Número de corretores de redação do Enem cresce 40%

Segundo MEC, reforço visa a garantir rigor na análise das provas; exame abre inscrições na 2ª

Rafael Moraes Moura, de O Estado de S. Paulo,

24 Maio 2012 | 18h33

BRASÍLIA - As inscrições para a próxima edição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) começarão na próxima segunda-feira, às 10 horas, e seguirão até as 23h59 do dia 15 de junho, informou nesta quinta-feira o ministro da Educação, Aloizio Mercadante. Alvo de contestação de estudantes e brigas judiciais, a correção das redações passará por mudanças. Conforme o Estado antecipou, o Ministério da Educação reduziu em cem pontos a diferença máxima que poderá haver entre as notas dadas pelos dois corretores para que o texto siga para um terceiro avaliador.

 

Graças a um acordo firmado com o Ministério Público Federal (MPF), os alunos terão acesso, apenas para fins pedagógicos, às redações corrigidas, a partir deste ano. Isso não significa, porém, que o estudante poderá recorrer da nota concedida.

 

Assim como em 2011, todas as redações passarão por dois corretores. Agora, se a diferença entre as duas notas for superior a 200 pontos - não mais 300 -, um terceiro corretor fará outra avaliação. Se mesmo assim a discrepância continuar, a redação seguirá para uma banca de três pessoas, que dará a nota final.

 

O MEC também instituiu uma nota máxima de discrepância - 80 pontos - dentro de cada uma das cinco competências avaliadas na redação. Ou seja: mesmo que um estudante receba 640 pontos do primeiro corretor e 480 pontos do segundo (diferença inferior a 200 pontos), se numa das cinco competências receber 160 pontos do primeiro e 40 do segundo (diferença superior a 80 pontos), a redação será submetida a uma terceira análise.

 

Entre as competências da redação estão a demonstração de “domínio da norma padrão da língua escrita” e de “conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação”. Como consequência, haverá aumento no número de redações submetidas à terceira correção - segundo o MEC, o número de corretores passará de 3 mil para 4,2 mil, para atender à demanda.

 

“Redação sempre tem subjetividade e precisamos ter segurança. Essa grade de análise dará um salto de qualidade em relação ao que tínhamos. Haverá um aumento de custo, mas ele será muito menor do que o de um equívoco na correção. Todo esse procedimento de correção é mais exigente, toda a preparação será mais rigorosa”, disse Mercadante, durante coletiva de imprensa ontem em Brasília. O ministro, porém, foi taxativo na mensagem aos que se submeterão à prova: “Não muda nada para quem vai fazer a redação”.

 

Para informar os estudantes sobre as habilidades avaliadas, o MEC deve divulgar em julho um guia com exemplos de bons textos e um detalhamento do que se espera em cada competência.

 

Foi mantida a parceria com a empresa de gestão de riscos Módulo - o número de itens do check-list que mapeiam as etapas do exame saltou de 1.276 para 3.439. O Inmetro voltará acompanhar o trabalho na gráfica.

 

Outra mudança anunciada é o aumento da nota de corte para quem se submeter à prova para obter certificação de ensino médio - serão necessários 450 pontos em cada área do conhecimento, ante 400 da edição passada. A pontuação mínima na redação continua sendo 500 pontos.

 

Cronograma

 

O prazo final para o pagamento da inscrição será 20 de junho - a taxa é de R$ 35. A divulgação dos gabaritos será feita em 7 de novembro e dos resultados individuais, 28 de dezembro. Ao todo, o Enem mobilizará cerca de 400 mil pessoas neste ano, que estarão envolvidas direta ou indiretamente na aplicação da prova em 140 mil salas de aula. O edital do próximo Enem foi publicado nesta sexta no Diário Oficial da União. A prova será novamente aplicada pelo consórcio Cespe/Cesgranrio, escolhido sem licitação - o contrato de R$ 372 milhões, firmado no ano passado, previa a realização de “duas ou mais edições”.

 

O QUE MUDA

 

O MEC reduziu a diferença máxima que poderá existir entre a avaliação dos dois corretores da redação – de 300 para 200 pontos na nota final. A discrepância também não poderá ser superior a 80 pontos em qualquer uma das cinco competências avaliadas no texto. Veja os exemplos:

 

Exemplo 1

O primeiro corretor deu 600 pontos e o segundo, 800 – a discrepância não superou 200 pontos. A nota final será a média aritmética dos dois corretores (700).

 

Exemplo 2

O estudante tirou 480 pontos do primeiro corretor e 800 pontos do segundo – a discrepância é superior a 200 pontos. Se o terceiro corretor der 720 pontos (nota próxima ao segundo corretor), a nota final será a média do segundo e do terceiro corretor, ou seja, 760 pontos.

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