Número de inscritos negros no vestibular da Unesp cresce 12%

Neste ano, 25% das matrículas, por curso, serão para cotistas - o equivalente a 1.870 vagas da Universidade Estadual Paulista

Paulo Saldaña, O Estado de S. Paulo

22 Outubro 2014 | 22h07

SÃO PAULO - Com 25% de vagas reservadas para cotistas no vestibular deste ano, a Universidade Estadual Paulista (Unesp) registrou aumento na proporção de alunos de escola pública, negros e indígenas que buscam uma vaga na instituição. O maior salto foi no número de inscritos negros (pretos e pardos), que subiu 12,2%, em relação ao ano passado. O aumento geral de inscrições foi de 1,6%.

A Unesp foi a única universidade estadual de São Paulo a reservar vagas para alunos de escolas públicas, com respeito a proporções mínimas de negros e indígenas. Neste ano, 25% das matrículas, por curso, serão para cotistas - o equivalente a 1.870 vagas. Até 2018, esse porcentual será de 50%.

Dos 101.014 inscritos no vestibular deste ano, 57.831 (57%) concorrerão pelo sistema de cotas. Os alunos de escola pública, independentemente da cor de pele, somam 40.992 inscritos (40,58% do total). Esse número é apenas 3,3% maior do que o montante do ano passado. A participação de negros é que teve maior incremento, com 16.839 candidatos inscritos ( 17% do total) em 2014. Segundo a Unesp, são 1.828 candidatos a mais do que em 2014.

O estudante Dirceu Souza, de 19 anos, prestou o vestibular da Unesp no ano passado e não conseguiu passar. “O ensino era muito fraco na minha escola, não tinha divulgação de universidades nem ouvia falar sobre cotas”, diz ele, ex-aluno de escola pública em Bauru, no interior paulista, onde mora. O estudante também é negro.

Souza confia que o porcentual de reserva de vagas deste ano pode lhe garantir uma vaga em Engenharia Civil. “Ano passado, era muita coisa que nunca tinha visto. Agora, estou com muita esperança”, diz ele, que faz um cursinho gratuito da própria Unesp.

O vestibular ocorre em 16 de novembro. A segunda fase é nos dias 14 e 15 de dezembro.

Dados de 2011 indicam que só 10,7% dos negros de 18 a 24 anos estavam na universidade ou haviam se formado. Entre os brancos, o porcentual era de 25,6%.

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