Acervo pessoal
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Refugiado sírio de 22 anos aprende português e conquista vaga em faculdade pública

Apaixonado pela comida brasileira, Emmanuel Ouba estudará Veterinária em Muzambinho, sul de Minas Gerais

Leonardo Augusto, Especial para o Estado

15 Fevereiro 2017 | 15h00

BELO HORIZONTE - Um jovem sírio começa a realizar em Muzambinho, cidade do Sul de Minas a 420 quilômetros de Belo Horizonte, o sonho de virar veterinário. Com seu país mergulhado na guerra civil, Emmanuel Ouba, de 22 anos, veio para o Brasil, morou em São Paulo e há seis meses, depois de aprender português, passou no vestibular e se matriculou no curso no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas - campus Muzambinho.

Nascido em Damasco, capital da Síria, Emmanuel tentou fazer o curso em Daraa, sudoeste do país. "Minhas condições financeiras e situação local, no entanto, não permitiram", afirma o estudante. Na escola de Muzambinho conseguiu uma ajuda de custo, com a qual sobrevive na cidade. Para conseguir o benefício, teve de passar por processo seletivo.

Apesar de ter nascido em Damasco, Emmanuel foi registrado em Zahlé, no Líbano. "É uma tradição de família. Lá em casa todo mundo é assim. O estudante chegou ao Brasil há um ano e seis meses. Antes de começar os estudos em Muzambinho, e enquanto estudava português morando em São Paulo, deu aulas de inglês e fez serviços temporários no setor de farmácia do Hospital das Clínicas. O estudante chegou ao Brasil com visto de turista, mas, por conta do momento vivido por seu país, conseguiu o status de refugiado.

O aluno do curso de veterinária deixou os pais, que são artesãos, e um irmão em Damasco. Emmanuel evita fazer comentários sobre a guerra civil na Síria. "Tenho medo de que alguma coisa possa acontecer com a minha família", diz. Afirma que, atualmente, seus parentes estão em seguros no seu país.

O Brasil não foi a primeira escolha de Emmanuel para fazer o curso de veterinária. "Pensei em ir para algum país de língua inglesa, que já dominava. Mas vim pra cá e gostei", diz. O aluno afirma, agora, que pretende ficar no Brasil. "Quero trabalhar em alguma grande cidade", afirma. "A vontade é voltar para São Paulo, mas vamos ver o que vai acontecer".

Emmanuel mora sozinho em Muzambinho. Afirma não sair muito de casa, apesar de ter feito vários amigos. "Passeio mais aos fins de semana. Nos outros dias, estudo. Preciso também aprender mais o português, por causa da faculdade. A barreira da língua atrapalha. São muitos termos técnicos na escola".

No Brasil o que mais gosta é da comida. "Aqui tem muita carne. Gosto de todas. Boi, porco, frango. No meu país a gente come carne também, mas não igual aqui, todos os dias. Lá tem mais é legumes, grão de bico. Emmanuel, que era católico na Síria, passou a frequentar igreja evangélica em São Paulo. "Me senti bem", diz. 

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