Professores encerram greve após 112 dias de paralisação em Minas

Decisão da categoria saiu após diálogo com o governo ser intermerdiado pelos deputados estaduais

Ricardo Valota, estadão.com.br

28 Setembro 2011 | 05h13

SÃO PAULO - Após 112 dias de paralisação, os professores da rede estadual de ensino de Minas resolveram, no final da noite de terça-feira, 27, em reunião em frente à Assembleia Legislativa (AL-MG), encerrar a greve e voltar ao trabalho na quinta-feira, 29.

 

A categoria - cerca de 8 mil docentes - resolveu suspender a paralisação após a reabertura de negociações com o governo mineiro; diálogo intermediado por deputados da oposição e da base governista. Com a decisão, um grupo de servidores que havia ocupado o plenário da AL-MG na segunda-feira, 26, deixou o local. Também chegou ao fim a greve de fome que dois professores faziam havia oito dias.

 

Segundo o Sindicato Único dos Trabalhos em Educação (Sind-UTE), a categoria deve manter um estado de greve e, em outubro, será feita uma assembleia para avaliação das negociações. A decisão dos trabalhadores foi tomada após uma reunião entre o secretário de estado do Governo, Danilo de Castro, e os deputados.

 

Na assembleia ocorrida à noite, foi apresentado um documento resultante das conversas realizadas ao longo do dia, com os pontos negociados. O primeiro é a assinatura de um termo pelo secretário Danilo de Castro e pelo Sind-UTE, com o compromisso de acatar o que for decidido entre as partes.

 

A negociação das novas propostas pelo governo ficou condicionada à suspensão do movimento grevista. Quanto ao piso salarial dos professores, o sindicato afirmou que governo reconheceu que a regra tem quer ser aplicada para todas as carreiras da Educação, e não somente para os professores, e deve ser proporcional ao longo do tempo.

 

Os detalhes sobre a aplicação da regra serão discutidos numa comissão tripartite, a ser formada ainda esta semana, com a participação de deputados, representantes do governo e dirigentes do Sind-UTE. O objetivo da comissão será aprimorar as tabelas das carreiras da educação, tanto para os trabalhadores enquadrados no regime do subsídio quanto para os que optarem pela remuneração por vencimento básico.

 

Sobre o Projeto de Lei (PL) 2.355/11, que revê a política remuneratória da Educação, o Governo concordou, segundo Beatriz Cerqueira, com a paralisação da tramitação da matéria. Em relação às punições aos grevistas, o documento afirma que a aplicação de novas penalidades cessará.

 

No que diz respeito à anistia aos profissionais já punidos, a coordenadora do Sind-UTE afirmou que o presidente da ALMG, deputado Dinis Pinheiro (PSDB), comprometeu-se a buscar a reversão de todas as sanções junto ao Governo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.