Pais vão ajudar a avaliar escolas e creches de São Paulo

Diagnóstico de unidades de educação infantil proposto pelo Ministério da Educação inclui sete indicadores de qualidade

EDGAR MACIEL, O Estado de S. Paulo

08 Setembro 2014 | 02h03

SÃO PAULO - Para ajudar escolas e educadores a medir a qualidade da educação infantil, os pais vão começar a ser ouvidos na avaliação de creches e jardins de infância da cidade de São Paulo. A avaliação nesta etapa de ensino é particularmente difícil porque as crianças são pequenas e estão no início do processo de aprendizagem. A família, então, se torna um elemento importante para julgar os pontos fortes e os fracos das unidades escolares.

A avaliação da educação infantil é baseada em diretrizes do Ministério da Educação (MEC). Nesse diagnóstico, sete indicadores de qualidade ajudam professores, funcionários, pais e até mesmo as crianças a avaliarem as escolas e creches. E os resultados já surtem efeitos: novos planos de melhorias e mais participação da família no dia a dia escolar.

O governo federal distribui as diretrizes para mais de 2,5 mil municípios do País, com o objetivo de criar uma cultura de avaliação. "Ainda estamos em um período de ajustes na educação infantil, tentando corrigir um passivo de oferta e ao mesmo tempo melhorar a qualidade", disse a coordenadora-geral do Programa de Educação Infantil do MEC, Rita Coelho.

O objetivo, segundo os especialistas em educação, não é iniciar um processo de 'ranqueamento' das escolas, separando as melhores das piores, mas medir a qualidade e propor melhorias no longo prazo. "Nós não avaliamos a educação infantil por provas ou testes. Estamos lidando com crianças de zero a 5 anos, que ainda estão em um estágio inicial de aprendizagem", ponderou Sônia Larrubia, coordenadora da Diretoria da Educação Infantil da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo (SME).

Na capital, os itens dos indicadores são avaliados em conjunto pela equipe educacional e também pelos pais. Antes desse projeto, a família não era incluída no processo de qualificação das escolas.

Desde 2013, cada participante emite suas notas em um sistema de cores: verde, amarelo e vermelho. Se a ação julgada estiver em execução com sucesso, o grupo atribui a cor verde. O sinal amarelo indica cumprimento parcial do indicador e o vermelho, que as diretrizes não existem na escola.

A Escola Laura da Conceição Pereira Quintaes, no Itaim Paulista, na zona leste, passou a adotar o sistema no fim do ano passado. Com 495 alunos de 4 a 5 anos, a direção e os 16 professores se mobilizaram para integrar os pais na avaliação. "Essa comunicação com a comunidade escolar nos fez perceber possíveis melhorias que não tínhamos noção", disse a diretora Solange Oliveira Ferreira.

Qualidade. Para especialistas em educação, os parâmetros de qualidade devem ser usados para que cada escola defina suas prioridades. "Mesmo com necessidades diversas, os direitos são iguais", afirmou Adriana Freyberger, doutora em Educação pela Universidade de São Paulo (USP). Entre os quesitos importantes para as escolas de educação infantil, Adriana citou uma boa acolhida às crianças, uma proposta pedagógica bem desenvolvida, professores envolvidos com a proposta e a participação dos pais. Na infraestrutura, não pode faltar espaço para brincar. /COLABOROU BÁRBARA FERREIRA SANTOS

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