PF prende quadrilhas especializadas em fraudar vestibulares de Medicina

Organizações criminosas tentaram burlar mais de 50 exames em 11 Estados e no DF; Gabarito de Medicina custava até R$ 80 mil

Davi Lira, de O Estado de S. Paulo,

12 Dezembro 2012 | 11h38

A Polícia Federal desmontou nesta quarta-feira, 12, um esquema de fraudes em vestibulares de Medicina em 11 Estados e no Distrito Federal. Ao todo foram cumpridos 70 mandados de prisão e 73 de apreensão, expedidos pela Justiça Federal no Espírito Santo.

A chamada Operação Calouro foi deflagrada após um ano e seis meses de investigação. Nesse período, a PF acompanhou a atividade de seis quadrilhas baseadas em Goiás e uma em Minas. Ao todo, elas tentaram fraudar mais de 50 vestibulares em 30 instituições de ensino superior privadas.

Os grupos atuavam de duas maneiras. Em uma, um aluno bem preparado fazia a prova rapidamente para repassar o gabarito das respostas ao alunou que pagou pela fraude. As respostas eram transmitidas a por mensagens de celular, ponto eletrônico ou via radiofrequência. O "serviço" custava entre R$ 25 mil e R$ 50 mil.

As quadrilhas também falsificavam documentos de candidatos e substituía o aluno por outra pessoa no momento da prova. Nessa modalidade, o preço cobrado variava entre R$ 45 mil e R$ 80 mil.

Segundo o chefe do Núcleo de Inteligência Policial da PF no Espírito Santo, Leonardo Geraldo Baeta Damasceno, pelo menos dez pessoas foram aprovadas em exames com ajuda das quadrilhas. Elas atuavam principalmente no Rio, São Paulo e Minas, mas também tentaram burlar exames em Goiás, Mato Grosso, Rondônia, Bahia, Rio Grande do Sul, São Paulo, Espírito Santo, Santa Catarina, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Pará e Distrito Federal.

A operação partiu da PF no Espírito Santo. "Tínhamos um alvo no Estado, mas descobrimos que ele tinha um papel acessório no esquema e que o líder da organização era de Goiás", afirma Damasceno.

Segundo o delegado, na "extrema maioria" das vezes, as quadrilhas não conseguiram fraudar os exames. "Nossa estratégia foi conversar antecipadamente com as instituições para ampliar a segurança nos processos seletivos. Repassávamos para as universidades informações sobre pessoas que tinham documentação falsa."

Damasceno conta que, em cada vestibular, as quadrilhas planejavam lucrar entre R$ 200 mil e R$ 400 mil.

* Atualizada às 18h17

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