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O pioneiro da ‘sala de aula invertida’ 

Professor da Universidade do Colorado, Jonathan Bergmann defende método de ensino no qual alunos estudam conteúdo antes das aulas e apenas aprofundem tema e tirem dúvidas com os professores

Entrevista com

Jonathan Bergman, professor da Universidade do Colorado

Isabela Palhares, O Estado de S. Paulo

20 Agosto 2017 | 03h00

SÃO PAULO - Antes de chegar à escola, os alunos já sabem e estudaram o conteúdo que vai ser abordado em sala de aula. Com o professor, a ideia é que eles aprofundem o tema, tirem dúvidas e façam exercícios. Esse é o princípio da Flipped Classroom – ou sala de aula invertida –, metodologia que propõe uma mudança na forma de ensinar e já é adotada em algumas universidades nos Estados Unidos.

É o caso de Harvard – na Medical School e no curso de Matemática – e da University of British Columbia. Um dos pioneiros no uso da sala de aula invertida, Jonathan Bergmann, professor da Universidade do Colorado, vem ao País no fim do mês e disse ao Estado que a metodologia pode ser usada desde o ensino fundamental até o superior.

Por que o senhor decidiu mudar a forma de dar aula?

Comecei a trabalhar com o Flipped Classroom entre 2006 e 2007. A ideia surgiu quando a filha de um amigo, que havia acabado de entrar na faculdade, disse adorar o fato de não ter obrigatoriedade de frequentar as aulas, de ter liberdade para estudar muita coisa sozinha e, com isso, desenvolver uma relação melhor com os professores. 

Por que o senhor acredita que esse método funciona melhor do que o tradicional?

Estimula a aprendizagem ativa. O professor grava o conteúdo principal da aula em vídeo e os estudantes o assistem antes de chegarem à aula. Quando estão em sala, só vão aprofundar o conhecimento de acordo com o seu nível de curiosidade e o que aprenderam com o vídeo. Cada um vai no seu ritmo. Outro motivo é que aumenta e melhora a qualidade da relação dos professores com os estudantes porque eles interagem muito mais. 

O que o professor precisa saber antes de dar uma aula usando esse método?

Esses alunos, essa geração de estudantes, já têm muito acesso à informação por internet, Google, YouTube, mas precisa dessa ajuda e guia do professor para processar os dados que vão contribuir mais para o seu aprendizado. Os alunos não vão procurar sozinhos a informação antes de ir para a aula. O professor é o curador dessa informação e depois ele vai aprofundar em sala.

Há espaço para esse tipo de metodologia em um país como o Brasil?

Tem muito interesse de professores e gestores. Mas ainda há muitos desafios, especialmente em um país como o Brasil, onde há muitas regiões em que os alunos não têm acesso à internet.

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