Nilton Fukuda
Nilton Fukuda

Olhar para o exterior: receita para aparecer

USP patina em rankings internacionais, mas já faz esforços para melhorar posições

Paulo Saldaña e Marina Azaredo, O Estado de S. Paulo

24 Janeiro 2014 | 03h00

A USP é a instituição de ensino superior brasileira mais bem colocada em rankings internacionais, mas sua posição ainda é distante das top mundiais. No último levantamento da Times Higher Education (THE), a universidade perdeu posições em relação ao ano anterior - saiu do 158.º lugar, em 2012, para a faixa entre o 226.º e o 250.º lugares em 2013.

Nenhuma universidade brasileira aparece entre as dez melhores no ranking de países emergentes, também produzido pela THE e divulgado no fim de 2013. Novamente a mais bem colocada, a USP ficou na 11.ª colocação. Em outro ranking, o Quacquarelli Symonds University (QS) sobre universidades dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), ela aparece em 8.º lugar. Na comparação entre países, o Brasil tem a 3.ª posição, com 17 instituições entre as top 100, atrás de China, com 40, e Rússia, com 19.

Com pequenas variações, os rankings comparam as universidades com base em critérios que vão do número de publicações em revistas internacionais à infraestrutura e perfil do corpo docente. As taxas de internacionalização, como a presença de professores e alunos estrangeiros, têm peso considerável nessas listas - e, em geral, a USP não vai bem nesses quesitos.

O editor dos rankings da THE, Phil Baty, diz que o Brasil tem feito um bom trabalho em alguns campos, e a USP tem papel importante nisso, mas é preciso dar um passo rumo à internacionalização. "A internacionalização é um ponto-chave. Todas as universidades de ponta têm contextos globais. Isso significa contratar os melhores professores e atrair os melhores estudantes do mundo. Também é importante encontrar os melhores parceiros para colaboração em pesquisa", afirma.

Para o diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Carlos Henrique de Brito Cruz, a análise dos rankings tem limitações. "O THE valoriza a presença de alunos estrangeiros. Aqui o ensino superior é público e gratuito, financiado pelos impostos. A sociedade não vai querer pagar para um aluno chinês estudar."

Além dos critérios que desfavorecem as universidades brasileiras, a USP tem características diferentes das instituições do topo. As "top 10" têm, em média, 17 mil alunos - ante 90 mil na USP. Essas instituições também são focadas em pesquisa: em Harvard, 65% dos alunos são de pós-graduação, contra 35% na universidade paulista.

Lições. Apesar disso, Brito Cruz diz que é possível aprender com os rankings. "Um dos pontos positivos é o esforço para buscar professores estrangeiros." A universidade tem se esforçado nesse sentido, com a criação de escritórios em Boston, Londres e Cingapura, e um programa de bolsas para atrair estrangeiros - além de incentivos para mandar alunos para fora.

A comparação internacional é o principal ponto de partida para que a USP seja mais ambiciosa, segundo avaliação do biólogo Fernando Reinach. "Ela tem de começar a querer se igualar a Harvard, Stanford, e ver os indicadores delas. Aí, vai constatar que está muito longe."

Colunista do Estado, Reinach foi professor da USP (de onde pediu demissão) e coordenou o primeiro projeto Genoma do País. "A USP fica achando que está boa demais para o Brasil. Teve uma ambição lá atrás, com professores estrangeiros, de se tornar a melhor do Brasil, e isso realmente aconteceu. Mas parece que deitou em berço esplêndido", diz.

O impacto das pesquisas também está longe do ideal. Segundo dados tabulados pelo professor Rogério Meneghini, a universidade teve média de 2,15 citações por artigo em 2012 - Stanford tem resultado três vezes maior.

Mais conteúdo sobre:
usp 80 anos universidade São Paulo

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.