Felipe Rau / Estadão
Felipe Rau / Estadão

Gustavo Zucchi, ESPECIAL PARA O ESTADO

26 Setembro 2017 | 03h00

Os 136 mil inscritos para a Fuvest - principal processo seletivo para a Universidade de São paulo (USP) - e os 6,1 milhões de participantes do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) terão em 2017 uma tarefa hercúlea pela frente, semelhante em alguns sentidos, diferentes em muitos outros. Apesar do conteúdo exigido em ambos ter se aproximado nos últimos anos, levando o Enem mais para perto da prova que pode garantir a entrada para a USP, os principais desafios em cada uma ainda são únicos.

Para ajudar os estudantes a se prepararem para os dois exames, o Estado obteve um levantamento exclusivo realizado pelo Curso Poliedro sobre os conteúdos de cada disciplina que mais caem na Fuvest. Também publicamos nesta edição os temas mais abordados em cada área do Enem, reunidos pela equipe do Poliedro.

Quem conhece bem o que virá pela frente nos próximos meses é a estudante Marcella Tolomeotti, de 24 anos, que, pelo sétimo ano, enfrentará os dois exames mais concorridos do País. Com a ambição de ser médica (um dos cursos com maior relação de candidatos por vaga), ela compartilha com seus colegas e concorrentes o esforço e a esperança de estudar em uma universidade em 2018.

Para ela, cada prova tem seus segredos para ser superada com sucesso. A Fuvest traz como dificuldade não apenas o extenso conteúdo que o aluno tem de ver ao longo da vida escolar, aprimorado no ano anterior à prova, mas também a pressão psicológica. O fato de ser a porta de entrada para a mais bem conceituada universidade não apenas do Brasil, mas da América do Sul, põe, além do conhecimento, o lado emocional à prova.

“Se aparece um exercício na minha frente em que não está escrito ‘Fuvest’, eu encaro de um jeito totalmente diferente”, conta Marcella. “O fato de ser um vestibular tão concorrido tem o poder de desestabilizar muito quem quer passar. Quem consegue ser um pouco mais frio, menos emocional, tem vantagem nesse sentido”, acredita a estudante. 

Essa opinião é compartilhada por especialistas em vestibular. Responsável pelos levantamentos do Poliedro sobre os temas que mais caem na Fuvest e no Enem, o coordenador do curso em São Paulo, Vinicius de Carvalho Haidar, afirma que a maior dificuldade da maioria dos candidatos em vestibulares é, “de longe”, emocional.

“É mais motivo do que o próprio conteúdo (para se ter problemas nas provas). Porque o conteúdo os estudantes tiveram ao longo do ensino médio e quem faz o cursinho ainda viu, novamente, a revisão da revisão. Então, apesar de possíveis dúvidas que possam surgir sobre as matérias, manter o foco, a atenção, não perder o controle, é o maior desafio”, afirma o coordenador do Poliedro.

Já o Enem minimizou uma das grandes pedras no caminho para quem quer entrar na universidade por meio do exame. Com dois dias de prova e 180 questões mais a Redação, o cansaço era apontado por especialistas como a grande tarefa a ser superada. Em 2017, com a prova aplicada em dois domingos em vez de ser realizada em um único fim de semana, esse problema foi reduzido. Mas outros desafios surgiram para os estudantes.

Com a nova configuração, os textos longos, uma das características do Enem, causam ainda mais temor entre os estudantes. Agora, os exercícios de Humanas ficam todos reunidos no primeiro dia de prova, com a Redação. No segundo domingo, Matemática é acompanhada de Física, Química e Biologia. Com isso, diz o coordenador do Poliedro, o aluno pode cansar em usar por muito tempo o mesmo tipo de raciocínio.

“No Enem, a dificuldade é por serem provas muito longas, ainda mais nesse modelo novo, que concentra os tipos de matéria. Quem tem facilidade com leitura vai se dar melhor no primeiro dia e ter dificuldades no segundo, e vice-versa. Antes dava para alternar dentro da prova. Sem isso o nível de concentração cai demais”, explica Haidar.

“Acho que o maior desafio do Enem é a resistência. Até o ano passado cansava muito por ser em dois dias seguidos. Este ano não sei bem como vai ser. Acho que no primeiro dia, por ser de Humanas, vai ter muito texto. Tem de estar sempre se renovando durante a prova para manter a linha de raciocínio”, diz Marcella. 

Desafio em Exatas. De modo geral, explica o coordenador do Poliedro, o maior problema dos alunos, em qualquer prova, ainda é a área de Exatas. Em ranking divulgado no ano passado pelo Fórum Econômico Mundial, o Brasil estava na 133.ª posição entre 139 países na apreensão de conceitos matemáticos e científicos.

“Olhando de forma global você vê Exatas na parte mais baixa da curva e Humanas no alto. É onde a maior parte dos alunos tem dificuldade. Acho que é um pouco cultural e um pouco da metodologia mesmo, a forma como as escolas ensinam”, completa Haidar.

Aluna do Colégio Bandeirantes, na zona sul de São Paulo, Julia Oliveira, de 17 anos, não faz nenhuma preparação especial, nem para o Enem nem para a Fuvest. Ela se prepara, com ajuda da escola, de forma geral para todos os vestibulares. Com a reformulação do Enem, dando ares mais conteudistas para a prova, boa parte do que pode cair em uma pode cair na outra também.

“O Enem costuma ter uma complexidade menor que outros vestibulares, então eu faço os programas da escola e estudo tanto para as provas do Bandeirantes quanto para os outros vestibulares que planejo prestar”, conta a jovem, que quer entrar em uma faculdade na área de Biológicas.

Temas abordados. Apesar da semelhança do conteúdo pedido nos editais, é importante ficar atento para o que cai com mais frequência em cada avaliação. O levantamento feito pelo Poliedro mostra os assuntos mais abordados por matéria ao longo do tempo tanto no Enem quanto na Fuvest e mostra as especificidades de cada um dos exames.

“Em Matemática, a Fuvest deve continuar mantendo o padrão dela. Função naturalmente deve cair, probabilidade. Às vezes o que não cai de mais difícil em uma primeira fase aparece na segunda”, conta o professor do Poliedro Fernando Espiritu Santo. Especialista em Exatas, ele pede mais atenção justamente com o Enem: “É o exame em que estão ocorrendo as mudanças, em especial no nível de dificuldade. Assim o que não esperávamos na prova do Enem começou a aparecer, como função exponencial e logarítmica.”

“Eu diria para ficar de olho em razões e proporções, porcentual e juros em primeiro lugar. Em segundo, para não perder pontos fáceis, estatística.

E, em terceiro, áreas, volumes e gráficos”, recomenda Espiritu Santo. “Falando no jargão, o Enem está ‘fuvestando’.”

“Fuvestando” também está a prova de Humanas do exame. De acordo com a professora Cristina Luciana do Carmo, que também dá aulas no Poliedro e acompanhou o levantamento do cursinho, o Enem está trazendo uma prova mais equilibrada em Ciências Humanas. “Deve trazer conteúdos clássicos de História, Geografia, Filosofia e Sociologia, de maneira muito equilibrada. Eu diria um quarto para cada. O aluno tem de ter um conhecimento abrangente”, diz Cristina. Segundo a professora, uma preparação que englobe um pouco de cada uma das áreas pedidas é o caminho mais seguro para realizar as provas.

Para Julia, o medo não está nas disciplinas de Exatas ou de Humanas. “Nunca se sabe sobre a Redação. Para mim, pesa muito. Ela é uma surpresa para a gente na prova”, afirma a estudante do Bandeirantes.

A dica para se preparar vem da professora Karin Kansog, do Colégio Santa Maria, na zona sul de São Paulo. “Todos os anos os temas falam de sociedade brasileira, todas as questões falam disso, porque tem de pensar na nossa realidade. E você não pode se furtar de pensar nessa realidade.”

DICAS PARA OS DOIS EXAMES

Estudar ou não estudar? Eis a questão

Lembre-se: uma semana antes da prova é para fazer apenas revisão, você não vai aprender nada em cima da hora. A ideia é você dar aquela lembrada nos pontos principais que estudou ao longo do ano.

Repetição: o segredo do sucesso

Unanimidade entre os especialistas: quer ir bem no Enem? Faça o maior número possível de simulados. Se você tem esse teste na escola ou no cursinho, aproveite. Se não tem, faça em casa, cronometrando. Veja como reage seu organismo a ficar tanto tempo sentado. Criar um ambiente similar ao da prova é fundamental.

Não chegue no horário, chegue antes

Cena clássica em toda prova importante são os atrasados. Para não ficar lamentando o ano estudado perdido logo no portão, programe-se para chegar ao lugar da prova com, ao menos, 30 minutos de antecedência. Esqueça que a prova é às 13h30. Prepare-se para para chegar às 13 horas.

Olho vivo na leitura e cuidado com o tempo

Dentre as particularidades do Enem, a leitura cuidadosa é uma delas. O aluno tem de ler com cuidado e entender o que a questão está perguntando. Outra dica é ficar de olho no tempo. São três minutos por pergunta, mas o ideal é que você trabalhe por blocos, por exemplo, 30 minutos a cada dez perguntas, assim não perde preciosos segundos olhando toda hora para o relógio.

Estratégia para construir sua redação

Há vários modelos de como é melhor se fazer a redação. Enquanto estudar, o aluno pode ir testando, para ver em que estilo se encaixa melhor. Durante a prova, leia a coletânea da redação, gaste cinco, dez minutos pensando sobre ela. Marque palavras-chave que ajudem a criar a ideia do texto e vá para prova. Com isso você terá mais tempo para elaborar o tema e ainda poderá encontrar nos testes referências que auxiliem na hora de escrever.

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Medicina da USP: alunos da pública têm mais chances

Na disputada carreira, 40 vagas pelo Sisu serão para estudantes que não vêm da rede privada

Gustavo Zucchi, O Estado de S.Paulo

26 Setembro 2017 | 03h00

Estudantes que vieram do ensino público olham para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) com uma esperança em 2017. A Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) passa a reservar 50 vagas para alunos vindos do Sistema de Seleção Unificado (Sisu), que usa a nota do Enem para seleção.

“Achei muito positiva essa mudança. Mas claro que sabemos que a concorrência vai dobrar e a nota de corte vai ser muito alta. Não vai facilitar tanto assim”, diz Rodrigo Lemucchi Teixeira, de 19 anos. Ex-estudante de escola pública, ele faz cursinho no Etapa, justamente para tentar igualar suas chances com quem vem de colégios privados.

Com as mudanças, as vagas para Medicina na USP pela Fuvest caem de 175 para 150. Pelo Sisu, das 50 vagas, metade será destinada a quem vier de ensino público e mais 15 para pretos, pardos ou indígenas que cursaram colégios estaduais ou municipais. Apenas dez serão de ampla concorrência.

“Vejo como uma maior possibilidade. Eu tive de correr muito atrás dos alunos de ensino privado, muitas matérias eu não tive no ensino médio. Quando eles abrem vagas para cotistas, abrem oportunidades”, comemora Ana Paula Thomé da Silva, de 21 anos, do Cursinho Objetivo.

Além do curso de Medicina, Fisioterapia e Terapia Ocupacional terão três vagas cada pelo Sisu. Já para Fonoaudiologia serão cinco os alunos aceitos por meio do Enem.

“Acho que essas mudanças no Enem vão ajudar. Mas não devem ser a única solução para melhorar o ensino público”, afirma Angélica Aparecida Oliveira, de 24 anos, aluna do Objetivo. “Conheço bem o ensino público no Brasil e sei que jamais conseguiria entrar em uma universidade pública sem fazer cursinho.” Angélica terá a oportunidade de tentar realizar seu sonho de fazer Medicina na USP usando a nota do Enem.

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Nota cai, concorrência sobe

Pontuação para ser aprovado em algumas carreiras tradicionais pode diminuir, mas não influencia total de candidatos em busca de vaga

Gustavo Zucchi, Especial para o Estado

26 Setembro 2017 | 03h00

Enquanto a nota de corte dos principais cursos da Fuvest caiu nos últimos anos, a concorrência aumentou. É o que mostra levantamento do Curso Poliedro obtido com exclusividade pelo Estado com dados dos dez últimos anos do vestibular mais concorrido do País, para entrar na Universidade de São Paulo (USP). Foram escolhidas quatro das carreiras mais tradicionais: Engenharia, Direito, Economia/Administração e Medicina. 

A pouca relação entre a nota de corte a o aumento da concorrência fica mais clara quando se olha para os números dos vestibulandos de Medicina. Em 2017, a pontuação necessária para conseguir ser aprovado foi a menor dos últimos dez anos: apenas 69 pontos (pico em 2009, com 77 acertos). Em compensação, no ano passado o número de candidatos por vaga chegou a 63, quase dobrando o número de 2007 (32,9).

Já os outros cursos analisados mantiveram números mais parecidos e mostram que o vestibular em 2009 exigiu desempenho melhor dos candidatos na década: foi o ápice da nota de corte de todas as carreiras analisadas. Já a concorrência variou muito. Direito teve a maior relação de candidato por vaga no ano passado (24,5), Economia/Administração no vestibular para ingressar na faculdade em 2017 (14) e Engenharia em 2012 (15,9).

“Não há uma relação direta entre a concorrência de candidatos por vaga e a nota de corte. A nota de corte é um reflexo do desempenho dos estudantes de uma determinada edição do exame, é preciso ter atenção na comparação de diferentes provas e anos”, afirmou o diretor executivo da Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest), Renato Freire Sanches. “Apesar de a concorrência não ser homogênea entre os cursos, esse alto número de candidatos exige uma boa preparação dos estudantes e um desempenho satisfatório em todas as áreas do conhecimento.”

Cobrança. A alta concorrência torna mais difícil a tarefa de entrar na USP e assusta os candidatos. Juliana Bahia, de 18 anos, aluna do Objetivo em São Paulo, sonha em conseguir uma vaga em Medicina, mas sabe que não será fácil. “Aumenta a pressão em relação ao vestibular, o pensamento perfeccionista fica muito forte e sempre surge aquele sentimento de que poderia estar acertando mais, sabendo mais. É bem complicado, pelo menos para mim.”

A solução, segundo os especialistas, é uma boa preparação e deixar de lado a concorrência, se concentrando em obter a maior nota possível. “É preciso lembrar também que as provas da Fuvest são formuladas a partir das orientações curriculares para o ensino médio tanto do Ministério da Educação quanto do Estado de São Paulo. Ou seja, é o que o aluno aprende durante o ensino médio”, completa o diretor executivo da Fuvest. 

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Mudança de estratégia para encarar o Enem

Os 90 testes de áreas parecidas em cada dia podem cansar concorrentes. Mas especialistas alegam que a alteração valeu pelo ganho de separar os exames com uma semana de intervalo

Gustavo Zucchi, Especial para o Estado

26 Setembro 2017 | 03h00

O novo modelo das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) faz educadores e alunos voltarem sua atenção de modo especial para os dias 5 e 12 de novembro, curiosos de como vai funcionar a nova dinâmica. O consenso até aqui é que há, ao menos, um avanço claro: o fim da prova em dois dias seguidos. O que divide opiniões é a segunda grande mudança: como fazer uma prova que concentrará Humanas e a Redação e outra só com Exatas e Ciências?

Até o ano passado, as áreas eram misturadas e isso fazia parte da estratégia da prova. O recomendado era alternar de modo moderado entre as áreas, para evitar a fadiga de fazer muitos testes de um só tema. Agora os 90 testes do primeiro dia e os 90 do segundo vão exigir um modo de pensar parecido. É a opinião do coordenador-geral do Etapa, Edmilson Motta. Para ele, a impressão inicial depois do anúncio das mudanças era de que a prova poderia ficar mais cansativa e trazer uma dificuldade extra. “Ficar resolvendo questões com a mesma característica em um grande número possivelmente deixa a prova mais cansativa e, com isso, pode piorar o desempenho de alunos.”

O medo de um possível cansaço mental também aflige alguns alunos. É o caso de Julia Queiroga de Aquino, de 17 anos. A estudante do 3.º ano do ensino médio do Colégio Santa Maria, na zona sul de São Paulo, sonha em se tornar advogada, mas receia que a extensa prova de um tema só possa dificultar seu caminho. E não apenas no dia de Exatas. 

“Acho que vai ser muita coisa. Falando de uma pessoa que fez o Enem no ano passado, as questões são muito grandes, muito extensas, há muita coisa para ler. E os textos do Enem não são textos fáceis. Imagina fazer 90 questões disso?” 

Sem medo. As mudanças, entretanto, não devem ser motivo para pânico. Os simulados feitos por alguns dos maiores cursinhos de São Paulo mostram que, se existir prejuízo pelas provas temáticas, ele é muito pequeno perto do benefício que a separação das duas provas por uma semana traz. “A gente tem percebido pelos simulados que agora os alunos conseguem terminar a prova. Antes, quando era Português e Matemática, muitos não conseguiam terminar e, pior, não faziam a Redação”, afirmou a coordenadora pedagógica do Curso e Colégio Objetivo, Vera Lúcia da Costa Antunes. “No dia da mudança, foi aquele impacto, mas agora os alunos estão percebendo que pode ser benéfico para eles.”

Colega de Julia no Santa Maria, João Antonio Milaré, de 17 anos, também sente que terá mais vantagens do que prejuízos. O jovem, que deseja cursar Engenharia Mecânica, acredita que poder fazer um estudo focado em só uma área de raciocínio na semana que antecede a prova vai favorecer os estudantes. “Acho que essas duas mudanças (separar as provas em uma semana e focar em matérias semelhantes) se complementam muito bem.”

Com foco. A recomendação dos especialistas no Enem é usar as mudanças a seu favor, em especial a semana antes da primeira prova e a outra entre os dois dias de testes. A palavra-chave é foco: antes do dia 5 de novembro aproveitar para revisar os conteúdos de História, Português, Geografia, Sociologia, Filosofia e Atualidades, treinar a Redação e se preparar para encarar os longos textos que as Ciências Sociais do exame geralmente pedem. Depois deixar de lado e rever tudo que puder de Matemática, Física, Biologia e Química. 

Para a prova, as táticas seguem as mesmas, mas com algumas alterações. “A estratégia de fazer metade de cada prova, Redação, outra metade e terminar finalizando a Redação deve ser mantida, mas não será tão refrescante quanto nos anos anteriores”, explica coordenador-geral do Etapa. 

As pausas para retomar o fôlego, outro conselho para provas longas, devem ser mantidas, mas o ideal é fazer intervalos menores, em vez de um maior grande após os testes. Por último, não deixe de ir até o fim da prova. Leia todas as questões e resolva as mais fáceis. E não volte nas que já marcou com certeza. É o conselho da coordenadora do Objetivo, Vera Lúcia: “Quem lê pela segunda vez, mais cansado, acaba errando.”

Como se candidatar pelo Sisu com a nota do Enem

Estudantes que desejarem entrar em uma faculdade usando a nota do Enem devem ficar atentos às datas do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) de 2018. O cronograma ainda não foi divulgado, mas, se seguir a agenda de 2017, deverão ser poucos dias no fim de janeiro para o aluno manifestar interesse nas vagas pelo sistema. Funciona da seguinte forma: o candidato deverá entrar no site do Sisu (sisu.mec.gov.br) e se cadastrar com o número de inscrição e senha do Enem. Depois disso, será possível escolher até duas vagas nas instituições participantes. Fique atento: universidades dão peso diferente para o Enem, o que não garante que sua nota será igual em todas. Além disso, há cursos que exigem uma nota mínima.

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Sabatistas celebram provas só no domingo

Antes, esses alunos religiosos chegavam para o Enem com os outros candidatos e ficavam isolados até as 19 horas para começar a prova

O Estado de S.Paulo

26 Setembro 2017 | 03h00

A mudança do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para dois domingos foi praticamente um milagre para os sabatistas. Estudantes que professam religiões que guardam o sábado (como os membros da Igreja Adventista do Sétimo Dia e algumas alas do judaísmo) sofriam até o ano passado, quando tinham de aguardar até as 19 horas em uma sala para poder iniciar a prova de sábado sem ferir seus preceitos religiosos. Agora, com as provas só aos domingos, terão a mesma rotina que os outros milhares de alunos que farão a prova.

Desde 2009, quando o Enem passou para dois dias, os sabatistas viviam uma maratona no exame: tinham de estar no lugar da prova no mesmo horário de todos os alunos (que neste ano será às 13 horas) e ficavam em uma sala por seis horas. Como sua religião professa que todo o dia de sábado tem de ser totalmente voltado para atividades religiosas, só davam início à prova após as 19 horas. Uma espera muito cansativa ainda antes de começar o exame. Depois, voltavam para casa e, logo no início da tarde de domingo, iniciavam a segunda metade do Enem. Em 2016, foram 76 mil sabatistas nessa situação. 

É o caso de Eduarda França de Carvalho, de 17 anos. Estudante do Colégio Adventista da Liberdade, na região central de São Paulo, ela considera um avanço a mudança não apenas por respeitar seus preceitos religiosos, mas também por evitar um cansaço desnecessário. “Havia desvantagem, com um toque de penalidade. Ou seja, o governo nos deu uma oportunidade de fazer a prova depois, e não podíamos reclamar.” Eduarda vai prestar as provas para Engenharia da Produção. “Isso feria o direito de isonomia, pelo cansaço dos sabatistas, que já iniciavam a prova com essa desvantagem, terminando bem tarde da noite e mal podendo se recuperar para a prova do dia seguinte.”

A novidade no exame foi tão importante para os religiosos que o ministro da Educação, Mendonça Filho, foi homenageado em maio pela Igreja Adventista do Sétimo Dia. A decisão de passar a prova para dois domingos foi tomada em consulta pública realizada pelo Ministério da Educação (MEC). 

Alívio no futuro. Mesmo entre quem não vai fazer a prova em 2017 a mudança foi comemorada. É o caso de Suiane Santos Silva, de 15 anos, aluna do 1.º ano do ensino médio do Colégio Adventista da Lapa, na zona oeste de São Paulo. “Tinha sala em que você passava horas sem poder ao menos se comunicar com outra pessoa.” 

Estudantes do 1.º ano também do Colégio Adventista da Lapa, Bianca Negreiro Gomes Silva e Henrique Vieira Ramos, ambos de 15 anos, vão além da questão física. “Eu me senti respeitado. Mostra que sabem que estamos inseridos no contexto social”, diz Henrique. “Achei interessante levarem em consideração a nossa religiosidade”, afirma Bianca. 

“Gostei muito dessa mudança do Enem. Era estressante, você já estava nervoso, é uma prova importante, e isso atrapalhava o psicológico”, diz Ricardo Martins da Silva, aluno do último ano do médio no Adventista da Liberdade. Para ele, é importante estar 100%, especialmente na parte psicológica, o que era impossível. “A gente fala que foi a resposta de nossos pedidos para Deus. É algo importante para a gente e graças a Deus deu certo.”

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Veja os conteúdos de cada disciplina que mais caem nas provas da USP e no Enem

Levantamento foi feito pelo Poliedro e obtido com exclusividade pelo Estado

O Estado de S.Paulo

26 Setembro 2017 | 03h00

Fique atento ao levantamento do Poliedro obtido com exclusividade pelo Estado que mostra os conteúdos de cada disciplina que mais caem nas provas da USP. Para se preparar melhor para as provas, também vale verificar, mais abaixo, os temas mais abordados em cada área do Enem, reunidos pela equipe do Poliedro em São Paulo.

 

USP:

Biologia

Ecologia, reino animal e fisiologia animal, reino vegetal e fisiologia vegetal.

Estrutura e fisiologia celular, origem da vida e evolução.

Parasitoses e vírus, biotecnologia, genética.

Histologia, divisão celular, embriologia e gametogênese.

Química

Equilíbrios químicos, soluções e coloides.

Cálculo estequiométricos, termoquímica.

Reações e características de compostos orgânicos.

Eletroquímica, gases e ligações intermoleculares.

Física

Leis de Newton, resultante centrípeta, trabalho e energia.

Estática e hidrostática.

Eletrodinâmica (circuitos elétricos).

Óptica geométrica e termodinâmica.

Geografia

Espaço urbano e agrário.

População e questões ambientais.

Conflitos e tensões mundiais.

Atualidades.

História

Brasil Colônia.

História Contemporânea e Antiga.

Filosofia e Sociologia.

Brasil República.

Português

Figuras de linguagem.

Escolas literárias.

Variações linguísticas.

Semântica.

Matemática

Geometria espacial, PA e PG.

Geometria plana e trigonometria.

Porcentagem, estatística, razão e proporção, sistemas lineares.

Funções exponenciais e logaritmos.

 

ENEM:

Biologia

Problemas ambientais: mudanças climáticas, efeito estufa; desmatamento; erosão; poluição da água, do solo e do ar.

Embriologia, anatomia e fisiologia humana.

Metabolismo energético: fotossíntese e respiração.

Estrutura e fisiologia celular: membrana, citoplasma e núcleo.

Química

Compostos de carbono.

Transformações químicas e energia.

Materiais, suas propriedades e usos.

Água.

Física

Oscilações, ondas, óptica e radiação.

O movimento, o equilíbrio e a descoberta de leis físicas.

Fenômenos elétricos e magnéticos.

O calor e os fenômenos térmicos.

Humanas

Formas de organização social, movimentos sociais, pensamento político e ação do Estado.

Ditaduras políticas na América Latina: Estado Novo no Brasil e ditaduras na América.

A luta pela conquista de direitos pelos cidadãos: direitos civis, humanos, políticos e sociais.

Geopolítica e conflitos entre os séculos 19 e 20: Imperialismo, a ocupação da Ásia e da África, as Guerras Mundiais e a Guerra Fria.

Linguagens

Estudo do texto: as sequências discursivas e os gêneros textuais no sistema de comunicação e informação.

Articulações entre os recursos expressivos e estruturais do texto literário e o processo social relacionado ao momento de sua produção.

Associações entre concepções artísticas e procedimentos de construção do texto literário em seus gêneros (épico/narrativo, lírico e dramático) e formas diversas.

Modos de organização da composição textual.

Matemática

Conhecimentos numéricos.

Razões e proporções.

Conhecimentos geométricos.

Conhecimentos algébricos.

Conhecimentos de estatística e probabilidade.

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