Polícia Civil
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Quadrilha que planejava fraudar Enem 2017 é presa em GO e no DF

Seis pessoas foram detidas; entre os investigados está um ex-funcionário do Centro de Promoção e Seleção de Eventos

Marília Assunção, especial para o Estado

30 Outubro 2017 | 18h44

GOIÂNIA - Uma operação conjunta das Polícias Civis de Goiás e do Distrito Federal desarticulou uma quadrilha que fraudou o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2016 e estava com tudo pronto para fraudar novamente a prova, que se inicia no domingo, 5, em todo o País. Ao todo, são oito mandados de prisão, dos quais sete foram cumpridos nesta segunda-feira, 30, tendo havido três detenções em Goiás e três em Brasília - um mandado foi expedido contra uma pessoa que já estava presa.  Um suspeito segue foragido.

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As investigações ainda não estavam concluídas, mas Operação Porta Fechada foi deflagrada para evitar o sucesso da quadrilha no Enem deste ano. "Antecipamos a operação para resguardar a lisura do certame", afirmou o delegado Rômulo Figueiredo Matos, da Delegacia de Repressão a Crimes contra a Administração Pública (Derccap), e que comanda a operação em Goiás.

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Nas palavras dele, o volume de dinheiro movimentado pela quadrilha "é assustador". A investigação identificou valores na casa de € 35 milhões em 2016, registrados em papéis localizados por exemplo na residência de um dos líderes, um médico que foi preso em Goiás durante a operação.

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Entre os investigados está um ex-funcionário do Centro de Promoção e Seleção de Eventos (Cesp), atual Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe), em Brasília.

Vídeo divulgado pela Polícia Civil de Goiás mostra o ex-servidor, preso nesta segunda, transitando dentro do Cespe com envelopes que conteriam cartões nominais de candidatos preenchido com as respostas obtidas a partir do original do gabaritos de concursos preparados pelo Cespe. O servidor acessava o cofre da instituição, retirando e devolvendo envelopes antes da correção pelas bancas.

'Combo' Enem + concurso para delegado

Uma única candidata de Goiânia teria pago R$ 800 mil em um "pacote" para fraudar, ao mesmo tempo, o último Enem para a filha, e o concurso para delegado da Polícia Civil em Goiás, para aprovação da própria suspeita.

"Por um desencontro de dados, a filha não teve êxito no Enem, mas a mãe estava entre os dez primeiros colocados no concurso", afirmou o delegado ao Estado

Dados de negociações como esta, envolvendo dezenas de candidatos que compraram vagas em diferentes concursos, foram apreendidos durante a operação.

 

O concurso para delegado acabou suspenso em maio por causa da fraude que beneficiou pelo menos 16 candidatos identificados pelos investigadores. As provas tinham sido realizadas em fevereiro, e o resultado, divulgado em março.

Um grande número de candidatos com nota superior a 90 pontos levou candidatos a denunciar o caso ao Ministério Público, que questionou o certame. O Poder Judiciário local concedeu liminar suspendendo o resultado em maio. 

As investigações sobre fraude no concurso da Polícia Civil goiana apontaram o envolvido da quadrilha em fraudes de diversos concursos de cargos e carreiras, do Enem e de vestibulares, especialmente para cursos de Medicina, em diferentes Estados, dando início ao aprofundamento da apuração. Os aliciados pagavam entre R$ 150 e R$ 300 mil, conforme a pretensão. 

Figueiredo de Matos espera concluir o primeiro inquérito sobre o caso em dez dias, mas salientou que ele deve desdobrar em no mínimo outros seis inquéritos locais "apenas sobre concursos", fora outros crimes e também os que deverão ser instaurados por delegacias de outros Estados, para os quais vai remeter cópias. Estavam previstos 36 mandados judiciais, sendo 17 de busca e apreensão, 11 de condução coercitiva e oito de prisão. 

Os presos vão responder por formação de quadrilha, fraude em concurso público, falsidade ideológica , lavagem de dinheiro, entre outros crimes.

Os valores cobrados pela quadrilha geralmente eram desembolsados após a aprovação por parte dos candidatos. Os interessados eram captados por aliciadores junto a cursinhos para concurseiros. Os valores então eram acertados com outro intermediário, identificados no organograma da quadrilha como "negociadores" ou "articuladores".

As investigações apuraram que os candidatos aprovados concordavam em pagar valores equivalentes até 20 vezes o salário previsto para os cargos.

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