Jonne Roriz/AE-10/8/2007
Jonne Roriz/AE-10/8/2007

Reitor da USP ataca 'caça às bruxas' e Faculdade de Direito reage

Ex-diretor da São Francisco, reitor diz que paralisação de projetos 'contraria lei e moralidade'

Carlos Lordelo, Estadão.edu

26 Setembro 2011 | 18h12

A reitoria da USP dedicou uma edição especial do boletim da Assessoria de Imprensa para criticar a direção da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, acusada de não dar andamento a projetos da gestão passada - quando a unidade era comandada pelo hoje reitor João Grandino Rodas. Segundo o texto, a atual gestão “descontinuou projetos” da administração anterior, o que implica “desperdício do dinheiro público, contraria a lei e a moralidade administrativa”. O atual diretor, Antonio Magalhães Gomes Filho, afirmou ao Estadão.edu que o boletim “foi uma agressão muito rude”.

 

Divulgado na terça-feira, 20, o comunicado – cujo objetivo “não é polemizar, mas sim evitar a desinformação” – fala das iniciativas de Rodas para ampliar a área da São Francisco. De acordo com o texto, a unidade passou a ter “um verdadeiro câmpus universitário” no centro da capital, entre 2006 e 2009.

 

“O aumento em 7.198 metros quadrados da área à disposição da faculdade possibilitaria abrigar, de maneira mais segura e cômoda, seus 3.500 alunos, funcionários técnico-administrativos, professores, além das inúmeras pessoas que utilizavam suas bibliotecas.”

 

O texto afirma que a faculdade "sente a perda de dois anos e compreendeu a involução e a situação precária de sua infraestrutura”. A reitoria diz que “a atual direção, enfrentando grande turbulência interna, não deu sequência aos projetos”. “Tudo seria diferente se, ao invés da teoria da terra arrasada e da confrontação, tivesse havido diálogo e compreensão”, destaca o boletim, para depois afirmar: “Não se credita a presente situação ao atual diretor. Quem pode realizar, em um cenário de ‘caças às bruxas’, em que grupos dominam e a maioria de omite comodamente?”

 

Reação

 

O atual diretor da São Francisco, no entanto, sentiu-se pessoalmente atacado. “Ele (o reitor) diz que não dei continuidade aos projetos dele. Você sabe que não é possível dar. Eram mirabolantes, deu todo aquele rolo”, disse Magalhães.

 

O diretor referiu-se a iniciativas de Rodas quando estava à frente da Faculdade de Direito que não foram bem recebidas por alunos e professores. Entre elas, a captação de doações milionárias que exigiam como contrapartida o batismo de salas de aula com os nomes dos doadores e a transferência de parte do acervo da biblioteca para um prédio anexo, sem infraestrutura.

 

De acordo com Magalhães, Rodas já havia “ameaçado” a São Francisco no dia em que deixou a direção para assumir a reitoria. “Ele disse que se a faculdade não seguisse o projeto de modernização dele, outras unidades seguiriam.”

 

Para o diretor, o comunicado da reitoria é um desdobramento das reclamações do professor Rodas contra o Clube das Arcadas, empreendimento do Centro Acadêmico XI de Agosto que será instalado no Parque do Ibirapuera. “Ele emendou uma coisa na outra.”

 

Magalhães disse que na quinta-feira vai apresentar sua defesa à Congregação da São Francisco – instância máxima da faculdade. “Vou mostrar que as acusações da reitoria não têm cabimento.”

 

O XI de Agosto também deve se manifestar formalmente contra o boletim. Segundo a diretora do C.A., Maia Aguilera Franklin de Matos, aluna do 4.º ano de Direito, o comunicado foi “mais um episódio do confronto com a faculdade”. “Isso porque há divergências sobre como implementar o projeto de modernização que Rodas quer.” Os estudantes vão escrever uma carta rebatendo ponto a ponto as acusações feitas pela reitoria e solicitar à universidade que envie o documento para os mesmos e-mails para os quais foram encaminhados o USP Destaques.

 

USP Destaques

 

A reitoria promete veicular outras edições especiais do boletim USP Destaques, “que terão como público-alvo certos segmentos da universidade”. Os números extras servirão para “garantir a agilidade das informações e dinamismo” dos comunicados. As futuras publicações vão tratar de “temas específicos de algumas áreas”.

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