Rafael Arbex / ESTADÃO
Rafael Arbex / ESTADÃO

Questões sobre meio ambiente marcam 1.ª fase da Fuvest

Saída de Trump do Acordo de Paris foi um dos temas cobrados; em Língua Portuguesa, três questões abordaram livro que estreou neste ano na lista de obras obrigatórias

Isabela Palhares, O Estado de S.Paulo

26 Novembro 2017 | 23h26

A prova da primeira fase da Fuvest, aplicada neste domingo, 26, abordou problemas ambientais e deu destaque para o livro Minha Vida de Menina, estreante na lista de obras obrigatórias do vestibular da Universidade de São Paulo (USP). Segundo coordenadores de cursinhos, a prova manteve seu estilo e o elevado grau de exigência de conhecimento dos conteúdos. Matemática foi eleita como a disciplina que exigiu mais domínio dos conceitos pelos candidatos. 

Em Geografia, a prova tratou de assuntos como o plástico descartado inadequadamente nos oceanos, a decisão do presidente americano Donald Trump de abandonar o Acordo de Paris – esforço internacional de combate às mudanças climáticas –, a revolução verde, após as transformações ocorridas na agricultura, e o papel do Parque Indígena do Xingu para conter o desmatamento na região. 

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“A prova manteve um padrão parecido com o de anos anteriores, mas foi muito contextualizada em algumas disciplinas, como Geografia, Química e Física”, diz Célio Tasinafo, coordenador do cursinho Oficina do Estudante. Gilberto Alvarez, diretor do cursinho da Poli, comenta que o exame teve questões diretas e que exigiam domínio do conteúdo, sem margem para serem resolvidas com interpretação de texto.

“Em Língua Portuguesa, a prova focou muito em literatura. Três questões abordaram a nova obra, Minha Vida de Menina (de Helena Morley), sendo uma delas a que considero a mais difícil da disciplina, que exigia do candidato fazer uma relação com Memórias Póstumas de Brás Cubas (de Machado de Assis). Isso reforça que não adianta o aluno apenas ler os livros – é preciso entender o contexto econômico e social deles”, afirma Alvarez.

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A prova abordou oito dos nove livros da lista obrigatória. Apenas Iracema, de José de Alencar, não apareceu nas questões da primeira fase da prova. 

Em História, os professores destacaram as questões que abordaram a ditadura no Chile e a colonização no Peru e a ausência de perguntas sobre a história recente brasileira. “A parte de História estava entre as mais difíceis da prova. Exigia uma bagagem cultural, política e de conteúdo escolar do aluno. Uma pena que só duas questões abordaram a história brasileira”, disse a coordenadora do Objetivo, Vera Lúcia da Costa 

Exatas

Segundo os professores, a prova de Matemática chamou atenção pela alta complexidade das questões e por uma mudança no tipo de conteúdo cobrado, com 30% das perguntas abordando funções e nenhuma sobre geometria analítica ou espacial – que sempre caem na primeira fase da Fuvest.

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“Algumas questões exigiram um raciocínio refinado do aluno. Entre as mais difíceis estava uma pergunta que misturava análise combinatória e geometria”, pontua Moisés Rodrigues da Silva, professor de Matemática do Cursinho da Poli. 

Vinicius Haidar, coordenador do cursinho Poliedro, destaca que a edição deste ano modificou a distribuição dos conteúdos cobrados em Exatas, mas o estilo da prova foi mantido. “A Fuvest é muito específica. Se o aluno não sabe o conteúdo, não consegue resolver. Não foi uma prova surpreendente, mas muito coerente. Vai selecionar muito bem aqueles que realmente estudaram”, afirma Haidar. 

Em Biologia, os professores destacaram os enunciados mais curtos e diretos, sem muita contextualização do conteúdo que era exigido do candidato. Genética foi um dos temas fortes da disciplina.

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