Proposta de redação da 2.ª fase da Unesp é elogiada por professores

Candidatos tiveram de redigir sobre o ato de escrever e fizeram 12 questões de Linguagens

Estadão.edu,

17 Dezembro 2012 | 19h49

Nesta segunda-feira, 17, último dia da segunda fase do vestibular da Unesp, os candidatos tiveram de redigir uma dissertação sobre o ato de escrever e responder a 12 questões dissertativas de Linguagens e Códigos, sendo 4 de inglês e 8 de língua portuguesa. Professores de cursinhos ouvidos pelo Estadão.edu elogiaram a proposta da redação e disseram que o exame não ofereceu dificuldade a estudantes bem preparados.

A metalinguagem foi a característica central das provas. Antes do enunciado que apresentava a proposta de redação "Escrever: o trabalho e a inspiração", as questões de Linguagens já abordavam o assunto, com pensamentos de Clarice Lispector - para quem escrever é "maldição e salvação" - e do escritor americano Syd Field - que defendia a escrita como "uma atividade profissional muito importante dentro da atividade geral da arte cinematográfica".

Para a professora Elisabeth Massaranduba, do Objetivo, o candidato poderia escrever a redação em primeira pessoa. "O aluno tinha de se posicionar diante do ato de escrever e, por isso, não acredito que aqueles que escreveram em primeira pessoa sejam punidos", afirma. Embora não acredite que os corretores exigirão um único posicionamento, Elisabeth acha difícil o aluno ter conseguido desenvolver um texto que não reiterasse a importância da escrita. "Para isso, ele teria de apresentar argumentos que justificassem a sua posição e acho bastante difícil ele conseguisse comprovar esta tese."

Alberto Francisco do Nascimento, coordenador de Vestibular do Anglo, diz que os textos de apoio podem ter ajudado quem não tinha opinião consolidada sobre o assunto. "Ainda assim, bagagem cultural é fundamental, até mesmo porque os candidatos não podem simplesmente copiar trechos já indicados", afirma. "Faltaria a eles lastro."

Português

As questões de português da prova de Linguagens tiveram grau de dificuldade médio, segundo Nascimento. A maioria exigiu interpretação de textos. Das oito perguntas, só uma tratou de gramática (acentuação).

Para Heric José Palos, professor de língua portuguesa do Etapa, o exame merece elogios. "A prova não é difícil, mas é abrangente. Tem questões claras, que não deixam margem para dúvida. Podem parecer banais, mas cobram um bom entendimento dos textos e uma boa redação das respostas."

Já Célio Tasinafo, diretor pedagógico do Oficina de Estudante, diz que leitores experientes não encontraram dificuldade na prova. "Não foi exigido muita coisa além de habilidade de leitura e interpretação."

Inglês

O coordenador do Anglo criticou as quatro questões de inglês. Para Nascimento, faltou rigor na elaboração da prova e a banca falhou ao não indicar a fonte do texto sobre solidariedade utilizado no exame e que baseou todas as perguntas.

Segundo Tadeu Okubaro, professor do Etapa, é raro os vestibulares não informarem de onde extraíram os textos das provas. "Este texto era até bom, apesar de simples. Só não entendo por que não disseram a fonte", diz. Para Okubaro, as questões estavam fáceis e as respostas das duas últimas eram praticamente iguais. "De tão abrangentes, acabaram exigindo respostas superpostas. Não gostei da formulação."

Maria Cristina Armaganijan, do Objetivo, discorda. A professora de inglês achou a prova bem feita e definiu as questões como "adequadas" a uma avaliação de segunda fase. "O texto possuía um vocabulário simples e dava argumentos suficientes para que os alunos conseguissem elaborar as respostas", diz.

* Atualizada à 1h do dia 18/12

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