Professores da USP ensinam empreendedorismo em nova disciplina

Alunos terão de usar conceitos do Design Thinking, método colaborativo e multidisciplinar

Bárbara Ferreira Santos, Estadão.edu

25 Fevereiro 2014 | 03h00

Para inovar é preciso de técnica. Mais do que oferecer um laboratório para os alunos empreenderem, os professores Eduardo Zancul e Roseli Lopes vão ensinar os estudantes a criar produtos inovadores com conceitos do Design Thinking, método colaborativo e multidisciplinar que propõe que as necessidades do consumidor sejam entendidas.

Fazer protótipos para saber se as ideias se adequam ao que o consumidor deseja e investir em um projeto "azarão" - aquele em que ninguém apostaria, mas que, se bem executado, pode ser o mais inovador - estão entre as ações propostas aos alunos em uma nova disciplina optativa da Poli: Desenvolvimento Integrado de Produtos.

O curso foi inspirado nas experiências com o InovaLab@Poli e no projeto com Stanford e as inscrições, abertas no fim de 2013. Foram 141 inscritos para 60 vagas. "A procura foi maior do que a gente esperava e por alunos de diversas unidades, o que mostra o interesse em inovação", afirma Zancul. As aulas começaram neste semestre e serão ministradas duas vezes por semana.

A proposta da disciplina é que ela seja interdisciplinar. Dez equipes de alunos devem criar soluções inovadoras para um desafio proposto por empresas. Cada equipe será composta por seis estudantes: três das Engenharias, um da Administração ou da Economia, um do Design ou da Arquitetura e mais um de outra unidade da USP. Segundo Zancul, estão sendo fechadas parcerias com empresas para que os alunos recebam demandas reais do mercado.

O formato das aulas também vai romper com o tradicional, ou seja, nada de carteiras e lousas. Uma antiga sala foi adaptada para que as equipes se reúnam em mesas e façam seus protótipos em aula. Um monitor ficará em cada mesa e dois painéis eletrônicos estarão nas laterais da classe. "Se quero estimular os alunos a serem criativos e colaborarem, temos de ter espaços que permitam isso. Olhar reto para a lousa não vai resolver", diz Roseli.

Diversidade. Os alunos inscritos são de diversas áreas. Pedro Medeiros, de 25 anos, é de Farmácia e Bioquímica e convidou colegas do Clube de Biologia Sintética da USP, que faz projetos de bioengenharia, para a nova disciplina. "Espero levar as habilidades que aprender nessa aula para o empreendedorismo biológico ou biotecnológico", afirma Medeiros.

Já Otto Heringer, de 23 anos, do 3.º ano de Química, quer trabalhar com processos automotivos em laboratórios de biotecnologia. "Automação é um dos gargalos do Brasil. É difícil ainda fazermos muito e com rapidez quando competimos com as universidades de fora."

Cada equipe terá um orçamento próprio de R$ 1 mil para comprar os materiais de seus projetos. A disciplina, contudo, conseguiu mais uma forma de financiamento, com injeção de recursos que permitirá que os professores comprem diretamente os itens necessários. O fundo Amigos da Poli, formado por ex-alunos que apoiam projetos inovadores da escola, doaram cerca de R$ 50 mil para o projeto.

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