Professora comenta livros cobrados por Fuvest e Unicamp

Lista de obras teve três alterações e é considerada mais acessível, segundo Izeti Fragata

28 Maio 2009 | 17h45

A lista unificada de obras literárias que serão abordadas no Vestibular 2010 da Unicamp e da Fuvest sofreu três alterações em relação à anterior. Foram incluídos os livros O cortiço, de Aluísio de Azevedo, Capitães da Areia, de Jorge Amado, e Antologia Poética, de Vinicius de Moraes.   Na nova relação, deixaram de constar as seguintes obras indicadas no vestibular anterior: Poemas Completos de Alberto Caeiro (heterônimo de Fernando Pessoa), A rosa do povo – Carlos Drummond de Andrade e Sagarana – João Guimarães Rosa.   Confira abaixo os comentários da professora de português do Colégio Bandeirantes, Izeti Fragata:   Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente "Ainda que seja uma obra do século 16, é de leitura bastante acessível ao estudante, especialmente se este contar com uma edição bem organizada, com notas explicativas a respeito da linguagem arcaizante. Ultrapassado este obstáculo linguístico, a peça de teatro de Gil Vicente oferece ao leitor várias cenas bem humoradas, porque o autor soube como poucos fazer valer o lema latino Castigat ridendo mores (Rindo se corrigem os erros)."   Dom Casmurro, de Machado de Assis "Romance que há mais de 110 anos intriga os leitores com a enigmática personagem Capitu. O protagonista é Bentinho, que escreve a respeito de sua vida para compreender sua existência e colocar fim a uma dúvida martirizante: Capitu, sua esposa, teria mantido um caso amoroso com seu amigo mais íntimo? Embora Bentinho construa uma narrativa para incriminar sua mulher, a dúvida sobre a fidelidade de Capitu permanece para sempre."   Memórias de um Sargento de Milícias, Manuel Antonio de Almeida "Inova o romance urbano romântico com as aventuras do malandro Leonardinho. A narrativa é ágil, divertida e reconstitui costumes e superstições de gente simples que vivia no Rio de Janeiro na época do Império. O desfecho da obra revela, um mundo em que os limites do certo e errado, do lícito e ilícito são difusos e muitas vezes se mesclam de tal modo que não se pode adotar julgamentos definitivos para as ações dos personagens."   Iracema, de José de Alencar "É um romance indianista romântico que exalta os encantos da terra brasileira. Através de uma prosa poética, José de Alencar narra a trágica história do amor da bela vestal indígena Iracema pelo guerreiro português Martim. Desde a sua publicação em 1865, desperta grande interesse nos leitores, como bem previu Machado de Assis quando leu a obra: 'Há de viver este livro, tem em si as forças que resistem ao tempo, e dão plena fiança do futuro…'"   O cortiço, de Aluísio de Azevedo "A obra fala dos excluídos sociais. Variados tipos físicos e psicológicos aglomeram-se num cortiço,onde são analisados, sob a perspectiva naturalista, valores e comportamentos. João Romão, dono do cortiço, encarna a ambição desmedida, enriquece e ascende socialmente. Através da trajetória desse personagem, o autor, bem sintonizado com as teses naturalistas, prova a validade de uma das leis deterministas: os mais fortes sobrevivem."   Vidas Secas, de Graciliano Ramos "Publicada em 1938, a obra é dividida em capítulos que apresentam 13 quadros de um mundo de necessidades e injustiças vividos por uma família de retirantes. É a denúncia de um Brasil atrasado e esquecido pela elite governante. Assim como alguns romances neorrealistas, Vidas Secas contrastava com a propaganda otimista do Estado Novo, que prometia o surgimento de um país desenvolvido, que superaria as profundas diferenças sociais."   A Cidade e as Serras, de Eça de Queirós "A obra traz o debate sobre as conquistas da civilização expondo o antagonismo existente entre a vida fútil e sofisticada de Paris e o laborioso paraíso das serras portuguesas. Esse antagonismo é o eixo vital da narrativa. Ele vai conduzir ao questionamento dos exageros promovidos pela técnica e todo o excesso produzido na urbanidade, que submetem o homem a angústias e desolações próprias do espaço cosmopolita."   Capitães da Areia, de Jorge Amado "Pertence ao romance neorrealista dos anos 30, assim como Vidas Secas. O narrador valoriza os aspectos humanos de um grupo de meninos pobres, que não têm lugar numa sociedade organizada pela ganância capitalista. São todos marginalizados e alguns revoltados. A mensagem principal ao final das aventuras dos capitães da areia é a de que somente uma reforma radical na sociedade acabaria com a discrepância entre ricos e pobres."   Antologia Poética, de Vinicius de Moraes "Reúne poemas escritos da década de 30 ao final da década de 50 do século passado, que apresentam duas fases distintas do autor: a primeira mística, transcendental, de inspiração cristã, e a segunda, mais preocupada com acontecimentos da vida comum, de todos nós. A temática dos poemas é variada, Vinícius de Morais fala de sonhos, amores felizes e perdidos e almas graciosas, mas também de trabalhadores anônimos, suplícios e morte."

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