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Novo secretário da Educação não se compromete com reforma

- Atualizado: 28 Janeiro 2016 | 23h 37

Ex-presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, José Renato Nalini tomou posse do cargo nesta quinta-feira, dia 28

Ao assumir oficialmente o cargo de secretário de Educação do Estado de São Paulo, José Renato Nalini evitou nesta quinta-feira, 28, se comprometer com a continuidade do projeto de reorganização da rede escolar, que no ano passado motivou ocupações de escolas e acabou suspenso. Nalini disse que vai ouvir alunos, professores e especialistas para avaliar o projeto. A primeira decisão dele como titular da pasta foi exonerar o chefe de gabinete da secretaria, Fernando Padula.

O ex-presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo foi escolhido pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) após a crise em torno do projeto de reforma da rede. Quase 200 escolas foram ocupadas em protestos contra o plano, que previa o fechamento de 93 prédios e a transformação de 754 escolas em unidades de ciclo único. 

Com ocupações e manifestações crescentes, Alckmin suspendeu a reorganização e demitiu o então secretário, Herman Voorwald. Durante o período de ocupações, Padula se reuniu com dirigentes de ensino e falou em “tática de guerrilha” contra o movimento. Ele estava no governo estadual desde 1999. 

O ex-presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, José Renato Nalini, assume a Educação

O ex-presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, José Renato Nalini, assume a Educação

Nalini afirmou que preferiu a troca de cargo para poder contar com alguém que já conhecia. “Foi para poder trabalhar com pessoas que conheço e trazer um novo perfil de democracia participativa para a secretaria”, disse. E negou que a saída de Padula tenha a ver com o surgimento de seu nome na investigação de fraude na merenda escolar. Como antecipou o Estado, o promotor Antônio Carlos Ozório Nunes vai assumir o cargo.

Retomada. A gestão insistia, desde o ano passado, que o projeto de reorganização escolar seria retomado neste ano. Questionado se iria mantê-lo, Nalini evitou garantir a continuidade. “Não falei que vou seguir adiante (com o plano), falei que vou ouvir. Um plano não surgiu do acaso, vou chamar as lideranças, responsáveis, pensadores, e verificar o que foi o motivo da revolta”, disse ele no Palácio dos Bandeirantes. “Sei que não é só o plano, há pauta maior e precisamos verificar cada item. Não podemos reinventar a roda, não é amanhã que as coisas vão se resolver. O importante a saber é que há um secretário disposto a ouvir.”

Nalini afirmou que desconhecia detalhes do projeto e negou que sua posição anterior como magistrado pode ter influência nos interesses da pasta no Judiciário. “Não vai ter troca de influência, nenhuma.” No ano passado, o TJ negou pedido do governo de reintegração de posse de escolas ocupadas.

A cerimônia contou com a presença de praticamente todo secretariado de Alckmin, professores universitários, membros do Judiciário e intelectuais ligados à Academia Paulista de Letras – da qual Nalini é integrante. O secretário municipal de Educação de São Paulo, Gabriel Chalita (PMDB), teve assento de destaque, ao lado do novo titular da Educação no Estado. Mesmo na gestão Fernando Haddad (PT), Chalita mantém trânsito livre com Alckmin.

O governador defendeu que Nalini tem experiência como professor. “Ele reúne diálogo com todas as áreas, alunos, e especialmente os pais dos alunos, professores e a sociedade.”

Desafios. Para o professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) Nilson José Machado, a fala de Nalini trouxe uma novidade. “Pela primeira aparece alguém falando o que já era evidente: que as ocupações são muito mais complexas. Envolvem mais motivos, não apenas tem a ver com a reforma”, diz ele, que coloca a questão da valorização docente como o maior desafio. “A questão dos professores é mais séria. O principal problema do País é a condição de professores, que não é boa.”

A professor Maria Izabel Noronha, presidente da Apeoesp, principal sindicato dos professores, disse que vai pedir encontro com o secretario. “Ele fala em diálogo, mas isso não pode significar que parte fala e faz de conta que ouve. Estamos com defasagem salarial significativa”, disse. 

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