Quando o fim é o começo

Quando o fim é o começo

Cursos de MBA dão certificado de conclusão a alunos com ideias inovadoras para os negócios

Cedê Silva, Especial para o Estadão.edu

29 Novembro 2011 | 00h55

Fazer um MBA pode trazer resultados muito práticos, e não só para a carreira. O trabalho de conclusão pode alterar o gramado de um estádio  tradicional, inaugurar uma linha de exportação, eliminar os escritórios da empresa ou até criar uma nova escola de negócios.

 

Tome-se a história de Raphael Biazzetto, de 34 anos, diretor de formação de atletas e negócios do Atlético Paranaense. Concluiu em junho seu MBA em gestão e  marketing de entidades esportivas pela Anhembi Morumbi, e seu projeto era colocar grama sintética na Arena da Baixada, em Curitiba. Com a reforma para a Copa  do Mundo, o estádio ficaria ainda mais atraente para eventos. “É mais resistente e de manutenção mais barata”, afirma Raphael. Durante o curso, ele visitou  as instalações do Real Madrid e constatou que a maior parte dos campos de treinamento é de grama sintética. “E dá menos lesão, já que é lisa, sem buracos”,  diz. A ideia ainda não foi implantada pelo clube, mas foi apresentada à diretoria e teve “boa aceitação”, segundo a assessoria. Dois colegas de Raphael no  MBA hoje trabalham no Atlético, o que mostra também a força do networking.

 

Formada em Letras, a gerente de negócios internacionais da Golden Distribuidora, Aderlene Lopes, de 47 anos, trabalhava na área há 20 sem formação  específica. Sua empresa já produzia bobinas e mídias (como CDs) com marca própria, e ela achava que era a hora de achar um mercado novo, como a Europa. Mas  debates com os colegas e professores na escola de negócios da FGV a convenceram de que, pela proximidade e pela situação da economia, a Argentina era mais  promissora. As bobinas já estão nas prateleiras do país vizinho e ela aguarda agora os resultados das vendas. “Quem resolve estudar está empreendendo e vai  crescer”, garante. “Minha meta agora é fazer todo ano um ou dois cursos de Comércio Exterior, para me reciclar.”

 

O projeto de MBA de Heitor Mello Peixoto, de 45 anos, foi uma escola de MBAs. Ele estudou na Escola de Lausanne, na Suíça, e apresentou em 1994 o “Business  School São Paulo Project”. Hoje a BSP tem quatro endereços na cidade. “Na época, quase ninguém no Brasil tinha ouvido falar de MBA, e passávamos pelos  efeitos da abertura econômica promovida por Collor”, lembra Heitor. Ele alistou como sócios dois colegas mais novos, que cursavam a graduação. Quando voltou  à Europa, para a apresentação do trabalho em banca, já tinha iniciado o projeto, com dinheiro captado com parentes.

 

Quando foi estudar na Dom Cabral, o diretor de vendas da Goodyear Luis Garcia, de 39 anos, tinha a ideia de aproximar os vendedores dos clientes. A  empresa tinha sete escritórios regionais. O projeto do MBA foi fechar todos e substituí-los por dez escritórios virtuais. “Agora o gerente fica mais tempo em  campo, com revendedores, e pode conhecer melhor os clientes”, explica. “A cultura da empresa também se fortaleceu”, afirma Luis, “porque, se antes o gerente  vinha ao escritório central uma vez a cada três meses, agora vem todo mês. O importante para um projeto é as pessoas se engajarem, tem de ter significado para elas.”

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