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Professor indiano ganha 'Nobel da Educação' no Catar

ONG de Madhav Chavan ajuda na alfabetização de 3 milhões de crianças por ano

Sergio Pompeu, do Estadão.edu, enviado especial a Doha,

14 Novembro 2012 | 02h28

O professor universitário indiano Madhav Chavan recebeu nesta terça-feira, 13, o Prêmio Wise para Educação de 2012, por sua contribuição para a alfabetização de 3 milhões de crianças por ano no seu país. Cofundador da organização não governamental Pratham, o professor é o segundo a receber o Prêmio Wise, criado pelo governo do Catar. Pelo valor e por ter o vencedor anunciado durante a Cúpula Mundial de Inovação em Educação (a sigla em inglês, Wise, também significa sábio), o prêmio tem sido considerado o 'Nobel da Educação' pela imprensa internacional.

 

Apoiada basicamente no trabalho de voluntários, a Pratham se notabilizou pelo baixo custo e pela eficiência em trabalhar com crianças com problemas de aprendizado. Em média, elas começam a ler dois meses depois de entrar no programa. "Já fui criticado por trabalhar com voluntários, mas isso faz parte da nossa cultura, essa noção de que, se você fazer alguma coisa, pode usar isso em benefício dos outros. A visão de que a retribuir é algo para quem já venceu na vida é muito mais ocidental", disse Chavan.

 

Filho de um comunista engajado, Chavan, de 58 anos, fez doutorado em Química na Ohio State University e pós-doutorado na Universidade de Houston. Quando voltou dos Estados Unidos, em 1986, virou professor da Universidade de Mumbai. Três anos depois, passou a acumular as aulas na universidade com a alfabetização de adultos nas favelas da cidade, como voluntário de um programa federal. Em 1994, começou por conta própria a trabalhar com crianças.

 

O sucesso do Pratham e sua adoção em larga escala transformaram Chavan em personalidade. Ele já foi âncora de programa de televisão e se tornou interlocutor do governo no desenho de políticas públicas. Criou um respeitado Relatório Anual sobre o Estado da Educação, também feito de forma colaborativa, por milhares de voluntários que trabalham como "recenseadores", batendo de porta em porta para coletar dados. E expandiu a área de atuação da ONG para outros níveis de ensino. "Queremos ampliar nossa atuação no ensino secundário, com foco em jovens que abandonam a escola", disse.

 

* O repórter viajou a Doha a convite da organização do Wise

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