Quadrilhas usam foguetes e aeromodelos nas colas

Consultor de vestibulares e concursos diz que fraudadores procuram sempre sofisticar métodos de atuação

EVANDRO FADEL,

27 Outubro 2009 | 01h40

Na opinião do consultor Dartagnan Emerenciano, a falta de leis mais rigorosas incentiva gangues que tentam fraudar vestibulares. Emerenciano é mentor do sistema de segurança da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e falou ao Estadão.Edu.   Quais são as tentativas de fraudes mais comuns em exames vestibulares? Colas em banheiro, em que um candidato resolve as questões e depois vai ao toalete para deixar o gabarito para outro pegar. Chegam a preparar a cola em papel pequeno e com uso de fita adesiva transparente. Prendem com fio de náilon e puxam a descarga do vaso. Depois, o candidato que vai receber a cola, com um clipe ou pedaço de arame, entra no banheiro e puxa a cola do vaso. O antídoto é o revezamento e controle do uso de banheiros. A tentativa de colar do vizinho também é comum. Por isso é que recomendamos divisão das turmas por sala de forma aleatória, sem agrupamentos por opção de curso etc. Também existem equipes de profissionais especializados e com conhecimento profundo das disciplinas que se inscrevem para resolver parte da prova e saem com o gabarito. Depois, via celular ou rádio, tentam passar torpedos (SMS) para candidatos envolvidos no esquema. Tentam também via pager. Os candidatos levam os aparelhos colados ao corpo ou em relógios. Já utilizaram transmissores e receptores de aeromodelismo para transmitir gabaritos em forma codificada. Os antídotos são os varredores de espectro, detectores de metais e não permitir o uso de relógios ou qualquer objeto que não seja necessário para a resolução das questões. Também é recomendável não permitir a saída dos candidatos em tempo muito curto depois do início das provas. Deve-se deixar os estudantes nas salas o maior tempo possível para evitar que fraudadores tenham tempo para executar seus esquemas ilegais.   Os fraudadores têm sofisticado seus métodos de atuação? Os fraudadores procuram sempre sofisticar equipamentos e métodos. São vários esquemas de ação, alguns muito criativos. Já presenciamos tentativa de passar os gabaritos com o uso de foguetes, de sistemas de som em carros de propaganda, de vendedores ambulantes gritando ofertas de frutas, balas e outros objetos com códigos especiais. Os celulares são os mais utilizados, porque podem ser desmontados e colocados em solas de sapatos, tênis, tamancos, colados no corpo, etc. Para esses casos, os detectores de metais e o treinamento dos fiscais para o rastreio corporal completo são fundamentais. Normalmente, os criminosos atuam em quadrilhas, em equipes articuladas para que ao final uma pessoa tenha os gabaritos para propagar aos candidatos que estejam envolvidos.   Os órgãos repressores andam na mesma velocidade? Não, acham que são problemas da sociedade. Ou seja, eles esperam acontecer e, se for identificada a tentativa de fraude, tomam as devidas providências legais. O grande problema é que não temos uma lei que permita punir os fraudadores e os envolvidos na tentativa das fraudes.   Qual a melhor forma de evitar que um fato como esse ocorra? A melhor forma é elaborar cuidadosamente um esquema rigoroso de segurança para todas as etapas do processo. Métodos que envolvam inibição do uso de equipamentos por parte das pessoas envolvidas na impressão e editoração das provas. Por exemplo, verificar canetas, relógios, óculos, botões, etc. Esses objetos podem conter microcâmeras que permitem filmar e fotografar as folhas das provas com altíssima qualidade. Também o cuidado de limpeza na gráfica, rolos impressores, material utilizado na impressão e resíduos variados, que devem ser triturados e incinerados imediatamente. Também preocupa bastante a distribuição das provas.

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