Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

‘O progresso tecnológico está sendo atingido pela universidade’

'A USP povoa as empresas e também outras universidades com grande número de egressos. Ela estabeleceu um padrão', diz o professor José Goldemberg

Paulo Saldaña, O Estado de S. Paulo

24 Janeiro 2014 | 03h00

Dos 80 anos da USP, o professor José Goldemberg participa dos últimos 68. Chegou em 1948 para estudar Química (depois mudou para Física), foi reitor, e, ainda hoje, aos 84 anos, pesquisa e dá aulas na pós-graduação.

 

O senhor era reitor quando a USP ganhou autonomia orçamentária. Isso foi marcante para o desenvolvimento da universidade?

O desenvolvimento da universidade depende das condições macroeconômicas. Era preciso barganhar os recursos toda semana. Como qualquer contratação tinha de entrar nos procedimentos gerais do governo, na prática não tínhamos também autonomia administrativa. Durante uma das greves, eu e o Paulo Renato (então reitor da Unicamp), fomos falar com o governador Orestes Quércia e combinamos que a fração de recursos transferidos nos últimos anos seria fixada. Foi o atestado de maioridade da universidade. A partir disso, podíamos fazer planos de gastos, projetos.

 

Mas o que mais explica o sucesso histórico da USP?

Um artigo do decreto de criação da USP já definia a adoção de regime de tempo integral e dedicação exclusiva de professores, algo inédito na época. Outro definia a autonomia científica, didática e administrativa. E já se falava da autonomia financeira.

 

A USP atingiu seus objetivos?

O progresso da ciência foi atingido e o tecnológico está sendo atingido. Até mesmo nos rankings, a USP está entre as 200 melhores entre 10 mil universidades no mundo. Estamos em um grupo muito privilegiado. Na finalidade de formar profissionais também houve sucesso. A USP povoa as empresas e também outras universidades com grande número de egressos. Ela estabeleceu um padrão. Na missão de realizar a obra social, o sucesso foi relativo, porque não houve interação com o ensino secundário, embora a culpa não tenha sido da USP.

 

A universidade é muito diferente em 2014 do que era na década de 1950?

A USP é muito maior, com mais gente fazendo mais coisas. Antigamente, o universo de competências era mais limitado, e agora há especialistas em tudo. A área médica desenvolveu extraordinariamente desde 1950. Mas, na qualidade, por incrível que pareça, o que tinha de bom em 1948, 1950, continua agora. Lembro de quando publiquei meu primeiro trabalho científica, em 1951, e já havia os padrões que seguimos hoje.

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