‘O aluno precisa ter clareza no projeto’, diz diretor executivo da Fulbright Brasil

Luiz Volcov Loureiro afirma em entrevista ao 'Estado' que instituições americanas buscam diversidade de alunos

Bárbara Ferreira Santos,

17 Dezembro 2013 | 11h49

Está mais fácil e barato fazer pós-graduação no exterior?

Sim. O câmbio tem ajudado, mas acho que, ao longo de alguns anos, vem ocorrendo uma maior abertura dessa possibilidade. Com os novos programas de pós-graduação disponíveis, como o mestrado profissional do Ciência Sem Fronteiras, se vê que essa formação não precisa ser estritamente acadêmica.

O mestrado profissional é uma demanda dos brasileiros que tem aumentado lá fora?

Essa é uma demanda do mercado. É uma pós-graduação que existe no Brasil, mas é muito pequena e ainda incipiente. Estamos aprendendo a fazer o mestrado profissional. O benefício desse intercâmbio é tanto para o indivíduo que está fazendo o programa, de ter uma formação especializada e de alto nível fora do País, quanto para o sistema de pós-graduação brasileiro, que pode repensar com os programas de fora e entender como fazer investimentos nesse tipo de educação.

Qual é o perfil que se espera de um aluno de pós-graduação nos EUA?

Na pós, o que se quer é um indivíduo que tenha um bom conhecimento na área em que ele se formou. Ele pode ter alguma experiência profissional, mas isso não é obrigatório, porque os cursos nos EUA costumam fazer um mix de gente internacional e local, de gente com alguma experiência e recém-formados. Nenhum deles abre mão, contudo, de a pessoa ter um bom perfil acadêmico e um bom histórico escolar. Conhecimento de inglês é pré-requisito obrigatório.

Não ter dinheiro para a pós-graduação é um empecilho?

Por causa do interesse que há no estudante brasileiro, na hora em que a universidade vê que o aluno tem grande potencial, podem aparecer bolsas e ajudas que viabilizam a formação do interessado. Se fosse para desistir porque não se tem dinheiro, poucos americanos fariam até mesmo graduação.

E tem aumentado nos EUA o interesse pelos brasileiros?

O interesse das universidades americanas é ter a maior diversidade possível. Existe uma concentração muito grande de estudantes da China, Índia e Coreia. Qualquer outro grupo que venha trazer diversidade é muitíssimo bem-vindo. Eles recebem os brasileiros de braços abertos, porque sabem que são bons estudantes e não têm problema de adaptação.

O aluno brasileiro tem de mostrar quais habilidades?

O aluno tem de mostrar que quer fazer a pós-graduação, tem de dar evidências de que é razoavelmente independente, capaz de se aprofundar em um tema à medida da sua capacidade e identificar o que quer fazer com aquele conhecimento. Ter clareza e maturidade para dizer qual é o seu projeto pessoal e mostrar como pretende chegar lá.

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