Pisa 2012 e as perspectivas para a educação brasileira

Para o especialista em educação Ocimar Alavarse, os patamares médios atingidos por nossos jovens são preocupantes

03 Dezembro 2013 | 19h47

Ocimar Alavarse

A divulgação dos resultados do Pisa 2012 nos proporciona algumas análises e, sobretudo, perspectivas para a educação brasileira. Evidentemente, esses dados exigem muita cautela, pois, do ponto de vista político, a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos (OCDE), responsável por essa avaliação, não tem a legitimidade que teria, por exemplo, a Unesco em matéria de educação. Além disso, devemos resistir às inevitáveis comparações e ordenações dos países participantes que consideram que as proficiências em leitura, matemática e ciências seriam os únicos indicadores da qualidade educacional desses países e que desprezam fatores como a história educacional de cada um dos participantes e as próprias limitações da aplicação de provas para um universo de mais de 70 línguas e com cerca dez sistemas de escrita. A qualidade dos sistemas educacionais não se esgota nessas competências e a comparabilidade tem fortes restrições.

Contudo, se os dados do Pisa não dizem tudo, dizem muito. Primeiro, essas áreas de conhecimento avaliadas são aspectos extremamente importantes para qualquer processo de escolarização básico. Segundo, a utilização de uma escala de proficiência, pelo emprego da Teoria da Resposta ao Item, permite que analisemos a série histórica de cada um dos entes avaliados. Finalmente, faculta aos gestores dos sistemas educacionais a possibilidade de investigar as causas desses resultados e estabelecer políticas para a consecução de metas compatíveis com o sucesso de sua juventude.

No caso do Brasil, verificando os dados desde 2000, se, por um lado, destaca-se o como algo bastante animador o crescimento do desempenho acima da média dos países membros da OCDE, por outro, como alerta da realidade, os patamares médios atingidos por nossos jovens, mesmo considerando o ganho que representa o aumento de alunos de 15 anos elegíveis para a prova do Pisa, são preocupantes, como, aliás, já podíamos vislumbrar, por exemplo, no Saeb. Isto coloca como desafio, ademais daquele de articulação política do MEC junto a secretarias estaduais e municipais responsáveis por quase 90% das matrículas no ensino fundamental, a alteração justamente daquilo que aparece como o melhor traço do quadro de 2012: o ritmo de crescimento do desempenho dos jovens brasileiros.

Tomando-se como referência a média de desempenho da OCDE, a mesma que o próprio MEC adotou para fixar metas do Ideb, para cada uma das áreas avaliadas, e adotando a tendência linear das proficiências desde 2000, conforme os gráficos abaixo, com algumas simplificações de cálculo e sem alteração no quadro socioeconômico dos países envolvidos, constatamos que os alunos brasileiros atingiriam o desempenho da OCDE em leitura, matemática e ciências, em 2074, 2031 e 2056, respectivamente, demandando, portanto, em torno de 61, 18 e 43 anos, para cada componente, desde agora.

 

 

Comparações e projeções são sempre arriscadas, mas maior será o risco se não estudarmos com atenção aquilo que os resultados do Pisa 2012 parecem indicar. Assim, esses números devem levados em conta se queremos estabelecer, em bases mais sólidas, as melhores perspectivas para a educação brasileira.

 

*Ocimar Alavarse é professor da Faculdade de Educação da USP

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