Reimpressão do Enem custará 30% da licitação, diz ministro

Em entrevista coletiva, Fernando Haddad agradece à reportagem do 'Estado', que denunciou vazamento da prova

estadao.com.br,

01 Outubro 2009 | 12h44

O ministro da Educação, Fernando Haddad, disse nesta quinta-feira, 1,  em entrevista coletiva que o custo da reimpressão da prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), cancelada após reportagem de Renata Cafardo e Sérgio Pompeu, de O Estado De S. Paulo, deve ficar em torno de 30% dos ' cento e poucos milhões de reais' gastos com a prova. De acordo com a planilha de custos da licitação do Enem 2009, disponível no site do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o custo total da realização do exame é de R$ 148 milhões.

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"A impressão gira em torno 30% do valor do contrato", disse Haddad. "Dos custos do Enem, a menor parte, é a impressão da prova. A maior parte é locação de locais do exame".

O ministro ainda afirmou que uma nova prova deve ser aplicada em novembro. Uma reunião com o consórcio vencedor da licitação, liderado pelo o grupo baiano Consultec, deve ser feita ainda na tarde de hoje. A consultoria jurídica do Inep vai analisar se há a necessidade de uma contratação emergencial. A Consultec foi o único consórcio que se apresentou para organizar a prova.  Segundo o ministro, quem contrata a gráfica é o vencedor da licitação.

De acordo com o presidente do Inep, Reynaldo Fernandes,  a Consultec não sabe ainda onde o problema ocorreu. 'Nenhum sistema de segurança é infalível", disse.

Haddad falou ainda que a preocupação do ministério agora é organizar a nova prova e investigar o vazamento. De acordo com o ministro, o adiamento não causará prejuízo a quem usará o Enem em processos seletivos de universidades e para requisição de bolsas do Prouni.  "Entramos em contato com alguns reitores. Tínhamos uma folga no calendário que vai ser usado para que o adiamento não atrapalhe os resultados", afirmou.

Investigação

A Polícia Federal investigará o vazamento  da prova. Segundo Haddad, as pessoas que tentaram vender a prova à reportagem do Estado não tinham preocupação em se expor, o que deve facilitar as investigações. 

"O jornal, com a experiência que tem,  imagino que deva ter se cercado de providências. O apelo que eu fiz ao diretor de Redação, Ricardo Gandour, é que colocasse em pauta na redação a necessidade de chegar a essas pessoas", disse o ministro, que aproveitou para agradecer a postura do Estado no caso. "Quero registrar aqui agradecimento ao jornal por uma postura de enorme responsabilidade em um assunto de interesse público.

A denúncia

A decisão de cancelar a prova foi tomada por Haddad após ter sido alertado pela reportagem de O Estado de S. Paulo sobre a quebra do sigilo do exame. "Há fortes indícios de que houve vazamento, 99% de chance", afirmou o presidente do Inep por volta da 1h, por telefone.

Na tarde de quarta-feira, 30, o jornal foi procurado por um homem que disse, ao telefone, ter as duas provas que seriam aplicadas no sábado e no domingo. Propôs entregá-las à reportagem em troca de R$ 500 mil. "Isto aqui é muito sério, derruba o ministério", afirmou o homem.

O Estado consultou rapidamente o material, para checar sua veracidade, sem se comprometer com a compra. Haddad, que diz nunca ter tido acesso ao conteúdo da prova, confirmou o vazamento ao consultar técnicos do Inep, órgão do ministério responsável pelo Enem. A comprovação da fraude se baseou em elementos repassados ao ministro pela reportagem, via telefone e e-mail. As questões originais estavam guardadas em um cofre, que foi aberto ontem à noite para confirmar a informação.

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