Número de estudantes no ensino superior chega a 7,3 milhões

Matrículas cresceram 3,9% entre 2012 e 2013; diferença entre nº de vagas públicas e particulares, entretanto, continua aumentando 

Lisandra Paraguassu, O Estado de S. Paulo

09 Setembro 2014 | 15h42

BRASÍLIA - O número de matrículas no ensino superior alcançou 7,3 milhões em 2013. Em 10 anos, o número de estudantes em cursos superiores cresceu 85,6%. Esse ritmo, no entanto, vem caindo desde 2008, quando cresceu mais de 10% em ano. Entre 2012 e 2013, o aumento foi de apenas 3,9%, embora o número de jovens brasileiros de 18 a 24 anos que estejam no ensino superior ainda esteja em 17,5% nos últimos dados divulgados pelo Ministério da Educação, quando a meta é chegar a 35%. 

O Censo da Educação Superior, divulgado na tarde desta terça-feira, 9, pelo Ministério da Educação, revela que os cursos superiores tecnológicos, de menor duração e formação mais específica, foram os que mais cresceram. Nos últimos 10 anos, o número de cursos aumentou mais de 500%, puxado principalmente pelo aumento de vagas na rede privada. Hoje, 85,6% das matrículas estão em instituições particulares. 

A situação é similar nas vagas de graduação em geral. Uma das promessas do Ministério da Educação, ainda no governo Lula, era de manter a proporção de 30% de vagas públicas para 70% de vagas privadas, o que não aconteceu. Apesar da expansão considerável no número de universidades federais criadas desde 2003, a diferença no número de vagas segue aumentando. O último censo revela que, hoje, as vagas públicas representam 26% do total - incluindo federais, estaduais e municipais.

Em São Paulo, para cada vaga em universidade pública, existem outras 5,3 em instituições privadas, a maior proporção do País. A proporção também é alta no Distrito Federal, uma para 4,65. Mas, em todo Brasil, em apenas cinco Estados - Paraíba, Santa Catarina, Pará, Roraima e Tocantins - há mais matrículas públicas que privadas. 

Engenharias. O Censo mostra, ainda, que uma das áreas prioritárias do governo, as engenharias, conseguiu avançar mais rápido no governo da presidente Dilma Rousseff. As matrículas nas áreas de Engenharias, Produção e Construção, justamente a que foi avaliada como a mais necessária para o País, dada a falta de engenheiros e técnicos, cresceram 52% nos últimos três anos. O número de concluintes, 29%. 

Ainda assim, uma comparação feita pelo próprio Ministério da Educação com a média dos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico mostra que o número de estudantes dessas áreas por 10 mil habitantes ainda é bem inferior dos países mais desenvolvidos. O número de concluintes por 10 mil, de apenas 4, representa menos da metade. 

A segunda área em que houve o maior avanço foi a de educação, com um aumento de 3,53% no número de matrículas por 10 mil habitantes e de 3,1% no índice de concluintes. 

Os cursos de pedagogia são ainda os que dominam a área de educação, com 44,5% do número de matrículas. Em seguida, vem educação física, com 8,9%, e Biologia, Matemática e História, com cerca de 6% cada um. 

Os maiores cursos, no entanto, continuam sendo Administração, com 800 mil alunos, e direito, com 770 mil vagas. Pedagogia aparece em terceiro lugar e o primeiro da área de engenharias é a Civil, com apenas 3,5% das matrículas do País. Depois, em 10º, engenharia de produção, com 2%. 

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