Polícia Militar desocupa prédio da diretoria da Unesp

Alunos protestavam contra o congelamento de salários de professores e funcionários; reitores pediram fim das manifestações violentas

Rene Moreira, Especial para o Estado

20 Junho 2014 | 14h08

FRANCA - Terminou na madrugada desta sexta-feira, 20, a ocupação na diretoria da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp (Universidade Estadual Paulista), em Araraquara. Após 20 dias no interior do imóvel, estudantes foram retirados por policiais militares da Tropa de Choque por volta das 4h30 e levados em seguida para uma delegacia da Polícia Civil.

Eles estavam no prédio reivindicando mais moradias estudantis e o retorno desse direito para 38 alunos que tiveram o benefício cortado. A desocupação teve a participação de 30 policiais e não houve resistência por parte dos universitários, sendo 15 deles ouvidos no 4º Distrito Policial. =

O delegado Antônio Luiz de Andrade disse que foi aberto inquérito para apurar os crimes de dano ao patrimônio e descumprimento de ordem judicial. Segundo ele, para isso será levantada a participação de cada um dos estudantes em tudo o que aconteceu durante os dias de ocupação.

A ação policial na madrugada não foi acompanhada pela imprensa, que também não teve acesso depois ao prédio. Peritos estiveram no local levantando os danos que foram causados. A defesa dos alunos alega tratar de um ato político e que, por isso, não deveria resolvido na esfera criminal. Todos foram levados de ônibus até a delegacia, sendo liberados depois para responder em liberdade.

Divergências. O pedido de reintegração de posse havia sido deferido pela Justiça no último dia 2, sendo dado o prazo de 15 dias para que fosse cumprido. Antes do uso da polícia foram feitas reuniões entre a direção e os estudantes, mas sem que houvesse êxito. O cumprimento da ordem judicial foi acompanhada pelo diretor da faculdade, Arnaldo Cortina.

Estudantes reclamaram pelas redes sociais da intransigência em negociar antes da reintegração. Já a Unesp informou em nota que a medida teria sido tomada após "esgotadas todas as possibilidades de acordo por parte da administração" e que isso se fez necessário "para a preservação do patrimônio público". Segundo a instituição, a retomada do imóvel pela Polícia Militar ocorreu de forma "absolutamente pacífica".

A desocupação dos prédios da Unesp e das outras estaduais também era a condição proposta pelos reitores para retomar as negociações sobre os salários de professores e funcionários. Em maio o conselho de reitores das instituições estabeleceu o reajuste zero, o que fez com que as categorias entrassem em greve. Há duas semanas o conselho decidiu reabrir as negociações com as entidades sindicais, mas desmarcou o encontro por causa dos piquetes e ocupações de prédios. 

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