustes salariais. "Nossos gastos excessivos de planejamento têm duas causas principais: excesso de servidores técnico-administrativos e benefícios aos servidores muito acima da média dos valores dos docentes e dos servidores das outras duas universidades paulistas, Unesp e Unicamp."

A primeira medida a ser adotada pela reitoria, se o projeto for aprovado no Conselho Universitário, segundo Zago, será um plano de demissão voluntária (PDV). Ele afirma que dará incentivos para incentivar os funcionários a participarem do PDV. "Nesse programa a USP fará um investimento inicial de até R$ 400 milhões e espera obter uma redução da folha de salários e de benefícios da ordem de 6% a 7%."

O reitor afirmou no vídeo que a proposta de redução da jornada dos funcionários com correspondente redução salarial será destinada aos funcionários que quiserem trocar o regime de trabalho de 40 horas semanais para 30 ou 20 horas semanais.

Zago diz também que a proposta de transferência do Hospital Universitário e do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da USP para a Secretaria estadual da Saúde foi feita porque "juntos, os dois hospitais consomem quase 10% de todo o orçamento da universidade". "Há abundante fundamentação técnica para esta medida, que já foi adotada há décadas para os dois maiores hospitais universitários, o Hospital das Clínicas de São Paulo e o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto", conta Zago.

Essa última medida enfrentou a crítica da comunidade acadêmica de que os hospitais perderiam a qualidade se repassados à secretaria de Estado. "A reitoria garantirá que os hospitais mantenham suas características de hospital público, hospital de ensino, de campo de pesquisa para as áreas da saúde e com gestão sob controle das unidades acadêmicas".

Uma terceira medida proposta, segundo Zago, é "alienar bens e imóveis para os quais não há no momento previsão de uso". "Os recursos obtidos com a venda desses terrenos, salas comerciais e escritórios poderão ser empregados em atividades acadêmicas, como a construção ou reforma de salas de aulas, laboratórios e anfiteatros", explica o reitor.

Para o reitor, a adoção dessas medidas proporcionará "um cenário econômico e financeiro mais favorável para a universidade em médio e longo prazos". "Desta forma, mesmo antes de se concretizarem os benefícios poderemos apresentar um plano de recuperação de salários que seja compatível com o novo panorama".

Sintusp. Em assembleia nesta quinta-feira, os funcionários contestaram a proposta da reitoria. Para Magno de Carvalho, diretor do Sindicato dos Funcionários da USP, as medidas vão causar o "sucateamento" da universidade e a demissão de 3 mil funcionários".

Já Claudionor Brandão, outro diretor do Sintusp, afirmou que a transferência dos hospitais "vai prejudicar os trabalhadores e a população". "Devemos convencer ou conscientizar cada trabalhador sobre a importância de permanência do Hospital Universitário na USP. Qualquer outro hospital da Secretaria Estadual da Saúde está em situação muito pior. Vinculá-lo à secretaria é sucateá-lo", afirmou durante a assembleia. 

 

Universidade de São Paulo completa 80 anos