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Alex Silva/Estadão

Rede estadual de SP terá eleição para grêmio estudantil neste ano

Escolha terá voto direto e secreto; anúncio foi feito pelo secretário da Educação, José Renato Nalini, no dia da volta às aulas

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Felipe Resk e Isabela Palhares,
O Estado S. Paulo

15 Fevereiro 2016 | 12h39

SÃO PAULO - A gestão Geraldo Alckmin (PSDB) vai realizar eleição conjunta para definir grêmios estudantis em todas as escolas estaduais neste ano. O anúncio foi feito pelo secretário da Educação, José Renato Nalini, nesta segunda-feira, 15, dia da volta às aulas no Estado. De acordo com o secretário, que assumiu a pasta após a crise provocada pela proposta de reorganização da rede de ensino, que previa o fechamento de 93 escolas e a transformação de 754 unidades em ciclos únicos, as agremiações vão servir para aproximar os alunos do ambiente escolar.

"Como esse é o ano do diálogo, da voz e da vez do aluno, nós vamos fazer uma eleição conjunta para todos os grêmios estudantis. Se possível, com urna eletrônica, porque os alunos devem se familiarizar com o processo eleitoral", afirmou Nalini em coletiva em uma escola da zona sul da capital, na manhã desta segunda-feira.

A eleição terá voto direto e secreto e será realizada até nas unidades em que já existe grêmio em atividade.

Segundo números da pasta, das 5 mil escolas estaduais, cerca de 30% (1,5 mil) não possuem agremiações. O grêmio eleito terá mandato de um ano e deverá ser composto apenas por alunos matriculados na unidade. Os cargos deverão ser escolhidos pelos membros da chapa.

"O grêmio tem de ser parceiro da diretoria, atuar na gestão da administração da escola e influenciar até a aplicação da verba destinada à escola, elegendo prioridades", disse Nalini.

Os alunos poderão elaborar propostas, sugerir atividades e participar da organização do calendário escolar. "O aluno, entendendo como é que o Estado está enfrentando essa situação de crise, será um parceiro. Ele nos ajudará a aplicar melhor o dinheiro do povo", afirmou o secretário.

Transferência. Apesar da promessa de diálogo, na escola Fernão Dias Paes, em Pinheiros, a primeira da capital a ser ocupada durante as manifestações estudantis, alguns alunos ficaram insatisfeitos ao descobrir que haviam sido transferidos de período sem serem consultados.

Camila Rodrigues de Souza, de 15 anos, repetiu o 1.º ano do ensino médio no ano passado e esperava continuar estudando de manhã. “Cheguei às 7 horas para a aula e não encontrei meu nome na lista. Procurei a coordenação e me disseram que fui transferida para o noturno.” Ela disse estar preocupada, pois vai a pé para a escola e terá de voltar sozinha para casa. 

Vanessa Cristina de Franca, de 17 anos, foi para o 3.º ano do ensino médio e também foi transferida para o noturno. “Fiquei surpresa porque não me consultaram. Eu trabalho no período da tarde e, se tiver que estudar à noite, vou chegar atrasada todos os dias”, disse. 

A mãe de Vanessa foi até a escola ontem e conseguiu que a filha voltasse a estudar de manhã. “Eu consegui resolver meu problema, mas e os outros alunos que também foram transferidos? Muita gente mora longe e vai ter que voltar de ônibus a noite”, disse Vanessa. À noite, a pasta informou que os alunos já foram transferidos novamente para o período da manhã, mas não informou por qual motivo eles tiveram o turno alterado sem consulta prévia.

Corte. Nalini também afirmou que a Secretaria da Educação vai renegociar contratos de custeio para economizar até R$ 1,5 bilhão neste ano. "Temos de economizar em material, em limpeza, em reforma", disse o secretário. "Se houve uma época de bonança, em que todas as empresas parceiras da secretaria puderam fazer seus reajustes de acordo com suas pretensões e a secretaria honrou os seus contratos, agora é a vez de a secretaria mostrar que a situação do Brasil é terrível, é dramática, é trágica."  

"Nós vamos conversar com os fornecedores e verificar se podemos fazer mais com menos e se vai haver um período em que os nossos contratos poderão continuar a funcionar com a mesma qualidade, sem reajuste ou até com redução de preço", disse. Ainda segundo Nalini, o corte pode ser menor caso a arrecadação do Estado aumente.

Em janeiro, Alckmin já havia publicado um decreto em que determina que os órgãos das administrações direta e indireta renegociem todos os contratos com custo maior do que R$ 750 mil e congela a contratação de imóveis novos para abrigar prédios públicos e veículos para deslocamento de funcionários. No decreto, o governo estabelece um corte mínimo, de 15%, no valor desses contratos.

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