Pais acusam professora de sugerir que filho leve cintadas

Docente teria escrito bilhete nos qual aconselha casal a dar 'varadas' para educar menino de 12 anos

Tatiana Fávaro, correspondente de O Estado de S.Paulo

25 Junho 2012 | 22h30

CAMPINAS - Pais de um aluno da Escola Municipal José de Anchieta, em Sumaré, interior de São Paulo, denunciaram uma professora que teria sugerido, em um bilhete, que eles dessem "cintadas" e "varadas" no filho, de 12 anos, com o objetivo de educá-lo.

 

O bilhete foi enviado no dia 12 aos comerciantes André Luis Ferreira Lima e Lucineide Ferreira Lima, ambos de 29 anos, moradores de Sumaré. No texto, a professora de português sugere: "Quer conversar com o seu filho? Se a conversa não resolver. Acho que umas cintada vai resolver (sic). Porque não é possível que um garoto desse tamanho e idade, não consiga evitar encrecas (sic). Esqueça tudo que esses psicólogos fajutos dizem e parta para as varadas".

 

De acordo com Lima, ele e a mulher ficaram estarrecidos e procuraram a direção da escola, mas nenhuma providência foi tomada. "Demos o prazo de uma semana para eles falarem as medidas que tomariam, senão procuraríamos os direitos do nosso filho", afirmou o pai.

 

O pai contou que a psicóloga do garoto - ele iniciou o tratamento porque sofre de déficit de atenção - foi à escola para conversar com os professores. "Eles falaram sobre o déficit de atenção, mas não de um problema de comportamento. Ela (a professora) reforçou sua opinião sobre como educar meu filho", disse.

 

Segundo Lima, o filho sofre bullying há pelo menos dois anos. "Essa professora fala na frente dos outros alunos que ele tem problema na cabeça, doença mental. E falou na sala que ele está em tratamento. Aí resolvi tornar a coisa pública em busca de ajuda, já que ninguém tomou uma providência para evitar esse tipo de atitude", afirmou.

 

Bilhete. Na semana passada, o pai do garoto escaneou o bilhete e enviou o conteúdo ao site da afiliada da Rede Globo em Campinas. Embora a direção da escola tenha informado, por meio de assessoria de imprensa, que desde o dia 21 tenta falar com a mãe do aluno, Lima disse que nem ele nem a mulher foram procurados nos telefones e endereço deixados na escola.

 

A Secretaria de Educação de Sumaré informou, por meio da assessoria de imprensa, que está tomando providências administrativas e pedagógicas. Segundo a pasta, a direção afirmou que os bilhetes que vão para os pais têm de passar pela coordenação da unidade, o que não ocorreu neste caso. A secretaria afirma que o aluno continua frequentando as aulas normalmente, com a mesma professora.

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