Passeata contra correção da redação do Enem reúne apenas 7 estudantes em Maceió

Alunos querem ver a prova corrigida e o direito de contestar notas caso discordem da avaliação

Carlos Nealdo, Especial para O Estado de S. Paulo,

02 Janeiro 2013 | 23h12

Apenas sete pessoas compareceram à mobilização marcada para o início da tarde desta quarta-feira, 2, em Maceió, para exigir do Ministério da Educação (MEC) o direito de acesso à redação corrigida do Enem 2012. Depois de sair em passeata num percurso de cerca de 800 metros, o grupo foi até o Ministério Público Federal (MPF), onde protocolou uma petição em que solicita o acesso ao “espelho” da correção da redação em tempo hábil para uma possível contestação da nota na Justiça.

 

Os estudantes foram recebidos pelo procurador Marcial Duarte Coelho, que ficou de analisar a questão e discutir possíveis encaminhamentos. Visivelmente abatido pelo número reduzido de participantes, o estudante José Albérico da Silva Santos Filho, de 17 anos, um dos administradores do grupo “Ação Judicial – Redação Enem 2012” – criado no Facebook para questionar os critérios adotados pelo MEC na correção da prova – lamentou a ausência de mais candidatos alagoanos em algo que considera muito importante para o movimento.

 

“Interagir nas redes sociais é cômodo”, cutucou José Albérico, referindo-se à grande adesão alagoana ao grupo, que até o início desta tarde contava com 27.606 membros de todo o País. Candidato a uma vaga no curso de Direito da Federal de Alagoas (Ufal), o estudante obteve 520 pontos na redação, nota que considera injusta. “Queria o direito de ter acesso à prova corrigida para saber onde foi que errei, porque segui todos os parâmetros exigidos pelo MEC.”

 

O estudante Artur Souza, de 18, compartilha do mesmo pensamento de Albérico. Candidato a uma vaga no curso de Engenharia Civil da Ufal, ele teme que a liberação da prova corrigida ocorra muito próximo ao início das inscrições do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), previsto para a próxima segunda-feira, 7.  Por isso, o estudante já pensa num plano B. “Uma vaga numa universidade particular ou estudar mais um ano para tentar mais uma vez”, disse.

 

Longe da mobilização, o estudante Jonas Augusto França Santos, de 18, aproveitou para curtir férias enquanto aguarda a abertura das inscrições no Sisu para disputar uma das vagas de Medicina da Ufal. Com a nota máxima na redação do Enem, cujo tema deste ano foi o “Movimento imigratório para o Brasil no século 21”, ele credita a pontuação ao fato de o assunto ser recorrente na história do Brasil. “O tema exigiu um bom poder de argumentação, além de conhecimento sobre a conjuntura do País. Teve nível de dificuldade alto e bastante específico”, comentou ele, em conversa pelo Facebook.

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