ProUni e cotas 'escancaram doença' da educação no País, diz ministro do STF

Para Joaquim Barbosa, acesso ao ensino superior ainda é privilégio de poucos estudantes

Carlos Lordelo, do Estadão.edu,

03 Maio 2012 | 21h39

Os julgamentos da constitucionalidade do Programa Universidade para Todos (ProUni) e das cotas raciais para ingresso no ensino superior "escancararam" uma "doença" do sistema educacional brasileiro: a de que o acesso à universidade ainda é privilégio de poucos estudantes. A opinião é do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa.

 

Durante a sessão em que o Supremo reconheceu a legalidade do ProUni, na tarde desta quinta-feira, 3, Barbosa e seu colega Gilmar Mendes debateram distorções no ensino superior.

 

Mendes disse que, apesar do aumento do investimento público, a universidade pública ainda é "extremamente discriminatória". O ministro também criticou a relação entre número de professores e de alunos - que, segundo ele, atualmente gira em torno de 10 docentes para cada estudante. Lembrou ainda que, dos seis milhões de universitários no País, somente cerca de um milhão estuda em instituições públicas.

 

Para Mendes, o País criou "biombos" - como o ProUni e as cotas - que acabaram aumentando a tensão nas "relações internas".

 

Barbosa afirmou que a mentalidade de alunos e professores de universidades públicas é a de que "aquilo ali é para poucos". "Quando se criam mecanismos para que mais pessoas acessem (o ensino superior), cresce este sentimento."

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