José Patrocínio/Estadão
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Quatro chapas disputarão a reitoria da USP

As eleições serão realizadas no dia 30 de outubro e o mandato vai de 2018 a 2021; os candidatos são Vahan Agopyan, da Poli, Ildo Sauer do IEE e Ricardo Terra e Maria Arminda Nascimento Arruda, ambos da FFLCH

Luiz Fernando Toledo e Victor Vieira, O Estado de S.Paulo

26 Setembro 2017 | 03h00

Quatro chapas vão disputar a reitoria da Universidade de São Paulo (USP), maior instituição de ensino superior do País, para o mandato entre o ano que vem e 2022. As eleições serão realizadas em 30 de outubro. 

A atual gestão, com o médico Marco Antonio Zago à frente, foi marcada por medidas de austeridade, como corte de gastos de obras e congelamento de contratações, e mudanças no processo seletivo, como a adoção de cotas sociais e raciais a partir do próximo ano.

O candidato da situação é o engenheiro Vahan Agopyan, da Escola Politécnica, atual vice-reitor. Uma das principais promessas é aproximar a USP da população. "Os trabalhos acadêmicos podem atender a problemas sociais. Temos grupos de pesquisa interdisciplinares, que podem sugerir mais políticas públicas", disse ao Estado.  Ele também defende diversificar as fontes de recursos da universidade, com mais aproximação com entidades públicas e privadas. O candidato a vice é Antônio Carlos Fernandes, do Instituto de Física de São Carlos, atual pró-reitor de Graduação.  

A socióloga Maria Arminda Nascimento Arruda, diretora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), é uma das candidatas da oposição. Apoiadora da chapa de Zago há quatro anos, foi pró-reitora de Cultura e Extensão na atual gestão até 2016. Saiu do cargo após divergências com a reitoria. 

"Não é uma crise de financiamento que deve construir a direção acadêmica da USP. Temos de buscar soluções internas", disse Maria Arminda ao Estado. "Considero fundamental repensar não só a graduação, como a pós." Para ela, é importante pensar em currículos flexíveis e mais interdisciplinares. Também promete apostar em diálogo e "descentralizar a universidade, com diálogo franco". Seu companheiro de chapa é Paulo Casella, da Faculdade de Direito. 

Outro candidato é Ildo Luís Sauer, vice-diretor do Instituto de Energia e Ambiente. Ele defendeu ao Estado buscar mais fontes de financiamento e racionalizar gastos. "Apesar de a USP ter um poder de compra enorme, muitas vrzes compra coisa de qualidade inferior a preços mais elevados por causa de um processo burocrático. Precisamos melhorar isso", afirmou.. Diretor da Petrobrás entre 2003 e 2007, ele disse ter sido demitido por discordar do que acontecia na estatal e ressaltou que não se envolveu com irregularidades. Seu candidato é Tércio Ambrizzi, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas. 

O filósofo e professor de Teoria das Ciências Humanas Ricardo Terra, da FFLCH, também concorre. No programa de gestão, destaca ainda "uma pesada estrutura de funcionários em excesso e processos obsoletos para os quais os mecanismos de decisão colegiada não são suficientes". Segundo ele, a crise financeira da USP se deve ao "descalabro de gastos que ocorreu a partir de 2010" na instituição. O Estado não conseguiu contato com ele. Seu candidato a vice é Albérico Borges Ferreira, do Instituto de Química de São Carlos. 

Em 23 de outubro, haverá uma consulta à comunidade acadêmica, sem caráter deliberativo. Uma assembleia, formada por maioria de professores titulares, elege uma lista tríplice de candidatos e ao governador cabe a palavra final. Geralmente, o Executivo escolhe o mais votado dos três. 

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