Reforma do ensino médio deve mudar Enem

Ex-presidente do Inep, José Francisco Soares avalia que prova precisa ser calibrada; colégios apoiam alterações

Isabela Palhares e Paula Felix, O Estado de S. Paulo

06 Novembro 2016 | 03h00

Principal forma de acesso ao ensino superior do País, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deve passar nos próximos anos por uma transformação como reflexo da reforma do ensino médio proposta pelo governo Michel Temer. Para José Francisco Soares, ex-presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), as mudanças são necessárias porque a prova se tornou grande demais.

Para ele, o Enem já dita o que é ensinado no ensino médio, o que distancia a educação básica de sua função de preparar os alunos para a vida. “O exame tem de ser consequência do ensino médio e não sua finalidade. Tudo que se ensina tem de ser cobrado, mas temos de calibrar o exame e pensar: o que eu quero, o que queremos avaliar com o conhecimento cobrado na prova?”

Reynaldo Fernandes, que presidiu o Inep de 2005 a 2009, considera que a prova ter várias funções não é um problema, mas defende que o exame deveria ser aplicado mais de uma vez ao ano. “A ideia é ser uma prova que avalia o aluno ao fim do ensino médio e é natural, e acontece em outros países, que as universidades o utilizem para selecionar os melhores alunos.”

 

 

Escolas. Para diretores de colégios particulares de São Paulo, as possíveis mudanças podem ser positivas e seguem tendência de outros países. “Mesmo o vestibular tradicional tenderá a se adaptar gradativamente aos novos parâmetros. É uma tendência mundial. Há muitos anos que os outros países não trabalham com ‘caixinhas’ fixas, com aumento de conteúdo”, afirma Mauro de Salles Aguiar, diretor-presidente do Colégio Bandeirantes.

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