Prova do Enem não terá 'pegadinha', diz ministro

Conteúdo não muda, mas exige mais raciocínio; por ano, serão 2 exames

Lisandra Paraguassú, de O Estado de S. Paulo,

13 Maio 2009 | 23h31

Praga dos exames e "terror" dos estudantes, as "pegadinhas" devem ser banidas do novo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que substituirá parte dos vestibulares das universidades federais. "Não pode ter pegadinhas", disse ontem o ministro da Educação, Fernando Haddad.

 

O novo Enem usará os mesmos conteúdos hoje ensinados no ensino médio e que já são cobrados nas atuais seleções universitárias. A diferença, definida em uma reunião, ontem, entre reitores e o Ministério da Educação, será na quantidade, menor, e na forma de desenhar as questões.

 

"O que a matriz de conteúdos e habilidades vai dizer é ‘o conteúdo é esse e vamos abordá-lo assim’", disse o ministro da Educação, Fernando Haddad. "Mas vai deixar claro que o conteúdo é o atual, que está na estrutura curricular da maior parte dos Estados."

 

Apesar da intenção do MEC de substituir o vestibular justamente para mudar o ensino médio, o ministro explica que esse não é um resultado imediato. Especialmente porque os atuais candidatos à universidade foram preparados com uma certa quantidade de conteúdo. "Mas vamos mudar a forma de abordagem", explica.

 

Além disso, a nova matriz do Enem deverá produzir um enxugamento na imensa quantidade de conteúdos abordados nos atuais vestibulares e que as escolas de ensino médio tentam, de qualquer jeito, também ensinar. "Hoje se tem um ‘empilhamento’ de programas de vestibular no currículo do ensino médio. Agora vamos ter um programa e uma forma de abordagem", diz. "Isso já vai direcionar as escolas para reduzirem seus conteúdos."

 

A maneira de desenhar as questões é uma das maiores apostas do MEC para a melhoria do ensino médio. Em vez do uso automático de fórmulas, o ministério prega questões que integrem conteúdos e exijam um maior uso do raciocínio.

 

As mudanças não agradaram a todos. Em Pernambuco, o partido Democratas (DEM) decidiu entrar com um mandado de segurança coletivo para impedir que o novo Enem seja aplicado já em outubro deste ano, como está previsto. No Estado, a Universidade Federal Rural de Pernambuco já decidiu aderir ao sistema como seu único processo seletivo e a Universidade Federal de Pernambuco vai usá-lo como primeira fase da sua seleção.

 

O DEM, no entanto, alega que a mudança já em 2009 prejudica os estudantes que se preparam para outro tipo de vestibular. "Todo o cuidado foi tomado para se respeitar a situação. Temos segurança de que os alunos que se saem bem no vestibular vão também se sair bem no novo Enem", disse o ministro.

 

Outra decisão a ser tomada pelo ministério é a data da segunda prova do novo Enem: em março ou abril do próximo ano. Dessa vez, incluindo uma prova de espanhol e inglês, que ficaram de fora na versão deste ano.

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