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Pela racionalidade na questão docente

31 Agosto 2013 | 19h 00

Em artigo, coordenador da Campanha Nacional Pelo Direito à Educação defende que professor precisa ser reconhecido e valorizado

Daniel Cara*

Os dados obtidos pelo “O Estado de S. Paulo” dão concretude ao que já era sabido: é alto o número de docentes que deixam o magistério público. Em 2012, o Estado e o Município de São Paulo perderam, respectivamente, 2.969 e 828 professores concursados. A cada dia, cerca de 8 deles deixaram a rede estadual e 2 se desligaram da municipal.

Destaco a trajetória de três jovens professores das redes paulista e paulistana de ensino. Um é alfabetizador, outra leciona história nos anos finais do ensino fundamental e a última dá aulas de sociologia no ensino médio.

Os três já enfrentaram depressão e outras enfermidades. Permanecem comprometidos com o trabalho, mas não conseguem equacionar o magistério com as necessidades impostas pela vida.

O primeiro concilia a docência com animação de festas, mas deve assumir o táxi do pai. A segunda, mestre em sociologia pela USP, resiste a seguir carreira acadêmica. A última, esperançosa, crê ter encontrado uma escola privada com bom projeto pedagógico.

Perseverar no magistério público não é fácil. O salário é insuficiente e a estabilidade está distante de compensar as salas de aula superlotadas, além da falta de insumos pedagógicos mínimos. Muitos cursos de formação continuada são descontextualizados, assim como as reformas educacionais propostas por “especialistas” que desconhecem o cotidiano das escolas públicas. Para piorar o quadro, docentes são alçados à condição de heróis, martirizados por seus parcos contracheques.

O caminho racional aponta para outro rumo: professor precisa ser reconhecido e valorizado como profissional. Isso significa remunerar melhor, oferecer carreira estimulante e garantir boas condições de trabalho, o que exige investimento de mais recursos na educação pública. Nada mais óbvio, porém ainda tão inédito.

* DANIEL CARA É COORDENADOR GERAL DA CAMPANHA NACIONAL PELO DIREITO À EDUCAÇÃO