Ernesto Rodrigues/AE
Ernesto Rodrigues/AE

Professores destacam clareza dos enunciados em prova da Unesp

Cerca de 84 mil estudantes fizeram a primeira fase do vestibular neste domingo

Estadão.edu

06 Novembro 2011 | 22h44

Os enunciados claros e a qualidade da impressão dos cadernos de questões foram indicados por professores de cursinho como os pontos de destaque da prova de primeira fase do vestibular da Unesp, aplicada neste domingo. Segundo docentes ouvidos pelo Estadão.edu, o exame cumpriu o que se espera de uma primeira etapa de seleção: testes simples, mas bem elaborados, para classificar os melhores estudantes para a fase discursiva.

 

“Não quero comparar com o Enem, mas a impressão é muito boa e os desenhos estão com ótima qualidade, o que só facilita a vida do estudante”, afirmou o coordenador geral do Anglo, Luiz Ricardo Arruda. “Qualidade é abrangência e a Unesp apresentou um exame que merece elogios.”

 

Os candidatos tiveram 4 horas e 30 minutos para responder a 90 questões de múltipla escolha sobre Linguagens e Códigos, Ciências Humanas e Ciências da Natureza (30 testes de cada área). O gabarito foi divulgado logo após o término do exame, às 18h30, no endereço http://www.vunesp.com.br. A universidade oferece 6.629 vagas para 156 opções de curso.

 

A Vunesp, fundação que organiza o processo seletivo, registrou 8% de abstenção nesta primeira fase. Dos 91.852 candidatos inscritos, 7.373 faltaram à prova. O exame foi realizado em 30 cidades paulistas e nas capitais Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Campo Grande (MS) e Curitiba (PR).

 

Os estudantes aprovados passam para a segunda fase, cujas provas serão aplicadas nos dias 18 e 19 de dezembro. Nesta etapa, os alunos fazem questões dissertativas: no primeiro dia caem 24 perguntas sobre Ciências Humanas e Ciências da Natureza e, no segundo, 12 questões de Linguagens e Códigos e a redação.

 

 

Linguagens e Códigos

 

Nas 20 questões de língua portuguesa, a banca privilegiou a capacidade do candidato de interpretar textos. A prova não cobrou conhecimentos de literatura e trouxe alguns testes sobre gramática.

 

A professora do Cursinho da Poli Cristiane Bastos reclamou da escolha do texto que motivou as questões 1 a 5. Ela acredita que o fragmento Uma campanha alegre, IX, de Eça de Queirós, não incentiva a “visão política” dos alunos ao afirmar que “todos os políticos são corruptos”. “O texto não traz nada de novo ao aluno, o que me incomoda.”

 

Com 10 questões, a parte de inglês do exame foi apoiada em dois textos, sobre aviação e biocombustíveis. “Pela primeira vez na Unesp os alunos tiveram que ler e interpretar gráficos em inglês, algo inovador”, afirmou o coordenador do Etapa, Marcelo Dias Carvalho.

 

Ciências Humanas

 

Na opinião de Célio Tasinafo, diretor pedagógico do Oficina do Estudante, cursinho de Campinas (SP), a prova de geografia tratou de forma equilibrada temas relativos à geografia física e humana. Explorou muitos gráficos, mapas e tabelas que "auxiliaram decisivamente" os vestibulandos.

 

O tema que mereceu maior atenção dos alunos na prova de história foi o Brasil República. "Os assuntos foram bem distribuídos, os textos elaborados, e tiveram algumas questões difíceis que exigiram um pouco mais do candidato", disse Carvalho, do Etapa.

 

Em filosofia, o Objetivo considera que a banca “seguiu a tendência” dos últimos vestibulares. “Trouxe muitos textos e explorou o senso crítico do candidato”, avaliou a professora Vera Lúcia Antunes.

 

Ciências da Natureza

 

A crítica mais contundente à prova partiu dos professores de química do Cursinho da Poli. Para eles, a banca abordou o conteúdo de química orgânica de maneira "pouco criativa e mecânica". "A Unesp faz um vestibular de excelência. Precisa rever a pobreza no tratamento dessa parte do programa", disse Eduardo Leão, que leciona biologia mas comentou os 30 testes de Ciências da Natureza com o aval dos colegas.

 

No Objetivo, o exame da Unesp só recebeu elogios. Segundo Vera Lúcia, a banca "inovou" na elaboração dos testes de biologia. "Perguntaram conceitos muito simples da disciplina usando questões criativas."

 

Já o coordenador do Etapa rasgou elogios aos testes de matemática. Segundo ele, foi uma prova "excelente" e que "explorava a contextualização nas questões".

 

Para Tasinafo, do Oficina do Estudante, a prova de física cobrou tanto aspectos conceituais quanto cálculos. "A banca também optou pela utilização de enunciados com figuras, gráficos, e tabelas que contribuíram para a resolução das questões.”

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