Professores da Unicamp temem 'intervenção' de Alckmin

Associação quer nomeação do primeiro colocado na eleição indireta para reitor

Ricardo Brandt, de O Estado de S. Paulo,

17 Abril 2013 | 15h45

CAMPINAS – A demora do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), para nomear o novo reitor da Unicamp fez com que a Associação dos Docentes da universidade (Adunicamp) e um grupo de professores alertassem o Palácio dos Bandeirantes de que a indicação de um nome que não respeite o resultado da consulta acadêmica, feita em março, e corroborada pela lista tríplice encaminhada pelo Conselho Universitário (Consu) ao governador, no começo de abril, será encarada como uma intervenção e um golpe contra a autonomia de escolha da universidade. O prazo para nomeação vence nesta sexta-feira, 19.

 

“Passadas duas semanas desde a elaboração de lista tríplice para a indicação, por vossa excelência, do próximo reitor da Unicamp, começam a circular na universidade ruídos no sentido de que vossa excelência estaria propenso a não indicar o primeiro nome da lista elaborada pelo Conselho Universitário, instância deliberativa máxima da instituição”, diz o documento da Adunicamp.

 

O processo de escolha do novo reitor da Unicamp para os próximos quatro anos começou em 8 de março, quando 36 mil votantes da comunidade acadêmica (professores, alunos e funcionários) escolheram entre os quatro candidatos os nomes do ex-reitor e professor da Faculdade de Engenharia Agrícola José Tadeu Jorge e do diretor e professor da Faculdade de Ciências Médicas Mário José Abdala Saad para disputar o segundo turno nos dias 20 e 21 de março. Tadeu Jorge acabou eleito com 53% dos votos.

 

O resultado do pleito foi submetido ao Consu, que elaborou uma lista tríplice encabeçada pelo primeiro colocado e tendo como segundo nome Saad, mais próximo do atual reitor da Unicamp, Fernando Costa. Em terceiro lugar ficou o engenheiro eletricista José Cláudio Geromel. É o governador quem escolhe da lista o nome do novo reitor – por tradição, indica o primeiro.

 

Para a Adunicamp, “um reitor que não fosse o nome escolhido pela comunidade seria recebido internamente como interventor, dificultando enormemente a complexa tarefa de gerir uma instituição responsável pela produção de cerca de 15% do conhecimento novo produzido no País, com prejuízo para todas suas atividades: de ensino, pesquisa e interface com a sociedade”. A Adunicamp representa 2,1 mil professores e pesquisadores.

 

No documento, a associação dos docentes lembra também que todos os candidatos assinaram durante a disputa um documento em que só aceitariam assumir como reitor indicado pelo governador, caso seus nomes fossem os mais votados na consulta acadêmica.

 

Um grupo de 134 professores também organizou-se em rede e lançou um manifesto intitulado Manifestação pela Institucionalidade da Unicamp. No documento, eles afirmam: “Manifestamos nosso mais completo repúdio a toda e qualquer atitude que busque desestabilizar a institucionalidade da Unicamp, sob pretextos políticos menores. Este tipo de atitude, de algumas poucas pessoas da própria da universidade, é uma tentativa de golpe contra o processo democrático de indicação de dirigentes na Unicamp e mancha o espírito acadêmico.”

 

A lista tríplice foi enviada ao governador em 3 de abril. Caso a indicação não seja feita até sexta-feira, a universidade fica sem reitor, e quem assume é o atual coordenador geral, Edgar Salvadori de Decca, que foi um dos quatro candidatos do pleito e assina o manifesto.

 

“Eu defendo a legitimidade do processo de consulta e de composição da lista tríplice e tenho a confiança de que o governador do Estado vai ser sensível para confirmar o primeiro nome da lista”, afirma Decca.

A assessoria do governador Geraldo Alckmin foi procurada, mas não retornou os pedidos de entrevista até a publicação desta reportagem.

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