Para sindicatos, greve dos técnicos administrativos não está no fim

MEC espera que acordo com a categoria seja assinado na próxima quarta-feira

Reinaldo Adri, Especial para o Estadão.edu,

20 Agosto 2012 | 17h53

Diferentemente do informado pelo Ministério da Educação em seu site neste domingo, 19, os sindicatos representantes dos técnico-administrativos das instituições de ensino federais negam que os servidores estejam sinalizando encerrar a greve. A decisão de continuar ou não a paralisação será tomada em assembleias realizadas ao longo desta semana por todo o País.

 

O MEC publicou notícia em seu site oficial dizendo que, após a última rodada de negociações, a Federação de Sindicatos de Trabalhadores das Universidades Brasileiras (Fasubra) havia sinalizado retorno aos trabalhos e que a expectativa era de assinatura formal do acordo na quarta-feira, 22, após a reunião das assembleias sindicais regionais. Na reportagem, o representante do ministério nas negociações, o secretário de Educação Profissional e Tecnológica, Marco Antônio Oliveira, disse que estava otimista com a disposição demonstrada pelos dirigentes da entidade sindical em fechar o acordo.

 

O coordenador-geral da Fasubra, Gibran Ramos, rebateu com veemência a informação. Ele diz que são as assembleias que vão decidir "democraticamente", nesta segunda e terça-feira, os rumos do movimento. "O Comando Nacional de Greve da Fasubra irá acatar o que a maioria das mais de 50 assembleias de base decidirem. Se a decisão da maioria for de rejeitar a proposta, continuaremos em greve. Se for de assinar a proposta, iremos encaminhar a assintura do acordo." Ramos afirma que as propostas apresentadas pelo governo ainda não são suficientes.

 

O governo federal propõe um reajuste de 15,8% em três parcelas até 2015 e, posteriormente, passou a admitir melhora nos índices de progressão de carreira, de 3,6% para 3,8%, e nos distintivos de qualificação, que permitem ao servidor ganhar um adicional por conta da conclusão de cursos de graduação, especialização, mestrado e doutorado.

 

Segundo o coordenador-geral do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe), Gutemberg Almeida, a posição oficial da entidade também só será conhecida na quarta-feira, quando os delegados enviados por cada seção estadual irão reproduzir o que foi decidido nas assembleias. "Pelo que estou percebendo, a maioria é contra as atuais propostas de ajuste", diz. Ele afirma que o sindicato ainda não está satisfeito com os porcentuais de reajustes e com alguns pontos da negociação, como a impossibilidade dos técnicos se candidatarem a cargos de reitoria e a não redução da carga horária de trabalho.

 

Na semana passada, o ministro da Educação, Aloízio Mercadante, havia dito, em entrevista ao Estado, que esperava que o acordo já fosse feito na última quinta-feira, mas as negociações fracassaram. O MEC reafirmou que a negociação com os docentes está encerrada.

 

O MEC informou, após a publicação desta reportagem, na noite desta segunda-feira, 20, que os câmpus de algumas universidades e institutos federais já começaram a deliberar pelo fim da paralisação. Entre as universidades estão as de Roraima, Piauí, Amazonas, Pelotas e Minas Gerais, Goiás e do Recôncavo Baiano. Já entre os institutos estão os de Brasília, Pernambuco, Paraná, Amazonas, Bahia, Ceará, Goiás, Triângulo Mineiro, Santa Catarina, Maranhão. Piauí, Sul de Minas e Sertão de Pernambuco.

 

A Fasubra comunicou que não vai comentar a lista informada pelo MEC e que só vai se posicionar quando as mais de 50 unidades decidirem sobre a questão.

 

* Atualizada às 20h45 para acréscimo de informações

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