Olimpíadas científicas entram na rotina de escolas particulares

Olimpíadas científicas entram na rotina de escolas particulares

Colégios reforçam preparação para torneios; participação, dizem professores, amplia experiências e melhora rendimento em classe

Victor Vieira, O Estado de S. Paulo

21 Setembro 2014 | 21h00

SÃO PAULO - Com o protagonismo recente das olimpíadas científicas, colégios reforçaram a preparação para os torneios. Além de medalhas, segundo as escolas, a participação amplia as experiências dos alunos e melhora o rendimento em classe. Outro foco são instituições estrangeiras: muitas usam o envolvimento nas competições como critério de seleção – ideia também estudada pela Universidade de São Paulo (USP).

Para evitar apenas participações esporádicas, que dependem do interesse de um professor ou grupo de alunos, as escolas montam equipes e estruturas de treinamento. O trabalho envolve turmas de estudo extras, tutorias individuais com ex-medalhistas, apostilas específicas e, nos casos de maior êxito, apoio a viagens para o exterior. O risco, para especialistas, é aumentar a pressão por resultados e a competitividade entre jovens e colégios.

O interesse das particulares nas competições de conhecimento cresceu nos últimos anos. Na Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM), por exemplo, 42% das escolas participantes eram privadas em 2009. Neste ano, a proporção subiu para 71%. A participação da rede pública também continuou forte no período, principalmente na Olimpíada Brasileira de Matemática de Escolas Públicas, que em 2014 teve 18,2 milhões de alunos inscritos, de quase todas as cidades do País.

O Colégio Etapa, na Vila Mariana, zona sul de São Paulo, é um dos mais tradicionais em competições científicas, desde os níveis iniciantes até os internacionais. “Se uma nova olimpíada desperta interesse no aluno, já avaliamos a possibilidade de organizar a preparação”, explica Edmilson Motta, coordenador da escola e diretor acadêmico da OBM.

Como o treinamento exige estrutura e investimento significativos, segundo Motta, ainda são poucas as escolas que investem nesse modelo. Cada torneio segue uma regra diferente – parte exige participação da escola no processo e outros aceitam inscrições individuais.

Mão na massa. Com 16 anos, Rafael Geromel tem no currículo premiações em olimpíadas de Matemática, Química e Informática – conquistadas nos últimos cinco anos. Hoje no 2.º ano do ensino médio, seu foco está em torneios de Robótica.

Para ele, o mais desafiador é colocar em prática conhecimentos da sala de aula. “Trabalhamos em projetos reais, com ajuste de erros durante a competição”, afirma. “Também melhora a autonomia, proatividade. Temos de correr atrás do que precisamos”, completa o jovem, que pretende tentar uma universidade fora do Brasil.

Formação ampla. No Colégio Albert Sabin, no Parque dos Príncipes, zona oeste, o convite para as olimpíadas é feito em todas as salas. Victor Vasconcelos, de 17 anos, se animou. Hoje, no 3.º ano do ensino médio, coleciona cinco medalhas em campeonatos diferentes, como de Química e Matemática. “O bom é que as aulas extras de preparação servem também para vestibulares.” Outra vantagem é que torneios cobram questões interdisciplinares, que exigem melhor entendimento dos conteúdos.

Os mais entusiasmados transitam entre diferentes campos – da Linguística à Astronomia. A oportunidade, relatam, ajuda até na escolha profissional. “Temos mais contato com as áreas. Antes pensava em Direito, agora me decidi por Engenharia de Materiais”, diz Vasconcelos.

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