Programa britânico Chevening triplica bolsas de mestrado

Ao todo serão mais de 1,5 mil vagas para mestrado em 2015; cerca de 30 brasileiros devem ser selecionados

Bárbara Ferreira Santos, Estadão.edu

29 Julho 2014 | 03h00

O Programa Chevening, do Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido, vai triplicar o total de bolsas que financiam mestrados nas principais universidades britânicas. A estimativa é que mais de 1,5 mil pessoas recebam o auxílio a partir de 2015 - neste ano, o programa selecionou 600 estudantes de todo o mundo.

Crescerá também o número de vagas para o Brasil: serão 30 bolsas para o ano letivo de 2015 - em comparação a 21 bolsas neste ano. O investimento apenas em estudantes brasileiros passará a cerca de 500 mil libras (R$ 1,89 milhão). As inscrições para o próximo ano ocorrem de 1.º de agosto a 15 de novembro de 2014. Para obter informações, acesse www.chevening.org/brazil.

De acordo com a coordenadora do Chevening no Brasil, Caroline MacDonald, o País é uma das prioridades para o programa. “Em 2014, cresceu em 10% o valor repassado para o Brasil. A quantidade de bolsas, porém, varia segundo o número de estudantes que atendem aos requisitos.”

Uma preocupação, segundo ela, é de que haja mais brasileiros de outras regiões além de Rio e São Paulo. Dos 1,5 mil estudantes do País que ganharam o Chevening desde 1983, quando o programa foi criado, 40% são de São Paulo, 20% de Brasília e 20% do Rio. 

Para aumentar o número de enviados de outras regiões, a embaixada faz, pelo segundo ano, uma divulgação no interior do Brasil. “Com certeza há vários futuros líderes em outras regiões. Queremos dar oportunidade para todos.”

Concorrência. A seleção para o programa é acirrada. O candidato precisa demonstrar potencial de liderança, ter inglês fluente, concluído a graduação, mostrar um bom histórico escolar e apresentar vivência profissional. 

O engenheiro Daniel Accioly Rosa, de 36 anos, conseguiu, há dez anos, uma bolsa que cobria todos os custos de um mestrado em Segurança da Informação no Royal Holloway, da Universidade de Londres. Ele passou por duas etapas de seleção: na primeira, enviou a documentação e a carta de aceitação da universidade; na segunda, conversou com os selecionadores no Brasil. “Eles fazem uma senhora de uma sabatina”, conta. 

Após a seleção, Rosa assumiu o compromisso de voltar ao País para aplicar o conhecimento adquirido. “A bolsa foi a melhor maneira de realizar minha vontade de estudar fora e proporcionou as oportunidades que tive depois.”

Poeta.O primeiro brasileiro a receber uma bolsa do governo britânico foi o poeta e compositor Vinicius de Moraes, em 1938, que cursou Letras na Universidade de Oxford. Após 45 anos, o Programa Chevening foi criado para oferecer bolsas a estudantes com potencial de liderança. Na lista dos brasileiros selecionados está o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella, e Lelio Bentes Corrêa, ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST). 

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