Whirlpool/Divulgação
Whirlpool/Divulgação

Passaporte carimbado

Empresas oferecem temporada no exterior para trainees; objetivo é que eles conheçam outra cultura e voltem com novas (e boas) ideias

Carlos Lordelo, Estadão.edu

20 Agosto 2011 | 16h54

Em tempos de globalização, trainees globais. Numa aposta ambiciosa, grandes empresas têm mandado jovens ao exterior já durante o período de treinamento. Com isso, conseguem integrar os recém-formados à cultura da matriz, mostrar lá fora a qualidade dos seus processos de seleção e tornar seus programas mais atraentes para jovens talentos.

 

“É uma maneira de garantir que seu trainee não vá para outra empresa após o programa”, diz a psicóloga e coach executiva Elaine Martins. Como os candidatos em geral são jovens solteiros, têm facilidade de se adaptar ao novo ambiente de negócios e voltam cheios de ideias para colocar em prática.

 

Pela primeira vez, a Volkswagen vai mandar no próximo ano todos os seus jovens talentos para fora. Os 23 trainees, que ainda serão selecionados, vão ficar 3 dos 18 meses do treinamento em qualquer fábrica no mundo – entre elas a da matriz alemã, na cidade de Wolfsburg. O destino vai depender da área para a qual o jovem mostrar mais potencial. “Quando vai para fora, o trainee tem noção da imensidão da empresa e das oportunidades que ela oferece”, diz Lorene Moreira, supervisora de Recursos Humanos da montadora. 

 

Embora a experiência seja nova, o engenheiro mecânico Ulisses Lourenço Filho, de 28 anos, é um exemplo dos benefícios que ela pode trazer. Ele foi admitido em 2008, quando a Volks reabriu, após sete anos, seus programas de treinamento. Articulou contatos feitos durante uma pós-graduação em Stuttgart e convenceu a companhia a enviá-lo por 15 dias para a cidade de Salzgitter, onde há uma fábrica de motores. “Pude comparar os processos realizados aqui e lá.” A experiência ajudou Ulisses a ser efetivado mais tarde como consultor de planejamento do produto.

 

A tendência é recente: a gigante Whirlpool, das marcas Brastemp e Consul, começou a mandar gente para fora só este ano. “Estamos testando o modelo”, diz Úrsula Angeli, gerente geral de RH da empresa.

 

Escolhida por sua alta performance no treinamento, Fernanda Almirão, de 25, está passando uma temporada de três meses na cidade de Clyde, em Ohio. “Levanto as melhores práticas da região e desenvolvo projetos de produtividade.”

 

Formada pelo ITA em Engenharia Civil-Aeronáutica, Fernanda estava em treinamento em Rio Claro (SP), onde há uma manufatura de lavadoras – em Clyde também existe uma. “Um dos meus objetivos de carreira é a expatriação. Quanto antes sair do País, melhor.”

 

A engenheira elétrica Juliana Mesquita, de 27, pode se orgulhar da milhagem acumulada no treinamento. Hoje líder de Tecnologia da Informação da GE, foi enviada a Connecticut, Estados Unidos, no primeiro mês como trainee. No segundo ano, seguiu para Xangai, China. “Achei bom entender diferentes maneiras de trabalhar.”

 

Apesar de a geração y ter pressa na carreira e de exemplos bem-sucedidos como o de Juliana, existe o risco de o jovem ser imaturo e não trazer da matriz tudo o que poderia. “É importante ser uma pessoa desprendida, pois vai passar por dificuldades”, diz Manoela Costa, gerente da consultoria de recrutamento Page Talent.

 

Vale. Desde o ano passado, o programa da empresa atrai gente do mundo todo para ser trainee no Brasil

 

Mão invertida. Enquanto multinacionais mandam trainees para fora, gigantes brasileiras como Vale e Andrade Gutierrez têm recebido jovens do exterior. A ideia é a mesma: disseminar a cultura do negócio nas filiais. O economista moçambicano Simão Muhorro, de 22, chegou em junho para o treinamento da Vale. Já passou por Ouro Preto, Belo Horizonte e Vitória. Ficará em São Luís (MA) até março. “É como beber água da fonte. Na matriz, você consegue dar ideias para melhorar as coisas.”

Mais conteúdo sobre:
Trainee Globalização

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.